26 de junho de 2026

“Um escândalo jamais visto”, afirma Giannazi sobre os leilões de escolas estaduais em São Paulo

Um fato grave indicado pelo deputado estadual foi a permissão para que empresas estrangeiras participassem do leilão
Crédito: Reprodução/ TVGGN

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizou o  leilão do segundo lote da Parceria Público-Privada (PPP) Novas Escolas, que privatiza a construção e gestão de unidades de ensino no interior do estado na última segunda-feira (4).

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Vencedor do leilão, o Consórcio SP + Escolas terá de construir e administrar 16 escolas públicas em sistema de Parcerias Público-Privadas e, para tanto, ofereceu a proposta mensal de R$ 11,5 milhões.  

“É um escândalo jamais visto um governador leiloar escolas públicas na Bolsa de Valores de São Paulo, na B3. Isso é um escândalo, é algo inaceitável, é revoltante você ver algo acontecendo,  porque nós estávamos acostumados aqui em São Paulo com a privataria tucana, que já era terrível. Agora, nós temos a privataria bolsotucana”, afirmou o deputado estadual e diretor de escola pública, Carlos Giannazi (PSOL). 

Convidado do programa TVGGN 20H, Giannazi chamou a atenção ainda para o fato de que o edital permitia a participação de empresas estrangeiras. “Olha só a gravidade da situação. Isso significa, na prática, que o dinheiro do orçamento público do povo do Estado de São Paulo seria direcionado também para empresas internacionais, dinheiro do orçamento da educação.”

Para o deputado estadual, trata-se de um projeto nefasto que complementa o programa de privatizações de Tarcísio, que já entregou à iniciativa privada a Sabesp, linhas da CPTM e metrô, além da Fundação Casa. 

“Ele está privatizando também áreas de pesquisa do Estado de São Paulo, na Secretaria da Agricultura. Estou acompanhando o movimento lá em Campinas,  no Instituto Agronômico de Campinas. Ele está querendo vender uma fazenda, a Fazenda Elisa, que é uma área de pesquisa importantíssima da agricultura, do café. Então, ele vai vender uma, já em Pindamonhangaba”, ressalta o entrevistado. 

Giannazi lembra que as privatizações só foram possíveis graças a uma lei aprovada por João Doria, para permitir a venda de parques estaduais. 

“Está em curso no Estado de São Paulo a maior privataria de todos os tempos da história do Brasil, porque são muitos ativos, muitos equipamentos públicos que estão na lista. Inclusive, no semestre passado, nós tínhamos denunciado um site, não sei se vocês acompanharam, que ele estava vendendo várias áreas públicas do Estado de São Paulo. Aparecia até um prédio da rota, um prédio da Assembleia Legislativa, que tinha preço. Era como se fosse uma imobiliária. Nós o denunciamos e ele retirou do ar.”

Reação

Para pôr fim ao projeto de venda do patrimônio e empresas públicas do Estado é necessária a mobilização popular. Porém, o paulista não parece engajado com a causa, que se torna mote apenas de movimentos sociais e sindicatos.   

“O sindicato APEOESP recorreu, na semana passada, contra o primeiro leilão. Ganhou, por um dia, uma liminar de um juiz. Imediatamente, o Tarcísio convenceu o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) a caçar a liminar. Durou um dia a nossa vitória sindical”, lamenta o deputado estadual.

O que a população talvez não saiba ainda é que a venda de escolas nada mais é, segundo o entrevistado, que a entrega de dinheiro da educação para a iniciativa privada, especialmente porque empresas privadas se guiam pelo lucro, não pela qualidade do serviço prestado aos estudantes. 

“A empresa ganhadora vai receber do Estado, depois que ela construída a escola, R$ 11 milhões por mês. Para fazer a manutenção, pagar os funcionários que ela contratar. Todo mês ela vai ganhar R$ 11 milhões. O outro leilão foi um preço acima, acho que de R$ 14 ou R$ 15 milhões por mês. E é o dinheiro público que vai enriquecer essas empresas, que não vão oferecer qualidade, que vão reduzir o número de funcionários, porque elas precisam ter lucro, logicamente. Então, ela reduz o número de funcionários e compra material mais barato para a escola.” 

A precarização dos serviços nas escolas estaduais já é uma realidade, tendo em vista que as áreas de alimentação e limpeza das escolas estaduais já são de responsabilidade de terceirizadas. Como consequência, são frequentes as greves dos funcionários, que reivindicam os pagamentos atrasados. 

Existe, ainda, a participação do crime organizado na gestão das creches da Prefeitura, segundo o convidado. 

