5 de junho de 2026

A diferença entre um admirador da Lava-Jato e os seguidores de Bolsonaro, por Eduardo Ramos

A ingenuidade de uma parte da esquerda brasileira, dos brasileiros com tendências democrático-civilizatórias, às vezes é de deixar as pedras perplexas
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Qual a diferença, afinal, entre um admirador-apoiador da Lava Jato e seus métodos e os seguidores de Bolsonaro?

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Por Eduardo Ramos

A ingenuidade de uma parcela considerável da esquerda brasileira, dos brasileiros com tendências democrático-civilizatórias, que seja, às vezes é de deixar as pedras perplexas!

Pobre Lula, que mesmo com sua capacidade quase anormal – de tão gigantesca! – para o diálogo, a conciliação, a busca do bem para o país que presidiu duas vezes e as justificadas esperanças nele depositadas de que, certamente, muita coisa boa viria em seu terceiro mandato, tem que assistir num silêncio constrangido expectativas que fogem à realidade e com ela não tem cognição alguma.

Porque, nenhum ser humano de qualquer tempo/espaço tem/teria essa potencialidade em si, mesmo que amparado por nossos homens e mulheres mais capazes e bem intencionados: transformar essa sociedade enferma, lunática, preconceituosa, preguiçosa intelectualmente, fanática, altamente manipulável e doente do narcisismo de classe, em menos tempo do que algumas décadas, quanto mais em apenas quatro ou oito anos!

“Ah, mas quem falou em transformar a sociedade?” perguntaria um desses ingênuos – “Não estaria muito bom recuperar algumas estatais, minorar a fome e o desemprego, resgatar alguma soberania nacional e aplacar o ódio vigente hoje em parte da sociedade?”

Responder a essa pergunta é o objetivo dessa breve reflexão!

Um dos exemplos que me vem à mente com mais força é o do ator Bruno Gagliasso, seu nojo atávico de Lula, seu deboche odioso num programa que assisti no auge da Lava Jato na Globo News, o Manhattan Connection onde, encostado a um canto, quase em tamanho natural, um Lula em roupa de presidiário “fazia parte da decoração do estúdio”.

Pródigo em afirmações rasas que tentava parecer inteligentes, o jovem ator desfilou diante dos sorrisos empáticos dos quatro jornalistas toda a costumeira ladainha do PT ladrão, do Lula ladrão chefe de quadrilha, todas as loas a Moro, Dallagnol, Lava Jato em geral: como faziam em seguem fazendo a maior parte de nossos amigos e familiares, e não falo dos que se converteram a bolsominions, mas dos que, ao menos tendo o freio ético, civilizado e até intelectual de não descerem tão baixo em suas existências, SEGUEM NÃO VENDO NADA DEMAIS, NADA DE ERRADO COM A LAVA JATO, MORO, OS PROCURADORES, SEUS MÉTODOS ABJETOS E PERVERSOS E A ATUAÇÃO ORDINÁRIA E VIL DE NOSSA GRANDE MÍDIA!

Ou seja, como a bela canção de Gonzaguinha, se no futuro os MBLs da vida, a Globo, os ensinarem mais uma vez e de novo a odiar Lula com a mesma paixão e ferocidade, e um “novo Moro-herói” for convocado para “limpar o país de SATANÁS”, eles cantarão, emocionados e encantados com seu civismo e percepção da auto inteligência: “Começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor…” – e se lançariam nos braços do novo justiceiro de plantão…

É como se não fôssemos capazes de enxergar “um palmo para trás”, daquilo tudo que a História nos ensinou ontem e antes de ontem, não há décadas ou séculos. Ora, o que Lula é capaz de fazer, já sabemos! Não é essa, em absoluto a questão, ou melhor, não é essa a única, arrisco dizer não é essa sequer a principal. Cabe a importantíssima pergunta: “O que fazer para não perdermos de novo para Globo, MBLs, militares, Judiciário reacionário, covarde e vil, tudo o que reconquistarmos a duras penas no novo governo Lula?” – essa é a questão!

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Quem e como criar antídotos contra o fascismo, o ativismo judiciário, o ódio doentio e assassino como o do policial homicida de Foz do Iguaçu, que infesta parte de nossa nação? Como fazer ver a dezenas de milhões de brasileiros, “órfãos e saudosistas de Moro e Lava Jato”, que eles foram inocentes úteis, usados em sua ignorância e falta de cognição com a realidade geopolítica nacional e internacional, e que o bolsonarismo que tanto odeiam e sentem asco É FRUTO DIRETO DE SEUS PENSAMENTOS, SENTIMENTOS, FALAS, AÇÕES E REAÇÕES ao movimento político chamado Lava Jato??? – essa seria uma segunda questão cuja resposta vale mais do que ouro!

