Frase de Mourão é a mais racista de todas, diz Jânio de Freitas

Em artigo, jornalista diz que considerar a inexistência do racismo no Brasil "é fazer com que a discriminação seja correta e merecida pelos negros"

O jornalista Jânio de Freitas. Foto: Reprodução

Jornal GGN – A mais racista dentre as frases – “no Brasil não existe racismo” – foi proferida recentemente pelo atual general vice-presidente do país, Hamilton Mourão, que um dia foi eleito presidente do Clube Militar justamente como reconhecimento às suas manifestações extremistas.

“Considerar que inexiste racismo no Brasil é dizer que toda a discriminação social sofrida pela negritude, sua desvalorização remuneratória, a maior vitimação nas ações policiais, a proporção maior na pobreza, e tanto mais, compõem um tratamento correto aplicado pelos brancos e merecido pelos negros”, diz o jornalista Jânio de Freitas em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, onde ressalta que a sentença do vice-presidente indica que o racismo “seria considerado o humanamente normal e o legalmente adequado para os negros”.

“O Exército que chegou ao governo Bolsonaro era um, outro é o que a opinião pública vê. Bolsonaro, até na volta ao “capitão”, e Exército se entrelaçam. A noção, entre militares, desse dano institucional ficou perceptível em referências à desvinculação entre Exército e governo. Embora sem efeito, que palavras não desfazem esse nó muito cego” diz o articulista.

E o impacto desse cenário na sociedade começa a ser desenhado, como ficou comprovado nas últimas eleições municipais, onde foi possível ver o crescimento do centrão e da direita em alguns segmentos e a retomada promissora da esquerda. “Bolsonaro é o derrotado. O importante, no entanto, é não se tratar só dele, em pessoa (…) Dos candidatos que apresentaram o sobrenome Bolsonaro, só o filho Carlos se elegeu, em devastadora perda de energia do símbolo no eleitorado. Perdas e inseguranças assim são numerosas. E outras serão decorrentes”.

 

Leia Também
Silvio Almeida, o intelectual da era pós-Bolsonaro
G-20: Bolsonaro, mais uma vez, nega racismo e diz que todos os brasileiros são “verde e amarelo”
20 de novembro e governo Bolsonaro – quando vidas negras não importam, por Tania Maria de Oliveira
Mirtes e Miguel em “Falas Negras”, por Urariano Mota
A refundação do Brasil no corredor do Carrefour, por Fábio de Oliveira Ribeiro
Segundo turno das eleições e os riscos de retrocesso

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora