21 de maio de 2026

A guerra de Trump: do Irã à Venezuela?, por Heba Ayyad

Trump transforma Ministério da Defesa em Ministério da Guerra, garantindo a eterna 'paz pela força' e buscando o respeito por ameaças
O Presidente Venezuela comanda o país desde a morte do ex-presidente Hugo Chavez - Fonte da imagem: Spencer Platt/Getty Images

A guerra de Trump: do Irã à Venezuela?

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por Heba Ayyad

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou, na sexta-feira, uma ordem executiva instruindo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a tomar todas as medidas necessárias para garantir que o nome do Departamento de Defesa seja “permanentemente alterado para Departamento de Guerra”.

A justificativa de Trump para restaurar a antiga denominação do órgão (utilizada até 1949) é que o nome atual seria “muito defensivo, e queremos ser ofensivos também”. Segundo comunicado da Casa Branca, a nova designação permitirá que os Estados Unidos imponham “a paz pela força” e “garantam que o mundo volte a respeitar os Estados Unidos”.

O presidente já havia substituído a denominação Golfo do México por “Golfo da América” e restaurado os nomes originais de bases militares — que haviam sido alterados após protestos contra sua conotação racista. Entretanto, essa última medida parece ser a mais indicativa da direção geral do governo Trump e também a mais perigosa.

A adoção do termo “defesa” pelos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, foi uma resposta pragmática ao risco de novas guerras mundiais em meio à proliferação de armas nucleares, que poderiam levar à aniquilação da humanidade e do planeta. Assim, retornar ao termo “Ministério da Guerra” e propor ideias como “impor a paz pela força”, no cenário global atual, soa como um alerta para perigos iminentes.

Um dos acontecimentos mais significativos nesse sentido é o aumento da presença militar estadunidense na costa da Venezuela, considerada pelo presidente Nicolás Maduro “a maior ameaça que nosso continente testemunhou em um século”. De acordo com ele, a Marinha dos EUA posicionou oito navios de guerra na região, “transportando 1.200 mísseis”.

Segundo a agência Associated Press, mais três navios de assalto anfíbio devem chegar ao local, reforçando uma força que incluirá 4.000 marinheiros e fuzileiros navais. Na última terça-feira, tropas estadunidense atacaram uma embarcação proveniente da Venezuela, resultando, segundo Trump, na morte de 11 supostos terroristas. Embora o ataque tenha sido classificado como uma operação contra o “cartel de drogas”, o governo dos EUA não esconde seus objetivos políticos mais amplos.

Essa intenção ficou clara na declaração do secretário de Defesa estadunidense, feita na última quarta-feira, quando afirmou que a decisão sobre uma eventual mudança de regime na Venezuela caberia ao presidente Trump, acrescentando que os Estados Unidos estão “totalmente preparados”.

Na caracterização da liderança venezuelana, autoridades estadunidenses recorrem a uma retórica que mistura acusações políticas e criminais. Maduro, segundo a definição do governo Trump, seria um “líder de cartel de drogas”. Por essa razão, Washington ofereceu uma recompensa de até US$ 50 milhões por sua captura.

A tendência de nomear os Estados Unidos como “Departamento de Defesa” e a escalada sem precedentes na costa da América Latina são consistentes com o grande ataque lançado por Washington, em conjunto com Israel, contra o Irã em 13 de junho. Isso levou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, a afirmar, na sexta-feira, que “a possibilidade de uma guerra entre o Irã e o regime sionista é muito alta”.

Tudo isso também é consistente com a coordenação política e militar com Israel no atual ataque a Gaza e com a cumplicidade em relação aos planos do governo israelense na Cisjordânia, por meio da implementação do plano E1 e do anúncio de medidas para anexar 82% do território ocupado. Além disso, alinha-se aos esforços incansáveis para enfraquecer e punir a Autoridade Palestina, impedir que seus altos funcionários ingressem nos Estados Unidos para participar da reunião da Assembleia Geral da ONU e combater o movimento global pelo reconhecimento do Estado Palestino.

Mudar o nome do Departamento de Defesa dos EUA, substituir a designação “Golfo do México” por outra denominação ou rotular Maduro como “líder de gangue terrorista” não são questões puramente “linguísticas”; ao contrário, representam provavelmente um prelúdio para uma mudança perigosa na política global.

Heba Ayyad – Jornalistas internacional. Escritora Palestina Brasileira.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. Carlos

    9 de setembro de 2025 1:47 pm

    Tem poder, mas atacará quem não reagir pois é um covarde.
    Quando sua marionete do mal, Israel, iniciou ataques ao Irã não imaginava que bombas caíram em Israel e procurou auxílio no gepeto (eua) que bombardeou o Irã. Mas bastou o Irã ameaçar bombardear as bases americanas locais que a marra acabou e voltaram, eua e seu marionete a fazerem o que têm prazer: matar velhos, mulheres e principalmente crianças.
    As leis da física são cerreiraa ao garantir que a toda ação corresponde uma reação igual. Ambos os países genocidas e seus líderes irão pagar todo sangue derramado até agora e o que ainda irão derramar.
    Nada sobrenatural, apenas Física

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