A vitória de Rodrigo Pacheco, reconduzido à presidência do Senado na quarta (1º), foi interpretada como mais uma derrota do bolsonarismo numa espécie de quarto turno contra Lula.
Depois de perder o primeiro e segundo turno das eleições 2022, e de forçar um terceiro turno lançando dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral e tentando um golpe de Estado em 8 de Janeiro, o bolsonarismo agora fracassou na missão de emplacar Rogério Marinho como presidente do Senado.
O senador Rodrigo Pacheco, reeleito com 49 votos, e o deputado federal Arthur Lira, reeleito presidente da Câmara com 464 votos, se cacifaram perante o governo Lula.
Na leitura do ex-senador Roberto Requião, o campo progressista precisa ter cautela. Tanto Pacheco quanto Lira, segundo Requião, foram reeleitos “da maneira mais ultrapassada de se fazer política: com orçamento secreto e promessa de empregos e ministérios. É o velho método.”
Para ele, “Lula não está nas mãos do Pacheco e do Lira, está nas mãos do sistema.”
“O pessoal que votou vai continuar querendo orçamento secreto e trocar votos por cargos e ministérios. (…) Lula vai ficar refém do sistema de corrupção dentro do Congresso.”
Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, Requião avaliou como um erro o governo Lula não ter lançado candidatos próprios à presidência das Casas, deixando os candidatos à reeleição vencer com elevado número de votos. “Repetiram em dose elevada o que já fizeram de errado no passado.”
Além de Requião, o jornalista Luis Nassif também entrevistou, na noite de quarta (1º), o cientista político Sergio Praça, da FGV. Para ele, a eleição de Pacheco foi um “alívio” porque a oposição era Rogério Marinho. Mas Praça também concorda que o governo não deveria ter deixado Lira vencer praticamente por W.O.
Na visão de Praça, a derrota bolsonarista no Senado, no entanto, não significa necessariamente pacificação do País. “Existe uma bancada bolsonarista na Câmara e no Senado, que vai continuar fazendo barulho e vai pressionar por CPI e impeachment, mesmo que não haja motivos para isso.”
Praça também achou “lamentável” que o governo não tenha apresentado candidato próprio à disputa pela presidência da Câmara.
“Em 2003, quando Lula venceu a primeira vez, João Paulo Cunha venceu a eleição da Câmara, ele era alguém mais ligado ao PT. Com Lira, não sei se a relação será tão amistosa assim. Depende de com quais mecanismos de corrupção o Lula topará jogar.”
Assista:
Jaciara coelho
2 de fevereiro de 2023 1:18 pmQuem disse que Lula se incomoda? Foi assim Lula 1 e 2 e será assim Lula 3. Ele não tem conflitos morais. É tudo da política.