Resposta ao artigo “Em defesa de um Ministério Público legítimo”

Não há saída neste campo que não seja uma dolorosa mudança que traga um órgão sob controle . Do Executivo, do eleitor ou do Judiciário 

De um observador atento da área jurídica, constituinte de 1985, que me envia o seguinte comentário a respeito do meu artigo “Em defesa de um Ministério Público legítimo”.

Caro Nassif

Lamento discordar de seu artigo

Este modelo de MP não tem salvação.

O vírus do lavajatismo vem de alto a baixo. E ele pegou fundo porque é o eixo da instituição 

Não há autorregulação que salve .

Os poucos ( muito poucos) quadros que defendem pequenas mudanças ainda mantém uma ilusão sem pé na realidade

O modelo construído pelo Nelson Jobim é incompatível com um sistema minimamente democrático

O MP só tem saída se escolher um novo modelo.

Como os USA, onde é órgão do Executivo ou controlado por eleição e o modelo europeu onde é órgão do Judiciário.

Ficar como um órgão solto, com vagas ideias autorregulatórias é manter tudo no lugar

Nassif

Sou de uma geração que teve a ilusão de um MP democrática, defensor dos valores e direito.

Inventamos a história de que a Democracia precisava desse modelo

Sempre tive uma ponta de desconfiança deste “sonho do MP” sustentador do regime democrático

O MP na ditadura foi o mais perverso órgão da repressão política . Não há uma página de horror do Doi-Codi que não tivesse a mão do MP construindo versões as piores versões 

Falavam que aquele era outro MP. Sem garantias, não poderiam funcionar bem

Mentira. Eram o que eram porque são o que são hoje

Ninguém tinha garantia . Nem o Judiciário tinha.

E tivemos ações dignas por todo lado

O MP tudo o que tem no regime militar é vergonha

Existem dois ou três promotores que – em 20 anos de regime – tiveram algum gesto digno

O DNA não permite. Sempre que vejo um processo atual contra torturadores pergunto onde estava o promotor no caso . Estava na linha de frente da construção de versões e processos falsos

Não, Nassif

Não há saída neste campo que não seja uma dolorosa mudança que traga um órgão sob controle . Do Executivo, do eleitor ou do Judiciário 

Abs

 

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