21 de maio de 2026

A FFLCH e o caso da Universidade de Haifa

Alegações de envolvimento de instituições acadêmicas israelenses com o setor militar do país impulsionaram um movimento global por boicote
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Minha intenção era aprofundar os pontos levantados por Herminia Tavares, a de que a Universidade de Haifa, em Israel, seria um centro acadêmico que abre espaço para os palestinos. Seria uma maneira de analisar a postura da Faculdade de Filosofia da USP e condenar a radicalização, de confundir todas as instituições de Israel com o genocídio.

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Resolvi, então, pesquisar na Internet para analisar o papel da Universidade no conflito. A conclusão é que ela colabora com as forças de segurança de Israel e reprime manifestações contra o genocídio.

O Jornal GGN está aberto para denúncias contra qualquer manifestação explícita de antissemitismo. Mas mantém sua posição contra a tentativa de classificar qualquer crítica ao genocídio como antissemitismo.

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A Universidade de Haifa tem a maior proporção de estudantes árabes entre as universidades israelenses, e as tensões têm sido altas no campus:

  • Suspensão de Estudantes: A universidade tomou medidas de suspensão de estudantes árabe-israelenses por postagens em redes sociais e grupos de WhatsApp que foram consideradas de apoio a “terror” ou expressando sentimentos pró-Palestina após os ataques de 7 de outubro de 2023. Essas suspensões têm sido alvo de disputas legais e críticas por restringir a liberdade de expressão.
  • Restrição a Ativismo Anti-Guerra: Grupos de esquerda e de ativistas conjuntos judaico-árabes, como o Standing Together, que protestaram pacificamente contra a guerra, foram suspensos ou enfrentaram oposição e denúncias da administração universitária, que alegou a necessidade de manter a “ordem pública”.
  • Clima de Medo: Há relatos de que o medo e a repressão policial se intensificaram entre os cidadãos palestinos em Israel, incluindo no campus.

A intensificação do conflito em Gaza e as alegações de envolvimento de instituições acadêmicas israelenses com o setor militar do país impulsionaram um movimento global por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) no meio acadêmico, resultando em várias repercussões:

Debate Global e Posições Antagônicas

O conflito gerou fortes tensões e diferentes posicionamentos em campi ao redor do mundo:

  • Universidades Israelenses: A liderança de universidades como a de Haifa e a Hebraica de Jerusalém procurou manter as parcerias acadêmicas, alegando que “cientistas israelenses não são responsáveis pela guerra” e que as colaborações são cruciais para a coexistência e o avanço da ciência.
  • Campi nos EUA e Europa: Observa-se um aumento do ativismo estudantil em universidades como Harvard e o MIT, com ocupações e protestos que exigem o desinvestimento e o fim dos vínculos com instituições israelenses, acusadas de cumplicidade com a ocupação.
  • Argumento do BDS: Os defensores do BDS argumentam que a academia israelense não é neutra, pois colabora rotineiramente com o exército e o complexo militar-industrial, tornando-se, portanto, parte da estrutura de ocupação e colonização. Por isso, exigem que as instituições acadêmicas internacionais estabeleçam padrões morais básicos e cortem todos os laços com as universidades israelenses que mantêm essa cooperação com o setor militar.

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  • • A Universidade de Haifa abriga, entre outras estruturas, o que se chama de “Military Academic Complex” — três faculdades militares vinculadas ao Israel Defense Forces (IDF). (sciencebusiness.net) Esse fato gera forte crítica sobre sua “entanglement” (vínculo) com estruturas militares israelenses.
  • Um relatório europeu de 2025 (relacionado à avaliação de colaborações internacionais) concluiu que existem “indicações credíveis” de que a Universidade de Haifa pode estar indiretamente envolvida em violações estruturais de direitos humanos ou direito humanitário internacional — tanto por atividades em território ocupado quanto por cooperação com o IDF. (eur.nl)
  • Também há registro de que a instituição suspendeu estudantes que publicaram nas redes sociais apoio aos palestinos ou críticas à ofensiva em Gaza, por exemplo em 10 de outubro de 2023 — antes mesmo do relatório principal citado. (Scholars at Risk)
  • Em abril de 2025, estudantes da Universidade de Haifa realizaram um protesto silencioso segurando fotos de crianças palestinas mortas em Gaza, provocando reação institucional: foi suspenso o grupo do campus para o resto do semestre. (The Times of Israel)
  • Internacionalmente, várias universidades e centros recomendam cautela ou mesmo suspensão de colaborações com a Universidade de Haifa devido ao contexto de conflito e à conectividade com o aparato de estado/militar israelense. (eur.nl)

