21 de maio de 2026

Planner, falta alguém no caso Master, por Luís Nassif

Corretora não é um ator periférico: está no centro da relação entre mercado financeiro e dinheiro previdenciário público.
Reprodução

1. Planner se destaca em aplicações de RPPS: atua como administradora de fundos, corretora e alvo de investigações por fraudes.

2. Linha do tempo revela alertas e investigações: Planner citada em operações suspeitas, fundos vedados e recomendações de cautela.

3. Mapa da presença da Planner em RPPS: parcerias ativas em diversas cidades, mesmo após alertas e investigações.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Editado às 12h para inclusão de comunicado da Planner

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Por trás das aplicações milionárias dos regimes próprios de previdência (RPPS), uma corretora aparece de forma recorrente: a Planner. Documentos oficiais, alertas de órgãos de controle e investigações policiais revelam como a empresa se tornou peça-chave na engrenagem que movimenta recursos da aposentadoria de servidores públicos.

Do protagonismo à lista de risco

A Planner atua no mercado com duas frentes principais: Planner Corretora de Valores S.A., responsável por intermediação e distribuição de produtos, e Planner Trustee DTVM Ltda., voltada para administração de fundos. Essa estrutura permitiu à empresa ocupar espaço estratégico junto a institutos de previdência municipais e estaduais.

Nos últimos anos, a Planner aparece:

  • Como administradora de fundos que receberam recursos de RPPS.
  • Como corretora credenciada para compra de títulos públicos e privados.
  • Em relatórios de órgãos de controle e operações policiais ligadas a fraudes em fundos de pensão.

Não é um ator periférico: está no centro da relação entre mercado financeiro e dinheiro previdenciário público.

Linha do tempo: da Encilhamento à Lava Jato

2017 – Operação Encilhamento
A Polícia Federal cita a Planner DTVM entre as instituições suspeitas em esquema de fraudes envolvendo fundos e RPPS municipais. O caso colocou a empresa no radar regulatório.

2018 em diante – Fundos vedados
O Ministério da Previdência passou a listar fundos administrados pela Planner como “vedados” para RPPS, incluindo o Planner Fundo de Investimento Multimercado e o Planner Ações Institucional RPPS.

2021 – Alerta do MP de Contas
Parecer do Ministério Público de Contas de São Paulo recomenda cautela na aplicação em fundos administrados pela Planner, citando histórico de acusações em fraudes.

2023 – RioPrevidência e Lava Jato
Relatório da CPI do RioPrevidência menciona a Planner Trustee como instituição ligada a operações investigadas na Lava Jato, envolvendo securitizações e fundos que impactaram a previdência do Estado do Rio.

Mapa da presença nos RPPS

Documentos de institutos municipais mostram a Planner como parceira ativa em diversas cidades:

Itapevi (SP) – Autorização de aplicação e resgate com Planner Trustee como administradora.

Itu (SP) – Carteira de investimentos com posição superior a R$ 2,9 milhões via Planner Corretora.

Suzano (SP) – Demonstrativos listam a Planner entre instituições que operam recursos do RPPS.

Londrina (PR) – Relatório de governança cita ofício à Planner Trustee em reorganização de ativos.

Juazeiro do Norte (CE) – Apresentação institucional explica papel da Planner na distribuição de cotas.

Ipojuca (PE) – Termo de credenciamento inclui a Planner como consultora para investimentos.

Mesmo após alertas, a empresa segue sendo credenciada por institutos como Itapecerica da Serra (SP) e Guanhães (MG), além de receber visitas técnicas para apresentar ferramentas de operação com títulos públicos.

Por que isso importa?

A atuação da Planner não é isolada. Ela se conecta a um padrão: intermediários especializados em RPPS oferecendo produtos de risco elevado. No caso do RioPrevidência, por exemplo, a Planner aparece como intermediária na compra de Letras Financeiras do Banco Master — outro nome controverso no mercado.

Esse ecossistema repete a lógica: regimes próprios buscando taxas altas, intermediários agressivos e ativos que depois entram em listas de vedados ou em investigações.

As ligações da Planner com o Master

  1. Núcleo Planner clássico (corretora, SCD, etc.)
    • Organizado em torno de Planner Holding Financeira S.A.,
    • Controlada por B100 (grupo Carlos Arnaldo) + Jaguar FIP (Quadrado).
  2. Núcleo Quadrado / Master
    • Quadrado entra primeiro como acionista direto da Planner Holding (2017),
    • Reorganiza via Jaguar FIP (2020 em diante),
    • Consolida controle da Trustee Holding / Planner II,
    • Usa os mesmos fundos (Jaguar, outros FIPs) para operações com Banco Master, MAM Asset, Trustee, Planner.
  3. Interconexão Master–Planner–Trustee–MAM
    • Documentos da Esh mostram que Planner, Trustee, MAM Asset e Banco Master têm controlador indireto comum (Quadrado), endereço comum e administradores comuns, configurando um conglomerado de fato.

