Os estrategos pândegos têm um plano… e ele é cômico
Um exército em guerra contra um inimigo improvável e um general que pretende destruir o sistema político e sacrificar a população para fortalecer a colônia. Na estrutura profunda do projeto de nova ditadura militar é possível identificar o argumento do filme FormiginhaZ (1998).
A infantilidade do exército brasileiro é espantosa. Mas a infantilização dos oficiais militares não chega a ser surpreendente. Ela é uma consequência do neoliberalismo, regime econômica que é capaz de se impor pela falsificação da realidade legitimando a exclusão socioeconômica mediante a hierarquização brutal da sociedade.
O general Mandíbula e seu duplo brasileiro não precisam reunir argumentos plausíveis para destruir o mundo. Como “homens” de ação, eles apenas agem. A nova realidade será o resultado da ação deles doa a quem doer. Mas eles obviamente ficarão em segurança, pois pretendem sobreviver ao massacre imposto à população desarmada.
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No filme da DreamWorks, o que provoca o colapso da colônia é a execução de uma obra de engenharia comandado pelos militares. No caso do Brasil, o túnel que minou a democracia para garantir a restauração da submissão colonial aos EUA foi a Lava Jato. Os militares apoiaram Sérgio Moro desde o início e até facilitaram a eleição de Jair Bolsonaro ameaçando o STF para impedir a candidatura de Lula em 2018.
A engenharia a serviço da remodelação da sociedade brasileira foi Fake Justice distribuída por Sérgio Moro e seus amigos do TRF-4. Eventualmente o nosso general Mandíbula começou a esbarrar na resistência da Suprema Corte no momento em que a Lava Jato foi desmantelada após desorganizar toda economia brasileira. Ao que parece, não será possível garantir o sucesso final do projeto militar sem a demolição do STF.
O ódio contra a população brasileira (fim da gratuidade do SUS, obrigatoriedade de pagar mensalidades nas universidades públicas, censura na internet, aumento da repressão política nas ruas, torturas e execuções, etc) inundará o Brasil como a água inundou a colônia em FormiginhaZ.
Sob o comando do general Mandíbula Villas Boas, os gênios do militarismo tupiniquim que conceberam o plano infalível inspirado num filme infantil parecem acreditar que não haverá resistência popular. Eles imaginam que podem sufocar qualquer rebelião. Talvez eles estejam enganados, pois a esmagadora maioria do povo já está cansada de passar fome e de ser menosprezada e humilhada pelo bolsonarismo. Além disso, o neoliberalismo não promete nem desenvolvimento, nem emprego, nem renda, nem gás de cozinha, nem comida na mesa de dezenas de milhões de brasileiros empobrecidos pela Lava Jato.
No filme apenas o general Mandíbula precisou ser sacrificado. Na vida real, quase todos os generais e coronéis brasileiros precisarão perder seus empregos e/ou ganhar estadias num presídio. Os comandantes da Marinha e da Força Aérea também terão que responder pelo que decidam fazer. Eles são nossos empregados e devem se submeter à ordem constitucional em vigor desde 1988. E nós não temos nenhuma obrigação de ser os escravos deles ou do regime bestial que eles pretendem criar.
Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.
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