E nossos grandes empresários e sua cultura de hienas oportunistas, com sede de lucro imediato, explorando o país como uma carniça apodrecida, de tantas misérias e degradações de toda a sorte, sem que com isso se importem minimamente, vide o jantar no Morumbi com vinte dos maiores empresários brasileiros, apoiando o genocida em plena pandemia e já depois de escândalos que nos envergonhavam aos olhos de todo o planeta? Como mudar essa cultura, essa vilania, esse egocentrismo perverso e doentio?

Desde os primeiros dias de governo, Globo e cia, SE LULA ASSUMIR, o atacarão com as bombas semióticas que nos jogaram nesse pântano, nossas elites não têm escrúpulos, ética, dignidade humana, princípios civilizatórios, nada que faz de uma nação uma nação… Não à toa nunca fomos uma, não de verdade, não civilizada, democrática, justa e soberana! Tivemos apenas lapsos curtos de tempo de todas essas coisas em nossa triste e desumana história.

É aí que queria chegar: os Brunos Gagliassos da vida, nossos parentes e amigos, tão enojados com Bolsonaro, não se olharão nos espelhos honestos da existência, de SUAS existências, não se olharão para ver como riram de Dilma na copa do mundo e o “vai tomar no……” diante de mais de 2 bilhões de telespectadores.

Não enxergarão quem foi, quem é Sérgio Moro, não enxergarão o tumor maligno que a Globo é em nosso país há décadas, não enxergarão que quando o Direito, as garantias fundamentais da cidadania são pisoteados em nome “da justiça” (sic…) nada mais resta, país, nação, civilidade, humanismo, decência, nada, absolutamente nada!

Não perceberão que, ensinados a odiar, tornados um pobre rebanho fanático, celebraram e festejaram Moro e seus “boys procuradores”, literalmente abrindo as portas do inferno que se seguiu com Temer e depois Bolsonaro – sem falar dos nojos e ódios que contaminaram o Brasil como nunca antes em nossa História, e desse caldo fétido, resultou isso, Bolsonaro no poder, miséria física e moral, centenas de milhares de brasileiros mortos num genocídio criminoso durante a pandemia, o mundo nos olhando com um misto sequer disfarçado, de perplexidade, desprezo, pena e asco – nos tornamos o opróbrio do mundo, um espetáculo dantesco, poucas vezes visto na História recente universal…

Paro por aqui! Quem entendeu o que estamos vivendo, entendeu, quem não entende, não enxerga o tamanho do abismo, nem com mil páginas entenderá!

“Mas então, sr. articulista, o sr. nos convida à desesperança absoluta, o desespero?” – perguntaria uma última vez um cândido ingênuo.

E eu responderia, exausto de preocupações com meu país e seu futuro, o futuro de meus filhos e netos: “Não, sr. cândido-ingênuo!” Eu o convido a não depositar todas as esperanças em Lula, seu governo, dois que sejam, o PT, a esquerda brasileira, etc. etc. etc.

Eu o convido a ser realista e saber que, se não nos empenharmos com todas as nossas forças em MUDAR as estruturas psicossociais de nossa sociedade pela Educação, e diálogo, e uma luta gigantesca para que as instituições e parcela da sociedade se engajem numa guerra mortal por civilidade, nada, nem dez Jesus Cristos juntos, nos salvarão!”

É isso!

(eduardo ramos)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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  1. Jairinho

    17 de julho de 2022 3:47 pm

    #VolaPT

  2. José de Almeida Bispo

    17 de julho de 2022 4:34 pm

    Subscrevo-me.

  3. AMBAR

    17 de julho de 2022 7:44 pm

    Dizem-nos aqueles mágicos de festinha, que a mão é mais rápida que os olhos. Dizem também que das coisas muito próximas não podemos ter a total dimensão, como o nosso nariz, que está na cara mas nós não o vemos. Nossa mídia nos garante que nosso benfeitor é o ladrão, aquele que no rouba diante dos nossos narizes mas nos querem bem; que nossos políticos eleitos para “reformas sociais ” garantirão nosso desenvolvimento. Ela é o mágico de festinha. A esquerda, que teima em lidar com verdades não sabe dar festa, falta-lhe convidar um mágico bem chinfrim , como faz a direita, e com o mesmo poder de encantamento, mas que devolva a carteira da platéia depois do truque. O povo gosta é de mentira, espetáculo e ilusão. Parece que para o brasileiro comum, por melhor que seja a realidade, ela é um saco. Melhor é se lembrar de uma novela ou dum jogão do que do tempo em que havia churrasco, arroz e feijão. Tal é a natureza do povo.

  4. Edivaldo Dias de Oliveira

    17 de julho de 2022 8:50 pm

    O Gagliasso a que o articulista se refere é mesmo o Bruno e não seu irmão bolsonarista. Não mais de nada…

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