10 de junho de 2026

Aras de Burgos, o envenenador do sistema constitucional, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Cegado pelo neoliberalismo jurídico e por seu desejo de virar Ministro do STF, Agusto Aras age exatamente como o venerável Jorge de Burgos
Charge de Renato Aroeira, publicada em janeiro de 2021… atualíssima

Augusto Aras será lembrado como o PGR que serviu de coiteiro do bolsonarismo. Durante a pandemia ele acobertou os crimes cometidos pelo Führer bananeiro e perseguiu um professor universitário que o chamou de poste de Bolsonaro. Aras também provocou uma rebelião de subprocuradores, perseguiu colegas de MPF e até avançou para agredir um deles.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

As pessoas que criticaram o PGR nos EUA estão sendo perseguidas pela PF. Um caso típico de abuso criminoso. O fato ocorrido no território norte-americano não pode ser objeto de aplicação da Lei brasileira. Nem mesmo Augusto Aras deve ter o poder de revogar o direito dos cidadãos de criticá-lo.

O MPF virou o Ministério do Programa Funerário de Jair Bolsonaro. Augusto Aras não é apenas o PGR, pois atua como se fosse um aprendiz de embalsamador a serviço do presidente agente funerário que está enterrando uma parcela da população junto com o que resta do nosso sistema constitucional democrático. O contraste entre os brasileiros empobrecidos, cadavéricos e prestes a morrer de fome e a obesidade do PGR é sintomática. Aras só se preocupa com sua própria pança.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

“… when the possession of earthly things is in question it is dificult for men to reason justly.” (The Name of the Rose, Umberto Eco, Picador, London, 1984, p. 50)

O romance de Umberto Eco foi inteiramente construído em torno da posse e da leitura de um livro. William de Baskerville precisa descobrir o que aconteceu. Ele interroga os monges, observa o cotidiano no monastério e analisa de maneira meticulosa as pistas que foram deixadas pelos cadáveres até finalmente descobrir o que realmente aconteceu.

Cegado pelo neoliberalismo jurídico e por seu desejo de virar Ministro do STF, Agusto Aras age exatamente como o venerável Jorge de Burgos. O PGR envenenou as páginas da Constituição Cidadã para que o presidente possa ter o direito de matar uma parcela da população, de armar seus seguidores e radicalizá-los, de ameaçar as eleições e de incentivar assassinatos políticos. Enquanto ele for PGR ninguém poderá dizer realmente que é titular de direito à liberdade de expressão. E aqueles que manusearem um volume da Constituição que ele envenenou serão envenenados antes de poder desfrutar os direitos que são lá garantidos.

“Quando a posse de coisas terrenas está em questão, é difícil para os homens raciocinar com justiça.” Morra quem morrer Augusto Aras não será capaz de raciocinar de maneira justa. Ao que parece ele está disposto a cuidar apenas dos seus próprios interesses e dos interesses dos banqueiros que apoiam a versão autoritária e genocida do neoliberalismo imposta ao país pelo clã mafioso evangélico-político de Jair Bolsonaro.

Como se fosse um fanático e fiel oficial da SS nazista, o PGR seguirá Bolsonaro até o fim. Depois do fim, o atual PGR terá que responder pelos crimes que eventualmente cometeu. Não será possível redemocratizar o Brasil garantindo a impunidade das autoridades que deixaram de cumprir suas obrigações institucionais ou que as cumpriram de maneira maliciosa para garantir o sucesso da barbárie.

Aras se colocou a serviço da anomia e usa a PF para importunar cidadãos brasileiros. Portanto, ele também merece ser atropelado pela legalidade que ajudou a suspender. Por enquanto ele é intocável… Por enquanto.

*O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN

Leia também:

Jornal GGN produzirá documentário sobre esquemas da ultradireita mundial e ameaça eleitoral. Saiba como apoiar

Jornal GGN abre inscrições para curso sobre Desinformação, Letramento Midiático e Democracia

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados