A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal inicia uma nova e crucial etapa de seus trabalhos na próxima quarta-feira (3). O colegiado começa a ouvir governadores e secretários de segurança pública para aprofundar a investigação sobre a expansão das facções criminosas e a infiltração em estruturas estatais. O primeiro a depor será o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), que já confirmou presença.
O Rio de Janeiro é o caso mais complexo da crise de segurança pública nacional, marcado pela ascensão das milícias e pela reorganização de grandes facções. A escolha de Castro como ponto de partida não é casual e visa estabelecer o tom das sessões seguintes, que se concentrarão em confrontar prioridades orçamentárias e estratégias de segurança pública adotadas pelos governos estaduais.
Gestores estaduais são o foco
Ao todo, 22 gestores, entre governadores e secretários de Segurança Pública de dez estados, além do Distrito Federal, foram convidados a depor. A oitiva de Castro será seguida por outros dez governadores, convidados a pedido do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A ordem das demais oitivas ainda será definida pela comissão, mas a expectativa é que os depoimentos se estendam a partir de dezembro.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), considera esta fase decisiva para compreender como decisões políticas moldaram o avanço do crime organizado. Ele ressalta que os gestores são essenciais para o mapeamento da situação.
“São eles que comandam as Polícias Civis e Militares e as demais estruturas estaduais responsáveis pela prevenção, investigação, policiamento ostensivo, gestão do sistema prisional e formulação das políticas de segurança pública”, declarou Contarato.
Em busca de recomendações factíveis
A comissão espera que a etapa de oitivas aprofunde o mapeamento de como o crime organizado se financiou, expandiu e se infiltrou em contratos e na máquina pública. Os senadores pretendem confrontar a capacidade de resposta de cada governo estadual diante das milícias e facções.
Para Contarato, ouvir os gestores é imprescindível para que a CPI formule propostas concretas. “Entender decisões, prioridades, limitações orçamentárias e desafios de coordenação federativa é imprescindível para construir recomendações viáveis. A CPI convidou esses gestores para um diálogo institucional técnico, responsável e comprometido com resultados”, afirmou o senador.
Com a presença de Cláudio Castro, a CPI inicia o que é considerado o momento mais sensível dos trabalhos, onde governadores precisarão detalhar publicamente suas escolhas e estratégias frente ao crescimento do crime no país, incluindo perguntas sobre megaoperações, como a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho.
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