O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, elevou o tom e declarou que não aceitará interferências nem a diminuição da capacidade investigativa da corporação. A fala é uma reação direta às mudanças propostas pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) no relatório do Projeto de Lei Antifacção, que o Planalto e a PF veem como uma tentativa de restringir a autonomia do órgão.
“Enquanto dirigente máximo do órgão, não vou aceitar nenhuma diminuição de competência ou restrição de atuação da PF,” afirmou Rodrigues à colunista Daniela Lima, do UOL, sublinhando a posição firme da PF.
Em outra entrevista, concedida à CNN nesta terça-feira (11), o diretor-geral foi ainda mais incisivo ao classificar as alterações de Derrite como “inaceitável” e “inconcebível“. “No momento em que o enfrentamento ao crime organizado é a preocupação número um da sociedade brasileira, é inconcebível que se cogite restringir o papel da Polícia Federal,” declarou Rodrigues, reforçando a obrigação de defender a atuação da corporação federal.
As alterações de Derrite, que reassumiu temporariamente o mandato para relatar o PL, condicionavam a ação da PF em casos de crime organizado à solicitação de apoio dos governadores estaduais, o que, segundo a avaliação da cúpula da PF e do Ministério da Justiça, comprometeria o andamento de investigações sensíveis sobre narcotráfico, milícias e corrupção.
PF vê “retrocesso” e Planalto se mobiliza
A reação da PF e do governo federal se concentra na forma como Derrite condicionou a ação da Polícia Federal em investigações de narcotráfico, milícias ou crime organizado.
A redação original de Derrite exigia que a PF só poderia atuar mediante solicitação de apoio por parte dos governadores estaduais, o que, na visão da PF, inviabilizaria a abertura de novas operações e embaraçaria apurações em curso. Em nota pública, a Polícia Federal manifestou “preocupação” com as alterações.
A corporação afirmou que as mudanças “representam um verdadeiro retrocesso no enfrentamento aos crimes praticados por organizações criminosas, como corrupção, tráfico de drogas, desvios de recursos públicos, tráfico de pessoas, entre outros”. A PF frisou que a proposta teria como objetivo “endurecer o combate ao crime“, mas o texto em discussão “ameaça esse propósito”.
O governo Lula (PT) também reagiu duramente. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o projeto “é a maior operação já tentada para afastar a PF das investigações sobre o crime organizado“. O PT decidiu entrar no debate e prepara uma peça publicitária para atacar a iniciativa, tratando-a como “blindagem para os criminosos“.
Novo texto e risco de sigilo
Após a forte reação, Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, buscou um diálogo com o Ministério da Justiça e a PF, prometendo uma nova versão do projeto. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou ter intermediado o diálogo para “garantir que a PF manterá suas atribuições“.
No entanto, um novo esboço do PL, que alterou a exigência de aval dos governadores, foi avaliado como insuficiente. A nova minuta prevê que a PF atue “em caráter cooperativo” com as polícias estaduais, mesmo em temas de competência constitucional federal.
Além disso, a versão sugere que “a atuação da Polícia Federal (…) não desloca automaticamente a competência [de análise dos fatos apurados] para a Justiça Federal“, defendendo o processamento e julgamento pela Justiça que detiver a competência material.
Para técnicos do Ministério da Justiça, essa redação é uma tentativa de restringir o foro das investigações aos tribunais de justiça estaduais, dificultando apurações sobre desvios de emendas parlamentares e a infiltração de organizações criminosas na política.
Delegados da PF também alertam para o risco de comprometimento do sigilo das ações, já que o texto prevê comunicação a autoridades estaduais sobre eventuais aberturas de inquéritos pela Polícia Federal.
CATO DA SILVA VIEIRA
11 de novembro de 2025 11:37 amEssa extrema direta . Faz questão de não ser direta e nem direita no sentido de correta. Ao evocar a palavra terrorismo , simplesmente nos colocam no colo dos EUA como fizeram o Moro e seus mikinhos amestrados, Suplicando intervenção estrangeira. Os milicos donos do Estado de São Paulo, tem muito a aprender com a nossa civilização indígena. Pensar bem antes de fazer. Assim não criam monstros para matá-los depois de grandes.
Fábio de Oliveira Ribeiro
11 de novembro de 2025 11:42 amDerrite está pensando que estamos em 1930 e que ele pode desafiar a autoridade da União para garantir o lucro e a impunidade do braço financeiro do PCC. Esse secretário de segurança de SP não tem apenas que cair em desgraça, ele tem mais é que ganhar um longo período de estadia num presídio federal.