21 de maio de 2026

Sindicatos argentinos reagem ao ‘Plano Motosserra’ de Milei

CGT e associações de trabalhadores falam em "tsunami" de Milei na vida do povo argentino. Promessa é de mobilização contra o plano
A CGT prometeu em nota que não ficará de braços cruzados diante do plano de Milei. Ano que vem promete uma longa jornada de lutas na Argentina. Foto: CGT

Mesmo que não tenha sido por falta de avisos, afinal, desde a campanha eleitoral, o recém empossado presidente Javier Milei desfilava com uma motosserra como símbolo de seus planos para a Argentina, as dez medidas anunciadas pelo ministro da Economia, Luis Caputo, na última terça-feira (12), seguem mobilizando a sociedade argentina. 

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O chamado Plano Motosserra afeta praticamente o setor público, o que faz com que analistas façam o prognóstico de que a gestão Milei deverá ser de grande transferência de renda dos trabalhadores e aposentados para os mais ricos.  

Um dia depois do anúncio do severo ajuste com o qual o governo de extrema-direita pretende evitar a hiperinflação, que inclui, entre outras providências, uma desvalorização de mais de 50% do peso e a eliminação dos subsídios aos transportes e à energia, proliferam as críticas entre a oposição, o setores mais progressistas e até mesmo dos setores mais conservadores.

Conforme o Pagina 12, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), que reúne os sindicatos peronistas e apoiou a candidatura de Sergio Massa nas eleições, reuniu-se de urgência nesta quarta-feira (13) para analisar as medidas.

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Em dura declaração divulgada pela mídia argentina, a CGT afirma que “o ajuste fiscal e cambial de Milei pune o povo e não a casta política”, que o presidente acusa de ser a causa de todos os males econômicos da Argentina, e alertou que não permanecerá “à toa”.

Para o ano que vem, sindicatos e demais movimentos sociais deverão iniciar uma jornada de protestos e greves. Logo após a vitória de Milei, os primeiros atos públicos contra o líder do A Liberdade Avança foram registrados, sobretudo relacionados ao negacionismo de integrantes do atual governo com relação aos crimes da Ditadura Militar (1976-1983). 

Processo inflacionário  

Conforme a CGT, o plano “vai gerar uma forte aceleração do processo inflacionário, que vai dinamizar o poder de compra dos salários dos trabalhadores”.

Um dos dirigentes da CGT, Gerardo Martínez, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção (Uocra), alertou ao Pagina 12 que o pacote de emergência econômica “é um tsunami total socialmente e algo semelhante nos aspectos financeiros e econômicos para o país”.

Outra que reagiu mais duramente foi a Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), de acordo com texto da Agência RT. “Com estas medidas, o Governo está a levar-nos ao pior inferno em poucas semanas”, avaliou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE.

Não ao “congelamento salarial”

O sindicato se reunirá nesta quinta-feira (14) para analisar uma possível resposta à previsão de demissões massivas na administração pública.

A forte desvalorização “baseada numa observação indiscriminada e generalizada de preços nas últimas semanas é uma verdadeira agressão aos trabalhadores e reformados”, afirmou Aguiar no texto da RT.

E alertou que “um país nestes trilhos é insustentável sem subsídios para transportes, tarifas e energia” e que o seu sindicato não aceitará “um congelamento salarial”.

Setores liberais criticam governo 

O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, ex-ministro da Economia kirchnerista, alertou que as medidas afetam especialmente os argentinos comuns e rejeitou a “retirada de recursos” destinados às províncias.

“O presidente Javier Milei havia dito que o ajuste não iria recair sobre o povo, mas as medidas anunciadas afetam os trabalhadores, aposentados, crianças, empresas e pequenos produtores”, afirmou.

O economista e ex-presidente do Banco Central, Carlos Melconian, que ocupou o cargo durante o mandato do direitista Mauricio Macri, criticou o plano montado “na hora” para veículos de imprensa na Argentina, com repercussão pela Agência RT.

“Além de buscar o equilíbrio fiscal, primeiro primário e depois financeiro, a motosserra foi trocada pelo liquidificador. A questão central do que foi anunciado até agora é até onde vai a inflação, até onde vai a recessão”, disse.

Melconian disse também que o governo deveria ter anunciado algo em relação aos salários para aliviar os efeitos do Plano Motosserra sobre os trabalhadores, que verão o seu poder de compra bastante reduzido com a recuperação inflacionária que se avizinha nos próximos meses.

Com informações do jornal Pagina 12, Agência RT e TeleSur

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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