Em 2016, Moro afirmava que ‘jamais entraria para a política’

Às vésperas de filiação do ex-juiz ao Podemos, internautas resgatam antiga entrevista do então responsável pela Operação Lava Jato

Foto: Lula Marques

Jornal GGN – O ex-juiz Sergio Moro, que também foi ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, irá se filiar ao Podemos na próxima semana sendo incensado como um dos baluartes no combate à corrupção.

Contudo, internautas resgataram uma entrevista que Moro concedeu ao jornal O Estado de S.Paulo em 2016 – segundo a publicação, foi a primeira entrevista concedida pelo então juiz que deflagrou a operação Lava-Jato.

Dentre os pontos que merecem destaque, está a afirmação de Moro de que não é um homem de político, e que jamais seria candidato a um cargo eletivo.

“Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política. Acho que a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco”, dizia o então juiz.

Moro também teve sua ideologia questionada e, em resposta, afirmou que os processos “não têm nada a ver com questão nem político-partidário nem político-ideológica”.

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“Então, se a pessoa é culpada ou não, não importa se ela é de esquerda, se é de direita, se ela é de centro, tampouco importa se o juiz é de direita, se é de esquerda ou se é de centro. O juiz vai julgar com base na lei e nas provas”, dizia o então juiz.

“Acho errado tentar medir a Justiça por essa régua ideológica. Por isso acho desimportante a minha posição política. São muito discutíveis essas fronteiras entre esquerda e direita”, afirmou Moro.

Após essa entrevista, a operação Lava-Jato levou o ex-presidente Lula para a cadeia, o que o levou a deixar a disputa eleitoral de 2018 – vencida pelo  então deputado Jair Bolsonaro no segundo turno contra o petista Fernando Haddad.

Sergio Moro, que dizia não ter interesse em política, foi convidado por Bolsonaro para ser ministro da Justiça e da Segurança Pública por Bolsonaro antes da posse – o que levou Moro a pedir exoneração do cargo de juiz federal após 22 anos, como mostra perfil do ex-ministro no G1.

Depois de assumir o cargo com “carta branca para o combate à corrupção”, Moro deixou a pasta em abril de 2020 após 16 meses por conta da decisão do presidente de trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indicado para o posto pelo agora ex-ministro.

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