10 de junho de 2026

É urgente judicializar a portaria que obriga hospital a reportar estupro à polícia, diz Debora Diniz

Há uma ciência seletiva na política pública. Uma ciência para amedrontar mulheres, diz a antropóloga e professora de direito da UnB

Por Debora Diniz

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Aborto sempre foi uma questão central ao fanatismo bolsonarista. A resposta à menina de dez anos que abortou veio hoje no formato de uma portaria perversa. Revoga portaria de aborto legal e confunde profissionais de saúde com profissionais de segurança pública.

Exige que médicos informem a polícia se uma mulher for vítima de estupro. Uma grave violação de confidencialidade. Esta tem que ser uma decisão de cada mulher: ela chega a um hospital para ser cuidada e não para ser investigada.

A portaria impõe medidas de maus tratos às mulheres e meninas estupradas. Uma delas é o uso de tecnologia médica para assustá-las: a oferta de visualizar o embrião ou feto não é para cuidar da vítima, mas para ideologizar o aborto.

Mais importante: entre os documentos exigidos da vítima está um relatório sobre o agressor. As perguntas não são médicas, mas investigativas. É um relatório que revitimiza a mulher ou a menina.

Um documento lista os riscos de um aborto. Ignora que forçar uma menina de dez anos à gravidez é um risco de morte. Há uma ciência seletiva na política pública. Uma ciência para amedrontar mulheres. É urgente a judicialização da portaria 2.282 do Ministério da Saúde.

Debora Diniz é antropóloga, professora de Direito da UnB e diretora do Instituto Anis

 

Leia também:

Aborto e direitos: GGN entrevista médica Melania Amorim e Gabriela Rondon, do Anis

 

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  1. Carlos Elisio

    29 de agosto de 2020 1:04 pm

    Trata-se de uma portaria que não apenas criminaliza e aterroriza a vitima de estupro, mas também aumenta as chances de impunidade do estuprador que serão ainda maiores caso se tratem de pedofilos.

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