Aqui estão algumas das universidades que encerraram ou congelaram convênios institucionais com a Universidade de Haifa (UoH) — com humor rápido e radar visionário ligado:

🎯 Exemplos confirmados

  • Erasmus University Rotterdam (Países Baixos)
    Em 5 de junho de 2025 anunciou que congelava colaborações institucionais completas com a UoH (assim como com a Hebrew University of Jerusalem e Bar‑Ilan University) — suspendendo programas de intercâmbio e pesquisais novos até que houvesse “garantia de que não haveria envolvimento indireto em violações de direitos humanos”. (Erasmus Universiteit Rotterdam)
  • Utrecht University (Países Baixos)
    Em maio/2025 “terminou o acordo de intercâmbio de estudantes” com a UoH — a universidade declarou que não entraria em novas colaborações com instituições israelenses enquanto persistisse risco de envolvimento em violações de direitos humanos. (Universiteit Utrecht)
  • University of Stavanger (Noruega)
    Em 6 de junho de 2024 decidiu “terminar o acordo de colaboração institucional” com a UoH, declarando que “devido às flagrantes violações do direito internacional em Gaza” não manteria mais cooperação institucional com universidades israelenses. (uis.no)
  • University of South‑Eastern Norway (Noruega)
    Em 19 de fevereiro de 2024 anunciou que encerrava acordos de cooperação com a UoH (e outra instituição israelense) “por causa do ataque de Israel à população e infraestrutura civil em Gaza”. (en.wikipedia.org)

Do Jewish Voice

Recentemente, 1.400 professores em Israel assinaram uma carta a Netanyahu, destacando a obrigação dos acadêmicos de não se calarem diante do “assassinato em massa, da fome e da destruição que Israel está causando em Gaza”.

Infelizmente, a expectativa em relação às instituições israelenses não é alta, então foi um pequeno alívio que alguns reitores de universidades israelenses, após publicarem suas próprias cartas de protesto, também tenham feito isso.

O documento foi assinado pelos reitores da Universidade de Tel Aviv, da Universidade Hebraica de Jerusalém, do Instituto Weizmann, do Technion e da Universidade Aberta. Os reitores das universidades de Haifa, Ben-Gurion, Bar-Ilan e Ariel não assinaram.

Que Ariel, a universidade colonial no coração da Cisjordânia, “nascida em pecado” e “designada universidade em pecado”, não tenha assinado o acordo não é nenhuma surpresa. O fracasso das outras três, sim.

Como afirma este editorial do Haaretz, a sua incapacidade de “demonstrar uma postura firme e pautada por princípios é difícil de explicar. Eles não se livrarão dessa reputação.”

Da Universidade Erasmus de Roterdã

EUR congela colaborações institucionais com a Universidade Bar-Ilan, a Universidade Hebraica de Jerusalém e a Universidade de Haifa.


  • Quinta-feira, 5 de junho de 2025, 12:00

    Comunicado de imprensa

A Universidade Erasmus de Roterdã (EUR) está congelando imediatamente suas colaborações com a Universidade Bar-Ilan, a Universidade Hebraica de Jerusalém e a Universidade de Haifa. Os programas de intercâmbio existentes com essas três universidades serão suspensos e nenhuma nova colaboração em pesquisa será iniciada. No âmbito de alianças ou consórcios internacionais, como os programas Horizonte 2019, as faculdades da EUR só poderão participar se não houver colaboração direta com essas universidades.

A decisão do Conselho Executivo da EUR segue a recomendação do Comitê Consultivo Independente sobre Colaborações Sensíveis (ACGS), que emitiu sua recomendação na semana passada. O Conselho Executivo está alinhando sua decisão com a recomendação do comitê.

Annelien Bredenoord, Presidente do Conselho Executivo da EUR: “Nossas colaborações internacionais são baseadas na liberdade acadêmica e na diplomacia científica. Mas essa liberdade tem limites quando direitos humanos fundamentais estão em jogo. Com base na investigação do comitê, consideramos o risco de envolvimento indireto em violações de direitos humanos muito alto. A avaliação crítica das parcerias também está alinhada com nossa missão social e com os valores Erasmus. O comitê consultivo realizou um trabalho extenso ao longo do último ano, pelo qual somos gratos. Enquanto não tivermos certeza de que a colaboração não envolverá indiretamente a EUR em violações de direitos humanos, as colaborações institucionais e os programas de intercâmbio existentes permanecerão congelados e nenhuma nova colaboração será iniciada.”

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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