Comentário: o paradoxo do fascismo neoliberal de Bolsonaro

Mas mesmo que caia, a onda neofascista popular permanece. Será que a esquerda consegue reverter a insatisfação popular que a origina para suas causas?

Foto Reuters

Por Wilton Cardoso

comentário no post Moro e Guedes: as âncoras de Bolsonaro que afundaram

O povo do mundo todo está tendendo ao neofascismo de extrema direita. E todos os neofascistas, a exemplo de Hitler e Mussolini, aplicam algum tipo de keynesianismo nacionalista na economia, para provocar crescimento econômico e alguma distribuição de renda.

A euforia política fascista combinada com o crescimento torna-o, a curto e médio prazo, imbatíveis. Veja o Trump nos EUA, por exemplo (no longo prazo é diferente, pois a sanha destrutiva do fascismo logo se volta contra si mesmo).

Bolsonaro cometeu a burrice de unir suas ideias fascistoides, que tem muito apoio da população, cheia de medo e ódio, ao suicídio econômico neoliberal. O mesmo erro de Macri e Macron (mas este último né neoliberal puro sangue). Por isso, ele durará muito, a não ser que demita rapidamente Paulo Guedes e coloque alguém desenvolvimentista na economia – o que me parece impossível.

Mas mesmo que caia, a onda neofascista popular permanece. Será que a esquerda consegue reverter a insatisfação popular que a origina para suas causas? Ou será que alguém da extrema-direita surfa nesta onda de forma mais inteligente, combinando ideias fascistas com keynesianismo nacionalista, como os fascismos sempre fizeram?

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5 comentários

  1. Este artigo precisa de revisão de texto. Pela argumentação, deveria aparecer: “Por isso, ele não durará muito…” e não como saiu. Logo antes, Macron “né liberal puro sangue…”. Mais abaixo, “keynesiausmo”. Assim fica difícil compartilhar o artigo, a menos que ele seja copiado e coloado, com os erros corrigidos.

  2. A propaganda neoliberal é massiva desde a democratização. Lembremos que a primeira edição brasileira de O Caminho da Servidão é da segunda metade dos anos 70, momento da ascensão de Thatcher.

    Evidentemente que se trata de um “liberalismo” à brasileira, que não chega nem perto de ameaçar privilégios, quando não os disfarça deliberadamente. São famosos os “liberais” do Império que defendiam a propriedade privada do homem sobre o homem…

    Impressiona que no campo acadêmico só o Jessé de Souza enfatize que a elite brasileira é antes de tudo antissocial, antipovo: qualquer arremedo de ideologia serve para barrar a agenda da igualdade, como foi o capitalismo de estado, contando com a colaboração, inclusive, do “liberal” Roberto Campos…

    Lembremos também que esses boçalnaros viraram “liberais” outro dia desses…

    Andam em círculos mas não largam o osso.

  3. O Fascismo é uma tipologia política que combina uma ditadura com a supressão da classe trabalhadora através da destruição de suas organizações, para remover a parcela de controle que os trabalhadores exercem sobre a economia e a política e conferir à burguesia o absoluto monopólio sobre as decisões econômicas e políticas.

    Esse comentário de que existe uma razão populista na adoção de políticas chamadas “keynesianas” por governos fascistas é obra de uma imaginação fértil, dado que:

    1) Ignora a razão de ser de um regime fascista, isto é, a destruição das organizações da classe trabalhadora para possibilitar o monopólio político, econômico e cultural pela burguesia.
    2) Ignora a diferença de posição no capitalismo mundial entre países centrais e países periféricos. Um fascista na Europa é nacionalista. Um fascista na América Latina é anti-nacionalista. Se levarmos em conta que o fascimo é uma obra da burguesia, tudo se explica.

    Tanto o sistema político burguês quanto o capitalismo estão ruindo em nível mundial. Isto é, tanto os liberais na economia (neoliberais) quanto os liberais na política (legalistas, institucionalistas) vão sofrer horrores no próximo período, porque o mundo vai virar de ponta-cabeça. Neste momento há a polarização de extremos [direita “pura” (fascista) e esquerda “pura” (socialista)] com o desabamento do centro. A esquerda nacional não sabe o que fazer porque se agarra com unhas e dentes aos regimes político e econômico que estão desabando. Só poderia ser um elemento verdadeiramente ativo se abandonasse a perspectiva liberal-institucional e adotasse a perspectiva histórica.

    Infelizmente, nesta etapa histórica só os círculos mais vanguardistas estão fazendo uma política mais coerente. Para a maior parte da esquerda, a ficha ainda não caiu de que nós não estamos em um enfrentamento tópico ou conjuntural, mas sim num enfrentamento sistêmico de dimensões históricas. Vai doer muito ainda pra muita gente.

    Mas para além disso, fascismo não se combate com argumentos, se combate com a força! Foi assim que Mussolini e Hitler foram derrotados.

  4. Se algum governo autoritário partir para o keynesianismo, ele será sabotado do começo ao fim pelos mercados financeiros internacionais, tal como fazem com o governo da Itália e do da Hungria. Hoje não existe mais a União Soviética, não há concorrente poderoso ao mercado financeiro, não há porque botar no poder alguem que pode vir a impedir a rapinagem, para os lucros a guerra fria já acabou.

    Um governo nacionalista, hoje, seria economicamente quase indistinguível do governo Lula. Fortaleceria estatais, tais como Petrobrás e Embraer, privatizaria pouco ou nada, tentaria criar uma classe média forte enquanto mantem programas de distribuição de renda como o Bolsa Família. Investiria em campeões nacionais e universidades. As agendas progressistas na cultura iriam para o ralo, mas no que interessa ao mercado financeiro nacionalistas seriam um Lula 2.0. Na minha opinião o melhor projeto para a esquerda agora é o de garantir que na hora que as ondas e as marés levarem um verdadeiro nacionalista ao poder, devemos garantir que ele não seja anti-esquerda.

  5. sem entrar no mérito dos paradoxos próprios ao fascismo clássico, esta “revolução dentro da ordem” na qual Hitler se definia como “o revolucionário mais conservador do mundo”, o atual governo Bolsonaro não passa, em última instância, de uma excelente oportunidade para negócios.

    negociatas. pilhagem. expropriação. saque. roubo.

    não há projeto. nunca houve. e não haverá.

    tudo se resume a pegar o máximo que puder o mais rápido possível.

    e depois? depois herdaremos os buracos…

    “há apenas uma história: a história dos abutres contra nós. eles têm casas maiores que a Disneylândia, nós temos aviso de execução hipotecária. eles têm jatinhos particulares para irem a ilhas particulares, nós pagamos suas dívidas de apostas financeiras com nossas pensões. eles têm redução de impostos, nós temos créditos de risco. eles financiam os candidatos que nas eleições nós devemos escolher. eles têm as minas de ouro, nós ficamos com os buracos.”
    .

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