21 de maio de 2026

Alemanha x Rússia, o conflito final?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Kremlin certamente não ficou satisfeito ao tomar conhecimento do plano de guerra alemão e das medidas adotadas colocá-lo em prática.
Reprodução

Alemanha proíbe homens de 17 a 45 anos de sair do país, intensificando fiscalização nas fronteiras.
Plano secreto de guerra alemão prevê conflito com Rússia em 2029, com mobilização e militarização da economia.
Conflito entre Alemanha/OTAN e Rússia pode escalar para guerra nuclear, afetando toda a Europa.

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Alemanha x Rússia, o conflito final?

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por Fábio de Oliveira Ribeiro

O governo da Alemanha decidiu proibir homens de 17 a 45 anos de idade de sair do país. Sem autorização especial eles não poderão fazer viagens ao exterior. Em razão dessa Lei, a fiscalização das fronteiras do país tende a aumentar. É impossível dizer se os guardas fronteiriços alemães poderão usar violência para cumprir a nova regra ou se essa violência será eventualmente letal se um homem adulto forçar sua entrada na Polônia para chegar a Kaliningrado (território da Rússia).

Proibir homens adultos de sair do país no passado era o prenúncio de mobilização geral para a guerra. A Alemanha não está em guerra, mas ao que parece o governo alemão quer uma. Isso porque a economia está sendo rapidamente militarizada e os jornalistas e comentaristas de TV da Alemanha começaram a dizer abertamente que nos próximos 10 anos a Alemanha estará em guerra contra a Rússia. Isso ocorreu antes da imprensa revelar que no plano de guerra alemão que foi concebido em segredo a guerra começará em 2029. Talvez ela comece antes e isso explica a proibição dos homens de 17 a 47 de sair da Alemanha.

Duas coisas podem ser ditas sobre essa questão. A primeira é tragicômica. Se imaginarmos a cena de um alemão fugindo do país, Friedrich Merz sendo abatido a tiros na fronteira, lembraremos imediatamente do que ocorreu várias vezes num passado não muito distante, quando os guardas do Muro de Berlim faziam isso para impedir cidadãos da Alemanha Oriental de entrarem na Alemanha Ocidental.

“As pessoas deveriam nos dar ouvidos quando dizemos, repetidas vezes, que impomos a ordem em nossas fronteiras! E temos boas razões para garantir que ela seja mantida. Quem quer que deseja atravessar as fronteiras da RDA precisa de permissão para fazê-lo. Do contrário, melhor é que fique longe delas! Todos aquele que se arriscar vai morrer.” (Karl-Eduard von Shnitzler, protagonista do programa Der Schwarze Kanal, Deutsche Fernsehfunk, RDA, programa transmitido em 1965 pouco depois de 2 fugitivos serem mortos pelos guardas de fronteira da RDA tentando fugir para a Alemanha Ocidental, programa transcrito por Anna Funder, Stasilândia, Companhia das Letras, São Paulo, 2008, p.164)

Quem na DW repetirá as palavras de Karl-Eduard von Shnitzler para anunciar a morte do primeiro desertor do regime de confinamento da população masculina de 17 a 45 anos imposto pelo governo de Friedrich Merz? Os candidatos são muitos, porque o nacionalismo está em franca ascensão na TV estatal da Alemanha.

A segunda questão levantada pela medida comentada é mais dramática. Não existe possibilidade de uma guerra entre potências nucleares ser confinada dentro dos limites de uma guerra convencional, pois cada contender sentirá a necessidade de usar seu arsenal nuclear antes dele ser inutilizado pelo inimigo. A escalada nuclear numa guerra entre Alemanha/OTAN x Rússia será imediata. Sendo assim, confinar os homens adultos no país mobilizados equivale apenas a ajuntá-los para que eles possam ser exterminados mais rapidamente. Portanto, a medida adotada pelo governo alemão é uma mistura de Decreto Nero de Hitler com o episídio “A Taste of Armageddon” da velha sériede TV Star Trek..

Rússia e Alemanha tem uma longa história de conflitos. Portanto, o Kremlin certamente não ficou satisfeito ao tomar conhecimento do plano de guerra alemão e das medidas adotadas para começar a colocá-lo em prática. Contramedidas russas já devem estar sendo planejadas. A espiral de desconfiança, paranoia militar e ódio não vai desacelerar. Ela tende a aumentar, inclusive porque a Alemanha continua fornecendo apoio diplomático, armamentos e dinheiro ao esforço de guerra ucraniano.

Seria melhor desarmar os espíritos dos dois povos, mas talvez isso não seja mais possível. Um novo conflito entre Alemanha e Rússia está se tornando inevitável. Do ponto de vista da Rússia ele será retratado como uma continuação da I e da II Guerra Mundial, pois o nazismo foi apenas uma versão bestial do militarismo alemão tradicional. Na Alemanha, a guerra será provavelmente retratada como a batalha final entre democracia e tirania, civilização e barbárie. A Guerra entre Alemanha/OTAN e Rússia será a última? Uma coisa é certa, em caso de escalada nuclear todos os países europeus sofrerão as consequências de alguma maneira, porque a radiação não respeita fronteiras. Os detritos contaminados dos dois países serão levados pelo vento e produzirão vítimas há milhares de quilômetros.

Concentrado na impossível tarefa de garantir a hegemonia perdida pelos EUA, Donald Trump é um fator de complicação. O presidente dos EUA não quer ser arrastado para uma guerra contra a Rússia. Mas ele perdeu a capacidade de ditar o curso dos acontecimentos na Europa. A má vontade dos países europeus em relação à guerra dele contra o Irã é evidente demais para ser ignorada. A fratura é grande, mas a Casa Branca não pode simplesmente renunciar a todos seus interesses no velho continente.

Ao que parece, os BRICS estão tentando estabilizar a situação. Mas isso somente surtirá efeito com ajuda da França. Todavia, os franceses também tem uma longa e trágica história de conflitos com os alemães e não querem hostilizar a Alemanha. Emmanuel Macron tem sido cuidadoso. De vez em quanto o presidente francês renova os compromissos da França com o vizinho e antagoniza a Rússia; mas ele também é capaz de se unir à Rússia para vetar propostas dos EUA no Conselho de Segurança da ONU. O presidente francês não quer ser arrastado por Berlim para uma guerra contra a Rússia. A França não deseja criar nos alemães a impressão de que é hostil à Alemanha. Todavia, em caso de guerra entre Alemanha/OTAN e Rússia a neutralidade talvez não seja uma opção viável à disposição do Palais de l’Élysée.

Segurança para todos ou segurança para ninguém. Esse é um princípio com o qual a diplomacia da Rússia tem trabalhado desde o fim da Guerra Fria. Nos últimos tempos os governantes dos EUA só pensam na segurança do país deles. Os governantes da Europa se sentem inseguros, mas não querem se comprometer com a segurança da Rússia. A China tenta ser construtiva, mas os sucessos diplomáticos chineses são encarados com grande desconfiança, ressentimento e inveja pelos norte-americanos. Se a grande ficha não cair a humanidade inteira cairá na armadilha que ela mesma criou?

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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