COMUNICADO DA PLANNER

Em respeito aos leitores do GGN, a Planner Investimentos esclarece que, na qualidade de administradora fiduciária, nunca foi responsável por qualquer decisão de compra dos referidos títulos de renda fixa do banco Master, cabendo essa decisão aos gestores das próprias instituições. A Planner informa também que não tem relação societária com a Trustee.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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6 Comentários
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  1. João Ferreira Bastos

    20 de novembro de 2025 2:28 pm

    A KPMG era auditora do banco Master
    Americanas tambem

  2. +almeida

    20 de novembro de 2025 5:16 pm

    Eu imagino que o governo federal, seja quem for o presidente e seja qual for o seu partido, cada vez mais torna-se mais incompetente na fiscalização do mercado econômico/financeiro. Parece que gosta muito de assistir aos imensos escândalos e golpes fraudulentos promovidos por instituições privadas. Será que não se importa em levar a pecha de ser constantemente passado para trás, como mostra o retrospecto dos grandes golpes e escândalos de bancos, corretoras e todo tipo de instituições financeiras ao longo da história? Chego até imaginar o seguinte: ” ao mesmo tempo que hoje faz vista grossa para o golpe do confisco e da apropriação indébita de todas as contribuições previdenciárias, descontadas na folha de pagamento de trabalhadores que tiveram seus maiores salários anteriores ao ano de 1994, também faz vista grossa para todos os deveres de contribuição mensalmente cumpridos, comprovados e conquistados com muito suor, esforço, dedicação e até sacrifício. Toda espécie de contrato, acordo e cumprimento de leis, regras e normas que são alterados após a vigência das mesmas, sempre passam a vigorar daquela data da promulgação oficial em diante. Porém, contra os trabalhadores de verdade indefesos; contra os trabalhadores de verdade mais humildes; contra os trabalhadores de verdade que conquistaram seus maiores salários anterior a 1994 e contra os trabalhadores de verdade, que diferente do governo federal, do INSS/Previdência Social, do STF, do Congresso Nacional e da Grande Imprensa brasileira, Eles e Elas (As Vítimas) cumpriram até o fim, de forma legal, adimplente e rigorosa, todos os seus deveres firmados na data da sua primeira contribuição descontada em folha de pagamento. Mas, parece e parece muito, que o governo federal representado por INSS/Previdência Social, STF e Congresso Nacional também gosta de aplicar golpes contra trabalhadores e trabalhadoras. Seja por impostos, juros altos e abusivos e principalmente via as instituições da Previdência Social e INSS. Que impressão desumana de covardia, de traição abusiva e de ilegalidade marca a alma daqueles e daquelas que TRABALHARAM DE VERDADE, sem mordomias, sem penduricalhos, sem gratificações e nenhum corporativismo e toma lá e dá cá, que fecha olhos, cala bocas e tapa ouvidos. Governantes e autoridades se descuidam constantemente nas incompetências das fiscalizações, guarda e acompanhamento do dinheiro e do patrimônio público e não perdem nada. Assistem as fraudes e golpes financeiros por séculos, mas não encontram defesas para eliminar os debochados abusos do poder financeiro. Cifras monumentais são divulgadas nas explosões dos escândalos e quase nada acontece com o patrimônio conquistado nas fraudes, desvios e o escambau. Enquanto se apropria ilegalmente da merreca e dos direitos de aposentados e aposentadas, enterrando-os vivos com o golpe que derrota a reivindicação da melhor opção de reajuste , chamada de Revisão da Vida Toda,
    fazem um grande estardalhaço com a recuperação de apenas 1/52 parte do rombo de 12 BILHÕES DE REAIS. Recuperam 230 MILHÕES entre bens, dinheiro e objetos valiosos, contra o saldo não recuperado de uma fraude merreca de apenas 11.770 BILHÕES.
    Nas próximas eleições seremos considerados “Amigos e Amigas”, “Companheiros e Companheiras”, “Brasileiros e Brasileiras”, “Trabalhadores e Trabalhadoras” e “Queridos Aposentados e Aposentadas”. São nas eleições que enterrados(as) vivos(as) bajulados e traídos elegantemente.

    1. Laura Silva

      21 de novembro de 2025 3:16 pm

      Muito pertinente seu comentário.
      Os aposentados e pensionistas são extremamente desrespeitados no Brasil.
      Parece que há união de empresas privadas e órgãos públicos para surrupiar seus parcos benefícios.
      Vergonha!

  3. JEFFERSON PEREIRA DA SILVA CASTRO

    21 de novembro de 2025 10:53 am

    Nassif,
    Sabe qual é o envolvimento/ responsabilidade de Paulo Gala nisso tudo?

  4. JEFFERSON PEREIRA DA SILVA CASTRO

    21 de novembro de 2025 11:02 am

    Nassif,
    Sabe qual é o envolvimento/responsabilidade de Paulo Gala nisso tudo?

  5. Cleiton

    24 de novembro de 2025 12:12 pm

    Ta viajando, falta a xp que distribuiu 30 bilhoes… essa corretora, intermediou um rpps que é gestor profissional

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