Governo Bolsonaro estrutura ação contra antifascistas

Atividade de “inteligência” é atribuída a uma das secretarias subordinadas ao Ministério da Justiça; 579 servidores federais e estaduais estão na mira

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça e o presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Jornal GGN – Uma ação sigilosa estrutura pelo Ministério da Justiça tem como alvo um grupo de 579 servidores federais e estaduais de segurança identificados como integrantes do “movimento antifascismo”, além de três professores universitários, todos críticos ao governo de Jair Bolsonaro.

Documentos obtidos pelo portal UOL revelam que a pasta comandada por André Mendonça possui um dossiê com nomes, fotografias e endereços das redes sociais das pessoas monitoradas.  O trabalho contra os antifascistas é de responsabilidade de uma das secretarias subordinadas ao Ministro da Justiça, a Seopi (Secretaria de Operações Integradas).

A Seopi é dirigida por um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal e tem uma Diretoria de Inteligência chefiada por um servidor com formação militar – ambos nomeados por Mendonça em maio.

Além de ter atribuições de serviço de “inteligência”, um decreto do presidente Jair Bolsonaro (nº 9.662 de 1º de janeiro de 2019) permite à Seopi não submeter todos os seus relatórios a um acompanhamento judicial – atuação semelhante a outros órgãos, como o CIE (Centro de Inteligência do Exército) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

A Seopi produziu um relatório na primeira quinzena sobre as ações de grupos antifa e de policiais antifascismo, usado inclusive para estruturar a apuração sobre os servidores por parte do Ministério da Justiça. O texto em questão foi elaborado pouco tempo após a divulgação do manifesto “Policiais antifascismo em defesa da democracia popular”, subscrito por 503 servidores da área de segurança, aposentados e na ativa, incluindo policiais civis e militares, penais, rodoviários, peritos criminais, papiloscopistas, escrivães, bombeiros e guardas municipais.

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Outro documento usado para obter os dados dos antifascistas é o manifesto intitulado “Manifesto de policiais pela legalidade democrática”, onde de segurança pública se posicionam com as mesmas diretrizes difundidas entre os antifascistas.

Com esses dois documentos, a Seopi montou um anexo com uma listagem de “servidores da área de segurança pública identificados como mais atuantes”, com 579 nomes. Para contornar a LAI (Lei de Acesso à Informação), a Seopi carimbou os documentos sobre os antifascistas como “de acesso restrito” – o que, segundo o artigo 55 do decreto 7724/012, os dados só poderiam ser conhecidos daqui um século.

 

 

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5 comentários

  1. O renascer do monstro da vigilância política da época da ditadura…
    daí deve partir para todos os setores da vida nacional, privando todos dos mais elementares direitos de protestar e de liberdades, estejam dentro ou estejam fora do Brasil

    se já não partiu, entranhando-se na polícia militar, civil e federal

    Adeus liberdade de pensamento! Bem-vindos à ditadura fascista! pior delas

  2. Que merda de país é um país que tem suas FFAA e suas agências de “inteligência” voltadas eminentemente contra a maior parte do seu povo e obedece fielmente aos interesses de outros países.
    De FFAA que não dão conta nem de fazendeiros e garimpeiros bandidos, posto que ilegais, destruindo e se apossando de patrimônio público nosso, de interesse da humanidade? Quanto mais de defender-nos de FFAA estrangeiras…
    Que se pensando um “poder moderador” (nem “poder” são), se intrometem na democracia que prima pela diversidade, pluralidade e debate de idéias e interesses (a politica, boa ou ruim), atropelando tudo com exatamente o contrário, a hierarquia, obediência e disciplina da fidelidade que inibe e reprime?
    E que ao invés de proteger o país, seu povo, suas riquezas e sua soberania, assegura exatamente a entrega de tudo a outros países e interesses?
    Onde pessoas ineptas e ignorantes até de nossa geografia e estações do ano são galgadas inercialmente a postos de alto comando e acumulam cargos da ativa com cargos para o qual sequer estão preparados?
    E que se baseando na força de armas, obsoletas, mas suficientes para reprimir o povo de seu país, tomam o poder político autoritariamente e sem dar satisfações à sua sociedade?
    Quando o país acordar desse pesadelo, já será tarde, por mais algumas gerações.

    PS: Embora não haja uma semelhança física entre este sinistro e Himmler ou mesmo Goebbels, a expressão bocó deles não transparece a periculosidade que se esconde atrás dela.

    • e ainda nem começou o apoio externo ao que está se formando no Brasil…
      quando acontecer, aí sim a próxima geração vai descobrir, ao sentir no bolso, o que é centralização e concentração de capitais em grupos de apoio…………………………..
      (milicianos, mercenários de bases estrangeiras em território nacional, garimpeiros ilegais, caçadores, armeiros e latifundiários)

      No que está se formando no Brasil não haverá espaço nem oportunidades para o trabalho honesto
      ( os que estão votando neles vão empobrecer cada vez mais )

  3. As instituições militares nunca tiveram o que fazer no Brasil, não tem inimigos externos para combater desde de as sua criação, são instituições que só combate o povo do próprio país e a história mostra que só serve para defender governos coRRuptos, fa$cista, autoritário e ditadores.

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