5 de junho de 2026

Sem amparo do governo, indígenas fazem operação contra invasão de madeireiros

Os "Guardiões da Floresta" realizaram ação no último dia 9 para acabar com acampamento ilegal de madeireiros em terra indígena no Pará
Foto: Raimundo Paccó

Jornal GGN – Diante da inércia do governo Bolsonaro sobre a invasão de suas terras, o povo tembé da Terra Indígena Alto Rio Guamá, no Pará, decidiu cercar madeireiros invasores. As informações são de Rubens Valente, do Uol. 

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O grupo de cerca de 40 pessoas, nomeado de “Guardiões da Floresta”, realizaram ação no último dia 9. Com os rostos pintados, pilotando motos e uniformizados, por meio de recursos da organização não governamental WWF,  eles conseguiram pressionar madeireiros a deixar um acampamento em garapé Ubin, a cerca de 30 km da aldeia Tenetehara. 

O cacique Sérgio Mutí Tembé afirmou ao repórter-fotográfico de Belém (PA) Raimundo Paccó, que acompanhou a fiscalização e a ação foi um ultimato. 

Sem opções, os índios prometem que, a partir de agora, vão queimar equipamentos e destruir os acampamentos dos invasores. “Nós vamos avisar que é pra sair da terra indígena, para ir embora. Não derrubar a madeira, não explorar nossas riquezas, nossas florestas”, disse o cacique Tembé.

“A luta não é de hoje [contra] a invasão da terra pelos madeireiros, garimpeiros, invasores, várias situações que estamos sofrendo. A gente criou o ‘Guardião’ para esses rapazes fazerem uma vistoria, onde tem invasão, madeireira, exploração ilegal de madeira”, disse o cacique.

Antes de chegarem ao acampamento no dia 9, os índios primeiro encontraram o não indígena Altemir Freitas Mota, de 52 anos. Segundo a coluna, o homem estava perto de uma árvore piquiarana, considerada valiosa na região, já derrubada por motosserra. 

Mota foi abordado pelos indígenas e negou que estivesse trabalhando com madeireiros. No entanto, após negar conhecer o acampamento e indicar o caminho errado, levou os guardiões até o local dos invasores.

No acampamento estavam seis homens adultos, uma mulher, que trabalhava como cozinheira do grupo, e uma criança. O cacique Sérgio disse ao grupo que invasão da terra indígena será denunciada ao Ministério Público, ao Ibama e à Funai e pediu que eles saíssem imediatamente. 

Em um vídeo, o cacique ainda apelou desesperado por alguma ação do governo Bolsonaro. 

“Bolsonaro, presidente, você tem que ter o respeito com a nossa população indígena. Foi eleito, alguns indígenas, nós votamos em você. Você tem que ter um respeito pela nossa cultura, nossa tradição. Quando vocês chegaram aqui no Brasil, nós já estávamos aqui, você vieram invadir. Então, presidente, tem que ter respeito, junto com seus deputados, senadores, parlamentares. Porque nós somos seres humanos, somos gente e somos brasileiros. Peço para você ter um respeito por nós. Não venha nos massacrar, não venha falar coisa de nós”, disse. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. IA2

    12 de setembro de 2020 6:20 pm

    A EX-QUERDA desarmamentista deve tá horrorizada com esses índios armados com espingardas de caça e de alma lisa de um só tiro. Lembrando a esquerda domesticada que esse corações valentes estão enfrentando com essas porcarias de armas que tem pistoleiros usando FUZIS. FALEM MANÉS DESARMAMENTISTA.

  2. Sergio Marques Carvalho

    12 de setembro de 2020 8:05 pm

    Correto a atitude deste cacique criticando a ação do governo.O desmatamento feito por madeiro, acaba com a sobrevivência dos povos indígenas.

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