O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), anunciou nesta sexta-feira (6) sua pré-candidatura à Presidência da República.
Em manifesto divulgado nas redes sociais e durante entrevista à CNN Brasil, Leite defendeu um novo ciclo de desenvolvimento para o país e fez um apelo direto ao eleitorado. “Chega de salvadores da pátria ou de mitos. A gente vive sempre esperando que alguém sozinho resolva o problema do país.”
No texto, o governador traçou um diagnóstico severo sobre o cenário nacional. “Não estamos diante de uma eleição comum. Estamos diante da escolha entre continuar administrando polarizações ou inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento”, escreveu.
Para ele, o Brasil enfrenta um “problema de direção”, e a solução passa por uma reformulação profunda do pacto de governabilidade entre os três Poderes.
Reforma institucional
Leite se apresenta como o candidato do “alternativo”, uma terceira via que, segundo ele, vai além das disputas entre Lula e Bolsonaro. Em entrevista à CNN, afirmou que o debate eleitoral que se aproxima deve girar em torno de quem tem capacidade de liderar um país com integridade e fortalecer suas instituições.
“O que a gente precisa, e o que eu quero liderar, por isso me apresento como pré-candidato, é justamente deixar um legado de aprimoramento institucional”, declarou.
“As instituições têm que funcionar melhor para poder ter um ciclo mais duradouro de desenvolvimento: Judiciário, Legislativo e Executivo.”
No manifesto, o governador citou casos concretos que, para ele, ilustram as “anomalias de funcionamento do estado brasileiro”: os desdobramentos da Lava Jato, o caso do Banco Master, a “farra de emendas” e os “penduricalhos” de supersalários.
Leite defendeu o enfrentamento dos “privilégios do setor público” e propôs um novo “pacto pela governabilidade democrática”.
“Precisamos reequilibrar as funções dos três Poderes. Com diálogo, transparência e visão de país. Não faz sentido esperarmos resultados diferentes se nosso padrão não muda”, afirmou.
Responsabilidade fiscal
Entre as propostas concretas, Leite colocou a responsabilidade fiscal como “agenda de país” e defendeu metas claras, avaliações constantes de desempenho e foco em educação, segurança, saúde e crescimento econômico com proteção social.
Também propôs desburocratização, ampliação de parcerias em infraestrutura e uma estratégia nacional centrada na educação básica.
Disputa
Leite, no entanto, não está sozinho na corrida pelo Planalto dentro do próprio partido. O PSD conta com outros dois pré-candidatos: os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Jr. (Paraná).
No fim de janeiro, ao deixar o União Brasil, Caiado publicou um vídeo ao lado dos dois colegas com um compromisso público: quem quer que seja escolhido entre os três receberá o apoio dos demais na disputa presidencial.
Relembre
Apesar de apontar os problemas de direção na condução do país e de afirmar que uma das bandeiras será a de crescimento econômico com proteção social, a gestão de Leite enquanto governador do próprio estado tem sido alvo de diversas críticas.
Em 2025, o procurador Celso Tres denunciou no Ministério Público Federal a paralisação de R$ 6,5 bilhões, que deveriam ser usados em obras de prevenção de enchentes.
Segundo o desembargador, o governo agiu de forma ilegal ao condicionar a liberação das verbas à apresentação de projetos por parte dos municípios afetados — muitos dos quais carecem de estrutura técnica para elaborar esses estudos.
Além da ilegalidade, a decisão teria implicações práticas graves: com a demora, obras essenciais, como a manutenção e ampliação de diques, seguem sem execução. Esses diques, estruturas fundamentais para conter a força das águas, já demonstraram fragilidade nas enchentes recentes, como as que afetaram severamente a região metropolitana de Porto Alegre em 2024. Leia a reportagem do GGN na íntegra.
*Com informações da CNN.
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