Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, o partido de Jair Bolsonaro, afirmou que terá nesta segunda (28) um encontro com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e que fará um pedido ao congressista. Valdemar quer que Lira negocie com o ministro Alexandre de Moraes a redução das penas dos golpistas condenados a até 17 anos de prisão pelo atentado à democracia em 8 de janeiro de 2023.
“Nós vamos trabalhar para aprovar a anistia, mas pode ser que o Lira faça um acordo com o STF para diminuir essas penas”, disparou.
O dirigente tratou o assunto como uma das prioridades do PL, passadas as eleições municipais de 2024, onde o centrão saiu o principal vencedor com mais prefeitos eleitos. Dos 25 prefeitos apoiados por Bolsonaro, apenas 7 foram eleitos. Analistas acreditam que a extrema-direita recebeu um recado das urnas, e Bolsonaro deveria se preocupar com 2026.
Valdemar não escondeu quais as pretensões do PL para 2026: ampliar suas alianças à direita para emplacar mais aliados no Congresso, sobretudo no Senado, onde a ultradireita sonha em passar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Penas mais brandas ou anistia
O encontro hoje com Lira e o pedido para intervir junto ao STF em prol dos golpistas é apenas um plano B do PL de Valdemar. O plano é a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, para anistiar os golpistas de 8 de Janeiro.
“Nós queremos anistia para o 8 de janeiro. É o que está na CCJ da Câmara. Mas quem sabe o Lira pode fazer o entendimento com o Supremo para baixar as penas para 4 anos”, disse Valdemar.
“Nesse processo eu entendo que não dá para incluir Bolsonaro, é só para golpistas. Mas vou sugerir que eles toquem a anistia para valer, ou então que eles conversem com o ministro Alexandre”, ponderou o presidente do PL.
Reabilitar Bolsonaro
Outra prioridade do PL nos próximos meses, segundo Valdemar, é reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral. O dirigente sugeriu que o caminho pode ser uma nova PEC, separada da PEC da anistia que já tramita no Congresso.
“Temos que ter Bolsonaro em 2026. Isso podemos fazer através de uma PEC, mas precisamos de uma nova. Já tive a informação de que não dá para incluir no projeto que está no CCJ para ser votado”, admitiu Valdemar em entrevista à Globonews, na tarde desta segunda.
Eduardo e Marçal no Senado
Valdemar ainda contou um bastidor no programa Estúdio I, envolvendo a disputa municipal de 2024. Ele disse que convidou o coach Pablo Marçal (PRTB) para disputar o Senado em 2026 por São Paulo, junto com Eduardo Bolsonaro. Mas a proposta condicionava Marçal a abrir mão da disputa pelo Paço paulistano.
Segundo Valdemar, o PL quer emplacar mais aliados no Senado para ampliar o poder de influência em matérias que interessam ao governo e ao Poder Judiciário.
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