Veja momento em que Bolsonaro impede Heleno de revelar espionagem da Abin

"A gente conversa no particular o que a Abin está fazendo", diz Bolsonaro ao ex-chefe do GSI, preocupado com vazamentos

Reunião ministerial de 5 de julho de 2022, em que Bolsonaro lidera a organização do plano para atentar contra a democracia desacreditando o processo eleitoral e atacando o TSE. Foto: Reprodução/Youtube
Reunião ministerial de 5 de julho de 2022, em que Bolsonaro lidera a organização do plano para atentar contra a democracia desacreditando o processo eleitoral e atacando o TSE. Foto: Reprodução/Youtube

Durante reunião ministerial liderada pelo então presidente Jair Bolsonaro em 5 de julho de 2022, o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) na ocasião, quase revelou pormenores de um “esquema” para infiltrar agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas eleições daquele ano.

Mas Bolsonaro impediu Heleno de revelar os detalhes do desvirtuamento da Abin para fins políticos. “A gente conversa em particular o que porventura a Abin está fazendo”, disse Bolsonaro.

O momento em que Bolsonaro corta a fala de Heleno sobre a espionagem da Abin consta no vídeo da reunião ministerial que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tornou público nesta sexta (9), um dia após autorizar a fase ostensiva da operação Tempus Veritatis, contra o gabinete que planejava um atentado à democracia.

O GGN teve acesso ao material e disponibilizou o vídeo completo no Youtube [assista a íntegra aqui].

Perto do final da reunião, depois que Bolsonaro fez inúmeras falas atacando o sistema eleitoral e os ministros do STF, Heleno pede o microfone para pontuar “duas questões.”

“Primeiro, o problema da inteligência. Eu já conversei ontem com o Vitor [Felismino Carneiro], o novo diretor da Abin. Nós vamos montar um esquema para acompanhar o que os dois lados estão fazendo”, disse Heleno.

No relatório em que analisa a gravação, a Polícia Federal assinalou que se tratava de infiltração de agentes nas “campanhas eleitorais”.

“O problema todo disso”, continuou Heleno, “é se vazar qualquer coisa. (…) Eles se conhecem nesse meio. Se houver qualquer acusação de infiltração desse elemento da Abin em qualquer lugar…”

Neste instante, Bolsonaro interrompe bruscamente a fala de Heleno. “Oh, general, eu peço ao senhor que não fale, por favor. Peço que não prossiga mais na tua observação aqui. Peço ao senhor que não prossiga. Se a gente começar a falar de não vazar, esquece, pode vazar. Então a gente conversa em particular na nossa sala sobre esse assunto, o que porventura a Abin está fazendo”, disse Bolsonaro.

Quem é o diretor da Abin citado por Heleno

Victor Felismino Carneiro, o novo diretor a que Heleno fez referência, substituiu Alexandre Ramagem na chefia da Abin em caráter interino a partir de abril. Segundo o Diário Oficial da União, Carneiro ingressou na Abin em 2010. Antes, foi capitão do Exército. Nas Forças Armadas, exerceu as funções de comandante do 2º Grupo de Operações de Inteligência e de subcomandante da 5ª Companhia de Inteligência do Comando Militar do Nordeste.

Ramagem foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga a chamada “Abin Paralela”, ou seja, o desvirtuamento do aparelho de espionagem estatal para atender aos interesses da família Bolsonaro.

Confirme o GGN mostrou nesta reportagem aqui, o general Augusto Heleno foi apresentado ao plano da Abin Paralela pelo filho de Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro. A revelação foi feita pelo ex-ministro Gustavo Bebbiano, durante uma entrevista ao programa Roda Viva.

“Se tiver que virar a mesa é antes das eleições”

Impedido de falar sobre a Abin, o general Augusto Heleno prosseguiu em seu discurso na reunião de 5 de julho defendendo que estava na hora do gabinete do golpe parar de falar e começar a agir para impedir a derrota eleitoral.

“Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito, tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições”., disparou Heleno, que foi alvo de buscas e apreensões e teve também de entregar o passaporte à Polícia Federal na quinta (8). >>> Veja quem foi alvo da operação Tempus Veritatis

“Eu acho que as coisas têm que ser feitas antes das eleições. E vai chegar a um ponto que nós não vamos poder mais falar. Nós vamos ter que agir. Agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso pra mim é muito claro”completou Heleno.

Leia mais:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais. Ingressou como repórter no Jornal GGN em 2014, participando da cobertura e produção de documentários sobre a Operação Lava Jato. Atualmente é editora e coordena a produção do canal TV GGN, no Youtube, entre outros projetos.

4 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Quem deve, teme: “Eu tenho que me virar acreditando que vai dar tudo certo ano que vem? Eu vou descer daqui da rampa preso por atos antidemocráticos.”

  2. É um absurdo! Esses milicos milicianos não valem nada mesmo.
    Se até o inominável e inelegível teve o “bom senso” de impedir que o troglodita anao falasse mais besteiras que o normal,o que pensar da caserna? Ou seria caverna?
    De qualquer forma,está me cheirando prova plantada.

  3. “Nós vamos montar um esquema para acompanhar o que os DOIS lados estão fazendo” …

    “Eles se conhecem nesse meio” …

    1 Ao “menos” os dois lados.
    2 Os agentes da ABIN são manjados assim ?
    3 Este é o responsável pelo segurança ?

  4. Nossa, eles planejaram um golpe usando microfones e câmeras, com garçons passando, gente de auditoria sentados ao lado, uns dormindo. Numa sala com mesa redonda. Etâ, o Nassif conta que quando foi falar com uma fonte, essa não deixou nem se quer entra com o celular desligado. Boudrillard viajou muito com “Simulacros e Simulação”. Esses milicos são muito jumento, ainda mais esses que viram por dentro como se deu o Golpe 64, não apreenderam nada. Essas Forças Militares q não tiveram memória institucional, pois dão golpe antes se quer da República. Mais interessante é o Hideo e o Valim chamarem as provas tão robustas com o Cid de incrível – NÃO CRÍVEL – de tão fantásticas probatoriamente. É quase um Realismo Fantástico. Também, né! Entre 250 mil homens + inteligência estrangeira, além dos de pijama, não têm um com um QI mais ou menos. E se 250 mil jumentos juntos não conseguem der uma única ideia boa, acontece isso, né. Ainda bem que não somos os mediocres, somos exxxpertos que entenderam e impediram os próximos passos de tudo!

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador