21 de maio de 2026

CPI aprova quebra de sigilo de cunhado de Daniel Vorcaro e de ‘Sicário’

Colegiado investiga elo entre ex-banqueiro e organização criminosa; comissão também mira servidor do Banco Central e operador do PCC
Crédito: Pedro França/ Agência Senado

▸ CPI do Crime Organizado aprovou quebra de sigilos de Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Mourão na Operação Compliance Zero.

▸ Zettel, ligado a Vorcaro, tem sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático quebrados; Mourão, apenas bancário e fiscal.

▸ CPI convocou servidor do BC suspeito de vazar dados e aprovou quebra de sigilo de operador financeiro do PCC, Mohamad Hussein Mourad.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou nesta quarta-feira (11) a quebra dos sigilos de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. As medidas aprofundam as investigações da Operação Compliance Zero, que apura crimes de lavagem de dinheiro, ameaças e invasão de sistemas por uma estrutura criminosa ligada ao antigo Banco Master.

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As quebras de sigilo foram aprovadas em bloco, sem votos contrários. Para Zettel, o alcance é total: bancário, fiscal, telefônico e telemático. Já para Mourão, as transferências de dados restringem-se às esferas bancária e fiscal.

Ambos foram presos na última semana, mas “Sicário” morreu sob custódia da Polícia Federal dois dias após uma tentativa de suicídio na prisão. A CPI solicitou ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), informações detalhadas sobre as circunstâncias do óbito.

Conexões financeiras e políticas

Fabiano Zettel, casado com a irmã de Vorcaro, é uma figura central no inquérito. Pastor evangélico e CEO da Moriah Asset, um fundo de private equity com investimentos em setores de luxo e suplementos, ele já havia sido detido em janeiro no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai.

Além da atuação empresarial, Zettel destaca-se pelo trânsito político. Em levantamentos de doações eleitorais, figuram repasses de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) e R$ 2 milhões para a de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo.

O papel de “Sicário”, por sua vez, era o de ponte informativa e operacional. Perícias em dispositivos móveis indicam que ele repassava a Vorcaro documentos de investigações sigilosas que envolviam o Banco Master.

Mourão também operava no mercado financeiro por meio da Maximus Digital, empresa suspeita de aplicar golpes com promessas de lucros irreais.

Suspeita de vazamento no Banco Central

A ofensiva da CPI também atingiu o corpo técnico do Estado. Os senadores aprovaram a convocação de Marilson Roseno da Silva, servidor do Banco Central suspeito de atuar como informante de Vorcaro. Segundo a linha de investigação, Roseno e outros dois colegas teriam fornecido dados privilegiados para beneficiar o ex-banqueiro.

O caso reverbera no Poder Judiciário. A relação de Vorcaro com o alto escalão da República colocou a Suprema Corte em estado de alerta, diante de questionamentos sobre decisões dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes que tangenciam os interesses do grupo investigado.

Lavagem de dinheiro e o PCC

Em outra frente, a comissão mirou o financiamento de facções criminosas. Foi aprovada a quebra de sigilo de Mohamad Hussein Mourad, o “Beto Louco”, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na mesma sessão, os parlamentares ouviram João Carlos Mansur, fundador da Reag — instituição investigada por suposta lavagem de dinheiro para a facção paulista, ligada ao Master e que foi liquidada pelo BC no início deste ano. Mansur, amparado por decisão judicial, optou pelo silêncio, limitando-se a descrever o histórico de sua empresa e frustrando as tentativas dos senadores de obter detalhes sobre as movimentações atípicas detectadas pelo Coaf.

A defesa de Luiz Phillipi Mourão informou que não irá se manifestar até ter acesso integral ao inquérito sobre a morte do cliente.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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