Medo de cassação faz Mourão radicalizar no discurso contra manifestantes

A estratégia de Mourão é por sobrevivência. Se o governo fosse encurtado por um processo de impeachment, o vice assumiria; mas com hipótese de cassação, Mourão não pode vacilar

Jornal GGN – O vice-presidente Hamilton Mourão decidiu subir o tom contra as manifestações democráticas e contrárias ao governo Bolsonaro que marcaram o final de maio. E o motivo seria o medo de que o clamor popular, a crise sanitária e econômica e as provas colhidas no inquérito da fake news encorajem o Tribunal Superior Eleitoral a acolher uma das ações que pedem a cassação da chapa eleita em 2018.

Desde o início do governo, Mourão vem se esforçando para ser fiel ao presidente Jair Bolsonaro, mas com um verniz mais moderado. Em artigo no Estadão de quarta (3/6), sobre as manifestações antifascistas, o vice abandonou essa moderação e chamou os participantes de “baderneiros” que “devem ser conduzidos debaixo de vara às barras da lei.”

A estratégia de Mourão é por sobrevivência. Se o governo de Bolsonaro fosse encurtado por um processo de impeachment, o vice assumiria a Presidência e, por isso, precisa mostrar às instituições que é uma alternativa segura e moderada. Mas diante de um processo de cassação no TSE, a cabeça de Mourão também estaria em risco pois a chapa é una, indivisível. É nesse contexto que o general condena qualquer ato nas ruas que possa abalar todo o governo.

“Não é admissível que, a título de se contrapor a exageros retóricos impensadamente lançados contra as instituições do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, assistamos a ações criminosas serem apoiadas por lideranças políticas e incensadas pela imprensa. A prosseguir a insensatez, poderá haver quem pense estar ocorrendo uma extrapolação das declarações do presidente da República ou de seus apoiadores para justificar ataques à institucionalidade do País”, escreveu no artigo.

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Na quarta, Bolsonaro também disparou contra os manifestantes antifascistas, chamando-os de “marginais”. Nesta quinta (5), o Estadão publicou que “Palácio do Planalto teme que manifestações de rua em defesa da democracia e contra o governo federal cresçam e se tornem atos pró-impeachment”.

A preocupação de Bolsonaro com convulsão social foi expressa em reunião ministerial cujo vídeo foi divulgado pelo ministro Celso de Mello, em maio. Em entrevistas e discursos públicos, o presidente também deixou transparecer que a pandemia de coronavírus associada à recessão econômica são elementos que podem levar o Brasil a vivenciar a conflagração nas ruas, como ocorre nos vizinhos latino-americanos.

No Facebook, o antropólogo Luiz Eduardo Soares afirmou que novas manifestações antifascistas podem ser um prato cheio para Bolsonaro reagir. Ele alegaria que os atos são violentos, um atentado, para justificar sua escalada autoritária e decretar estado de sítio.

“(…) Bolsonaro dirá que, em defesa da lei e da ordem, e ‘da democracia’, enviará na manhã seguinte solicitação ao congresso para a decretação do estado de sítio. Se não houver apoio, o “poder moderador” das Forças Armadas se imporá, porque, afinal de contas, “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”. Interventores, com apoio das polícias estaduais, tomarão o poder nos estados. Em lugar do Supremo, uma corte de exceção será nomeada.”

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8 comentários

  1. Economize suas ameaças senhor Mourão. O TSE não vai cassar chapa presidencial em plena pandemia.
    Em minha opinião, eles marcaram o julgamento para não ter que compartilharem provas que venham do processo de fake news que está com o Morais e para não serem pressionados por manifestações pró-democracia a cassarem a chapa.
    O senhor não corre riscos.

    Bolsonaro esse sim corre risco de impeachment porque coleciona crimes de responsabilidade
    O senhor não.

    O que o senhor tem que fazer é salvar a imagem das Forças Armadas quando assumir o lugar dele provando que elas não são antidemocráticas.
    O senhor terá a responsabilidade moral de pacificar o país e, para tanto, terá que se mostrar superior a Bolsonaro em caráter, inteligência e sanidade mental.

    É cristalino que se Bolsonaro cair por causa dos arroubos autoritários e fascistas o senhor também poderá cair depois se vier a trilhar o mesmo caminho dele.

    Portanto, calma aí Mourão!

    Ameaças não condizem com o estado de direito democrático.

    Vocês custaram a reabilitar a imagem das Forças Armadas. Bolsonaro está usando vocês como escudo para proteger a si e aos seus filhos. Ele está manchando a honra da Forças Armadas como fez no passado. Pau que nasce torto morre torto.

    No futuro, talvez bem próximo, comportamento autoritários não fará bem à sua governança e muito menos para as Forças Armadas.

    Se vocês não percebem que Bolsonaro é louco então estão precisando mais de um psiquiatra do que ele.

    • os julgamentos marcados são ações menos graves da Rede e do PSOL por ofensas na internet. As ações que juntarão provas do inquérito do STF e da CPI ainda não foram pautadas.

  2. O general Mourão é um Bolsonaro dissimulado. Um xucro metido a ilustrado.
    Lembrar que o general Mourão e o capitão Bolsonaro têm o mesmo herói: o torturador coronel Brilhante Ulstra.

  3. Eu fico impressionado como vocês parecem considerar como normal o fato do TSE só respeitar a lei se for forçado a isso pelo “clamor popular”.

    Que a função do TSE não é FAZER CUMPRIR AS LEIS na eleição? Ou no Brasil só se cumpre as leis do próprio país apenas quando é conveniente? Que DIABOS de entendimento jurídico vocês têm na cabeça?

  4. nossa, como é cansativo essa teimosia de”cassação de chapa”. gostaria de saber a quem interessa essa história de cassação de chapa? olha, entregaram o brasil a uma turma de irresponsáveis(muitos na imprensa),que amam os Estados Unidos. quem governa o brasil atualmente são OS ESTADOS UNIDOS!

  5. Que me perdoem os crédulos e os inocentes utópicos! Eles acreditam inocentemente que o TSE possa cassar chapa presidencial eleita. Não conhecem o TSE. Esse tribunal não tem força própria, nem apoio e fé pública para isso. É um mero organizador de eleições à custa de muito dinheiro público e corrupção.A dupla ex-militar “ Boçalnaro e Pau de cerca “ vai deitar e rolar até 2022 e se o povo não agir pode ir até 2026 elegendo depois alguém de pijama verde oliva.

  6. Na minha humilde opinião, o momento atual exige máxima prudência. Manifestações de rua na conjuntura presente implicam em grande risco de provocações e factóides serem usados para alavancar iniciativas golpistas. Nesta medida, para preservar meios adequados para o afastamento de Bolsonaro e para realização de novas eleições, todas as lideranças responsáveis têm o dever de evitar esta tragédia iminente, e de promover o prosseguimento da mobilização política por meios virtuais e institucionais.

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