11 de junho de 2026

Desculpa não corrige desinformação, por Marco Piva

O relator do PL 2630, deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), tem buscado um consenso para evitar que a população siga escravizada da mentira

Desculpa não corrige desinformação

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por Marco Piva

Mais um veículo da grande imprensa embarcou na divulgação de uma fakenews. Dessa vez, foi a TV Bandeirantes que, em um de seus principais telejornais, anunciou que a diária do hotel onde Lula se hospedou em Londres custou 95 mil reais…Na esteira dessa “barriga”, como se diz no jargão da imprensa, os bolsonaristas fizeram a festa, reproduzindo mil vezes a mentira para que esta se tornasse verdade.

Dias atrás foi a vez da CNN Brasil que reproduziu sem checar a afirmação do secretário de Relações Internacionais do Estado de São Paulo, Lucas Ferraz, sobre uma suposta suspensão da promessa de investimento de R$ 50 bilhões da empresa ucraniana que fabrica o avião Antonov por causa de declarações do presidente Lula a respeito da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Em ambos os casos, as emissoras pediram desculpas. Mas, o estrago já estava feito. Desinformação se combate com informação séria, apurada e checada como mandam os mais elementares manuais de jornalismo. Os episódios, no entanto, servem também para uma discussão necessária e atual quando a Câmara dos Deputados ensaia uma regulamentação que proteja o cidadão e a sociedade das armadilhas digitais.

Exatamente por conta de fakenews e manipulações de parlamentares ligados ao governo anterior, a votação do PL 2630 foi adiada sem data para ser retomada. Um dos argumentos é que o projeto fere a liberdade de expressão e é instrumento de censura. Nada mais falso e longe da realidade.

O jogo está claro para quem quiser enxergar. No mundo inteiro se discutem formas de regulamentação que reduzam o impacto da desinformação digital. No Brasil, com o objetivo de inviabilizar qualquer tipo de proteção jurídica à sociedade, a oposição bolsonarista quer manter os privilégios das plataformas que são palco privilegiado da disseminação das mentiras, que são a ferramenta política que esses grupos de extrema-direita encontram para manter acesa a mobilização de suas bases. Mais que isso: plataformas e divulgadores das mentiras ganham muito dinheiro com isso sem que haja a cobrança do imposto devido.

É urgente que a sociedade brasileira entenda a importância de uma regulamentação das chamadas “big techs”. O avanço das tecnologias permite mudanças importantes em vários setores, especialmente na economia, certamente o mais impactado pelas transformações atuais. Basta ver a presença dos aplicativos no dia a dia de todos. Mas, nenhuma sociedade construirá um caminho saudável e socialmente inclusivo sem manter as garantias mínimas de cidadania, o que inclui a responsabilização jurídica daqueles que alimentam o discurso de ódio e as mentiras com a intenção de criar o caos e abalar os pilares da nossa jovem democracia.

Ao contrário da desinformação disseminada nas redes bolsonaristas, o relator do PL 2630, deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), tem buscado um consenso amplo para evitar que a população siga escravizada da mentira. Não é o ideal, mas é um começo. O que não se pode admitir é que nada seja feito.

A real censura está na interdição do debate, como fez o deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos/PR) ao dizer que o projeto de lei quer retirar determinados versículos da Bíblia. Somente um débil mental para acreditar numa lorota dessa envergadura. A manipulação feita pelo parlamentar paranaense já é suficiente para que a Câmara assuma sua responsabilidade histórica e vote o PL 2630 o quanto antes. Como consequência, fica a esperança de um jornalismo de melhor qualidade.

Marco Piva é jornalista e apresentador do programa Brasil Latino na Rádio USP FM 93,7.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

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