Augusto Aras será lembrado como o PGR que serviu de coiteiro do bolsonarismo. Durante a pandemia ele acobertou os crimes cometidos pelo Führer bananeiro e perseguiu um professor universitário que o chamou de poste de Bolsonaro. Aras também provocou uma rebelião de subprocuradores, perseguiu colegas de MPF e até avançou para agredir um deles.
As pessoas que criticaram o PGR nos EUA estão sendo perseguidas pela PF. Um caso típico de abuso criminoso. O fato ocorrido no território norte-americano não pode ser objeto de aplicação da Lei brasileira. Nem mesmo Augusto Aras deve ter o poder de revogar o direito dos cidadãos de criticá-lo.
O MPF virou o Ministério do Programa Funerário de Jair Bolsonaro. Augusto Aras não é apenas o PGR, pois atua como se fosse um aprendiz de embalsamador a serviço do presidente agente funerário que está enterrando uma parcela da população junto com o que resta do nosso sistema constitucional democrático. O contraste entre os brasileiros empobrecidos, cadavéricos e prestes a morrer de fome e a obesidade do PGR é sintomática. Aras só se preocupa com sua própria pança.
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“… when the possession of earthly things is in question it is dificult for men to reason justly.” (The Name of the Rose, Umberto Eco, Picador, London, 1984, p. 50)
O romance de Umberto Eco foi inteiramente construído em torno da posse e da leitura de um livro. William de Baskerville precisa descobrir o que aconteceu. Ele interroga os monges, observa o cotidiano no monastério e analisa de maneira meticulosa as pistas que foram deixadas pelos cadáveres até finalmente descobrir o que realmente aconteceu.
Cegado pelo neoliberalismo jurídico e por seu desejo de virar Ministro do STF, Agusto Aras age exatamente como o venerável Jorge de Burgos. O PGR envenenou as páginas da Constituição Cidadã para que o presidente possa ter o direito de matar uma parcela da população, de armar seus seguidores e radicalizá-los, de ameaçar as eleições e de incentivar assassinatos políticos. Enquanto ele for PGR ninguém poderá dizer realmente que é titular de direito à liberdade de expressão. E aqueles que manusearem um volume da Constituição que ele envenenou serão envenenados antes de poder desfrutar os direitos que são lá garantidos.
“Quando a posse de coisas terrenas está em questão, é difícil para os homens raciocinar com justiça.” Morra quem morrer Augusto Aras não será capaz de raciocinar de maneira justa. Ao que parece ele está disposto a cuidar apenas dos seus próprios interesses e dos interesses dos banqueiros que apoiam a versão autoritária e genocida do neoliberalismo imposta ao país pelo clã mafioso evangélico-político de Jair Bolsonaro.
Como se fosse um fanático e fiel oficial da SS nazista, o PGR seguirá Bolsonaro até o fim. Depois do fim, o atual PGR terá que responder pelos crimes que eventualmente cometeu. Não será possível redemocratizar o Brasil garantindo a impunidade das autoridades que deixaram de cumprir suas obrigações institucionais ou que as cumpriram de maneira maliciosa para garantir o sucesso da barbárie.
Aras se colocou a serviço da anomia e usa a PF para importunar cidadãos brasileiros. Portanto, ele também merece ser atropelado pela legalidade que ajudou a suspender. Por enquanto ele é intocável… Por enquanto.
*O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN
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