A covardia moral bolsonarista
por Rita Almeida
Se pudéssemos espremer o bolsonarismo e reduzí-lo a uma essência que defina sua natureza, chegaríamos ao significante COVARDIA. O poder do bolsonarismo se sustentou no silenciamento, na opressão e na violência contra os mais frágeis, minorizados e/ou marginalizados. Mulheres, homossexuais, negros, moradores de rua, encarcerados, usuários de políticas sociais, vítimas da COVID, indígenas e quilombolas foram alguns dos alvos preferenciais sob a mira da covardia bolsonarista enquanto estiveram no poder.
Todavia, diante de alguém mais forte ou que tenha paridade de armas, o covarde sempre foge ou reage como vítima injustiçada. O covarde nunca se dispõe a uma luta justa: ou impõe sua valentia e arrogância sobre os fracos, ou acusa ser ameaçado por quem lhe impõe limites.
Assim se comporta o bolsonarismo: cheio de marra e arrogância quando no poder, destruindo a luta política própria da democracia para inaugurar um estado constante de guerra contra os mais fragilizados pelo sistema. “Imbroxáveis, incomíveis e imorríveis” para colocarem a democracia sob ameaça; e agora, ao serem responsabilizados por seus atos, dizem-se injustiçados, torturados e vítimas perseguidas de uma suposta ditadura.
Em vez de assumirem as consequências de suas atitudes com a mesma valentia que usavam contra os outros, a regra entre os bolsonaristas tem sido a vitimização, a fuga e o subterfúgio em diagnósticos médicos e psiquiátricos, ou a alegação de idade avançada. Mesmo tendo acesso a todos os direitos e recursos que a democracia – pela qual não tiverem e nem tem nenhum apreço – lhes tem dado, mesmo diante de um horizonte de cumprimento de penas infinitamente mais brando e humanizado que o de mais de 90% dos encarcerados no Brasil, eles ainda se fazem de injustiçados e perseguidos.
O bolsonarismo está sendo tratado pelas leis e regras da democracia que queriam derrubar e, mesmo assim, não conseguem enfrentá-la de forma corajosa. As mesmas leis e regras que não respeitariam, caso tivessem tido sucesso em sua empreitada golpista. Covardia é a síntese dessa contradição.
Lula, por sua vez, enfrentou 580 dias de uma prisão injusta e não recorreu a nenhum diagnóstico, não usou sua idade avançada, não fugiu, não ameaçou fugir e nem mesmo aceitou uma prisão domiciliar com tornozeleira. Esteve todo tempo disposto a ficar preso até que fosse provada a inocência que sustentava. Não pediu anistia, não pediu perdão judicial. Confiou na democracia e esperou que ela cumprisse seu rito, até que fosse provada sua inocência. E talvez Lula estivesse preso até hoje, caso a Vaza Jato não tivesse escancarado o conluio de Moro e Dallagnol para condená-lo.
Quando presidenta do Brasil, Dilma Rousseff sofreu um golpe parlamentar não só injusto como abjeto e enfrentou, com coragem, altivez e sem nenhum subterfúgio médico, 14 horas de interrogatório no Senado Federal. As falas dos parlamentares nesse processo estão entre as coisas mais repugnantes que este país já viu, isso para dizer o mínimo. Inclui-se aí a intervenção do então deputado Jair Bolsonaro, que dedicou seu voto a favor do impeachment a Carlos Alberto Brilhante Ustra, o torturador de Dilma.
A coragem de Lula e Dilma contrasta de forma gritante com a covardia de Bolsonaro e sua organização criminosa. O bolsonarismo não tem estofo político nem recurso ético que lhe permita enfrentar com altivez e dignidade as penas que recebe por seus crimes. Aos covardes, restam os subterfúgios diagnósticos, a fuga para outro país ou o choro de vítima perante as câmeras.
A história, no entanto, não é escrita pelos covardes, mas por aqueles que enfrentam com coragem sua luta, mesmo diante dos infortúnios. O legado de Lula e Dilma será marcado, dentre outras coisas, pela coragem e dignidade demonstradas na adversidade. O legado do bolsonarismo, por sua vez, será a valentia de opereta contra os desvalidos e o pavor histérico diante da simples ideia de prestar contas à lei. Enquanto um lado entende a política como um enfrentamento de ideias e projetos, o outro a reduz a uma guerra covarde, onde só se ataca o indefeso e se foge do combate justo.
Essa é, no fim, a diferença abissal que separa a luta por um projeto nacional, de um projeto miliciano fascista.
Bolsonarismo, seu nome é covardia!
Rita Almeida – É psicóloga/psicanalista, mestre e doutora em educação pela UFJF.
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AMBAR
28 de novembro de 2025 12:16 pmRita Almeida, a história do homem é sim, feita pelos covardes, pelos ladrões, pelos invasores, pelos torturadores, pelos oportunistas e estupradores. Não há coisa de que o homem se orgulhe mais do que das suas torpezas. Esse orgulho traz-lhes a indizível sensação de poder e vitória.
A covardia é somente um subterfúgio enquanto eles se fortalecem. Não nos esqueçamos de Gaza.