8 de outubro de 2026

Alexandre de Moraes e a grande banana ao país, por Luís Nassif

Há tentativas de aproximação com Flávio Bolsonaro, depois de ter servido de álibi para a eleição de uma bancada de bolsonaristas ao Senado.
Alexandre de Moraes em foto de Victor Piemonte/STF

Marco Aurélio, vilão de “Vale Tudo”, foge de jatinho enquanto toca “Brasil, mostra a tua cara” na trilha sonora.
Alexandre de Moraes teve carreira no MP-SP, secretário em SP e ministro; críticas à sua gestão da segurança pública.
No governo Bolsonaro, Moraes defendeu o STF, mas depois se aproximou de bolsonaristas, gerando controvérsia política.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Na novela “Vale Tudo”, o vilão Marco Aurélio (interpretado por Alexandre Nero, no remake de 2025) foge em um jatinho e, no ar, dá uma banana, enquanto a trilha sonora martela a música “Brasil, mostra a tua cara”.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

É exagero comparar o personagem ao ministro Alexandre de Moraes, ou ceder à alusão ao filme “Il generale Della Rovere”, de Roberto Rossellini. Mas certamente ele se fez merecedor de futuras biografias ou de servir de inspiração para novelas similares a “Vale Tudo”.

Moraes foi promotor do MP-SP por cerca de 11 anos. Foi secretário de Justiça de SP na gestão Alckmin entre 2002 e 2005 e assumiu a Segurança Pública em 2015. Entre 2007 e 2010, atuou como “supersecretário” de Kassab (nas pastas de Transportes, CET, SPTrans e Serviço Funerário), até ser exonerado. Filiou-se ao PSDB em 2015 e ocupou o Ministério da Justiça de 12/05/2016 a 22/02/2017, quando Temer o indicou ao STF.

Foi um período caótico. Ignorou os problemas penitenciários em Manaus, negou ajuda federal a Roraima, para prevenir uma carnificina nas prisões (que de fato ocorreu), promoveu a militarização da política de drogas e pretendia desviar recursos do Fundo Penitenciário para atividades policiais.

Seu Plano Nacional de Segurança Pública foi considerado por vários especialistas como o pior de todos. Em vez de focar na promessa de redução de homicídios, o plano previa até erradicar as plantações de maconha no Paraguai.

Seria cômico se não fosse trágico. O ministro pretendia até desviar recursos do Fundo Penitenciário para aumentar em sete vezes o contingente da Força Nacional, ignorando que sua política contribuiria para agravar a superlotação do sistema carcerário. Moraes chegou a se deixar filmar cortando pés de maconha no Paraguai.

Sua trajetória no Executivo terminou com a indicação para o Supremo Tribunal Federal. A nomeação provocou forte reação de um grupo de estudantes de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde Moraes lecionava. Apontava-se, especialmente, sua truculência:

“A gente já viu a postura dele em outros cargos que ocupou, como a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o Ministério da Justiça. À frente desses cargos ele demonstrou desrespeito a direitos fundamentais, a direitos humanos”.

“A PM de São Paulo é uma das mais truculentas. Foi repressiva com estudantes secundaristas, e Moraes permitiu reintegração de posse sem mandado judicial. Diante da crise carcerária, ele demonstrou uma atitude displicente”, afirmaram os estudantes na ocasião.

Com o advento do governo Jair Bolsonaro, surgiu um novo Alexandre de Moraes. Algum tempo antes do 8 de Janeiro, já havia sinais nítidos de um golpe em marcha. O então presidente do STF, Dias Toffoli, confiou a Moraes a tarefa de defender o Tribunal dos ataques que se intensificavam. Cercando-se de policiais de sua confiança, tornou-se peça central na contenção da tentativa de golpe, demonstrando admirável coragem pessoal. Mesmo diante das ameaças sofridas por ele e seus familiares, não vacilou, consolidando-se como um símbolo de defesa da democracia.

Mas, efetivamente, entrar para a história não estava em seus planos. Quando Daniel Vorcaro abriu seu pote de ouro, aceitou um contrato absurdamente elevado com o escritório de sua esposa. A partir daí, tornou-se a principal arma do bolsonarismo, em aliança com a mídia corporativa, para desmoralizar o processo eleitoral e ocultar os malfeitos de Flávio Bolsonaro. Moraes virou o maior símbolo da campanha empreendida pelo bolsonarismo, associando sua imagem à do presidente Lula e permitindo transformar denúncias em uma barafunda informacional que varreu os crimes de Flávio Bolsonaro para debaixo do tapete. Assim como salvou a democracia no período anterior, tornou-se o grande responsável pela maior ameaça à democracia em toda a história do país.

Agora, há tentativas de aproximação com Flávio Bolsonaro, depois de ter servido de álibi para a eleição de uma bancada de bolsonaristas ao Senado.

Se for cassado, poderá pegar o jatinho e dar uma banana ao país.

LEIA TAMBÉM:

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Recomendados para você

Recomendados