Erro de Pacheco foi reprimir Lula sendo que o Senado sequer debatia crise com Israel, diz Omar Aziz ao GGN

Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
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TVGGN entrevista o senador Omar Aziz, que viralizou nesta semana nas redes sociais ao comentar a guerra em Gaza

O senador Omar Aziz em entrevista ao jornalista Luis Nassif. Foto: Reprodução/TV GGN

Na entrevista exclusiva concedida ao jornalista Luís Nassif, no TVGGN 20 Horas [assista abaixo], o senador Omar Aziz (PSD-AM) abordou de forma esclarecedora sua resposta ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que viu a necessidade de desculpas por parte do presidente Lula por sua analogia entre o genocídio em Gaza e o nazismo.

O equívoco cometido por Pacheco, apesar de ter uma postura equilibrada, segundo Omar, foi utilizar a cadeira de presidente do Senado após três dias para repreender o presidente. Até porque, até então, conflitos diplomáticos não haviam sido debatido no ambiente político.

“É um homem inteligente, com conhecimento e muita paciência. Eu acho que o equívoco do Rodrigo Pacheco foi, depois de três dias [da declaração de Lula], usar a cadeira do presidente Senado para dar uma reprimenda no presidente. Esse foi o erro, porque, até então, nós nunca tínhamos debatido isso. Eu sou filho de palestino, não se debatia esse assunto ali [no Senado] porque não era uma questão de resolver na tribuna”, pondera.

Segundo Omar, em meio à controvérsia envolvendo o presidente Lula e a repercussão negativa da mídia, é crucial compreender o contexto das declarações e as causas da sensibilidade que é marca de Lula, justamente por ter que resolver questões que nem sempre são noticiadas.

“Histeria [mídia e opinião pública], porque o presidente Lula é uma pessoa sensível em todas as causas, não é só a causa palestina e das minorias. Eu vi a sensibilidade do Lula há muitos anos atrás quando visitava Manaus. Aqui nós temos uma quantidade muito grande de hansenianos, em torno de 500 por ano. E Lula, após ter conversado com muitas lideranças árabes e ter falado com o ministro da Autoridade Palestina, saiu muito sensibilizado daquela conversa. Eu ouvi relatos que não são mostrados, infelizmente não são mostrados aqui”, relembra.

A necessidade de se posicionar a fim de um cessar-fogo é um dever dos líderes, esclarece o senador, considerando os números oficiais até o momento, que chegam a 30 mil vítimas, sendo a maioria crianças e mulheres. No entanto, com o número de desaparecidos e enterrados sob os escombros, é provavelmente mais próximo dos 40.000”.

“Não adianta você pegar um discurso feito pela sua assessoria e ler. Isso não funciona, ninguém comenta”, afirma. 

O vínculo de qualquer crítica ao antissemitismo também tem sido pauta de estudiosos. Para Omar, “eles querem ter uma narrativa. O Netanyahu é o causador de tudo isso, o povo Judeu não é assassino”. 

“O povo judeu sofreu muito, são cicatrizes que vão perdurar por séculos, mas ainda existe um segmento em que se você criticá-lo, você é antissemitista. Espera aí, eu mesmo sou cristão, sou filho de palestino. Agora eu criticar a atitude de um governo que estava caindo, morrendo, com milhares e milhares de pessoas na rua pedindo a queda do primeiro-ministro Netanyahu, aí eu virei antissemitista?”.

Em contrapartida, o senador reforçou o fato de que figuras da extrema-direita já fizeram alusão ao nazismo de Hitler, e, não utilizaram de “histerias na mesma medida”.

Assista a entrevista na íntegra:

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