“O crime organizado controla algumas delas em algumas regiões. Inclusive, existe a marca das creches que é investigada pelo Ministério Público,  pela Polícia Federal, que envolve o [prefeito] Ricardo Nunes. Tem aí uma investigação também sobre o crime organizado controlando essas empresas.”

Projeto pedagógico

Ainda que a proposta inicial do leilão seja conceder à iniciativa privada apenas a gestão das escolas públicas, para Giannazi a entrega também da área pedagógica é uma questão de tempo, especialmente porque o atual secretário da Educação paulista, Renato Feder, é dono da empresa Multi e já respondeu pelos colégios no Paraná. 

“A Multi vende produtos eletrônicos para o próprio Estado, tem um contrato de R$ 200 milhões com a Secretaria da Educação,  da qual ele é o secretário. Ele paga a própria empresa. É uma contradição enorme. É um conflito de interesse jamais visto”, aponta o convidado.

No Paraná, onde as escolas foram entregues para empresas, os professores são contratados sem concurso público. “Então, é a porta de entrada. A privatização desse setor já é a porta de entrada para a privatização em geral. Nós, que somos da educação, entendemos que não tem como dividir uma escola em parte administrativa, em parte pedagógica. A escola é uma só. Tudo que acontece na escola tem a ver com o projeto pedagógico. A merendeira, que vai ser especializada, ela é uma educadora, porque ela se relaciona com os alunos. Ela é incluída no projeto pedagógico da escola, o pessoal da alimentação, o vigia da escola, o pessoal da limpeza também interage.  Então, tudo é educação dentro de uma escola pública, uma escola particular”, conclui Giannazi. 

Confira a entrevista completa na TVGGN: 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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7 Comentários
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  1. Jotaanalitctsmarcelo

    5 de novembro de 2024 4:41 pm

    A justssa tá cega desde a Lavajato,Nassif denunciou o esquema da venda do Zona azul de sp para um geupo2 privado e nada aconteceu,chegou o carioca Tarcísio Fritou Freitas sabesp e torrou a água dos manés Paulistas e a jusrissa fechoi os olhos,o carioca já descaracterizou a pm de SP,nomes de estações,Sabesp e agora escolas incrivel ele avança sua agenda fácil
    fácil atropelando tudo e todos e o governo federal é uma sofrencia aprovar uma coisa e q mesmo assim LASCARÁ os próprios eleitores q elegeram o governo federal !!!

    1. Manuel António Pinto

      9 de novembro de 2024 12:35 pm

      Meu Deus! Será que nem a Justiça terá força ou meios para parar com essa fúria destruidora da verdadeira democracia, praticada pelo atual inquilino do Palácio dos Bandeirantes? A constituição poderá (ou deverá) ser ignorada? Penso que esse. senhor e seus aliados estão botando os pés pelas mãos. O povo precisa ser esclarecido. Como disse o Sr Lima, poderiam os gestores públicos serem privatizados e não o contrário.

  2. Lima

    5 de novembro de 2024 8:43 pm

    Vamos fazer ao contrário. Em vez de privatizar os serviços públicos privatizemos os gestores públicos. Concurso público já! Com provas objetivas e discursivas, arguição presencial e prova de títulos.Os melhores seriam pois empregados públicos, regidos pela CLT e estariam pois passíveis de demissão caso seu desempenho fosse insatisfatório.Escreveu não leu, pé na bunda. Sem medo de errar, 95% dos atuais ocupantes de cargos eletivos e cargos de livre nomeação seriam reprovados em provas básicas de conhecimentos gerais de direito administrativo e orçamento público. Aí o trem entrava nos trilhos…

  3. jucemir rodrigues da silva

    5 de novembro de 2024 9:18 pm

    Carlos Gianazzi se esqueceu de informar: as PPPs das escolas são também parcerias entre Tarcísio de Freitas e o BNDES, hoje comandado por Aloizio Mercadante.
    No tocante a essa PPP de Tarcísio de Freitas, lê-se no sítio do BNDES o que vai abaixo.

    Nossos projetos
    (…)
    Setor: Educação
    Tipo de investimento: Greenfield
    Localização: São Paulo
    Número de alunos beneficiados: 35.100
    Número de unidades escolares: 33
    Tipo de projeto: Concessão ou PPP
    Tipo de receita: Contraprestação pública
    Prazo do contrato: 25
    Critério do leilão: Menor contraprestação pública

    Até PPPs para florestas e presídios constam no hub de projetos do BNDES – consulte.
    Eis um projeto pinçado no hub.

    Florestas da Amazônia – Jatuarana
    Concessão da Floresta Nacional de Jatuarana para a prática do manejo florestal sustentável.
    Investimento estimado: R$ 368 milhões (US$ 71,5 milhões)
    Setor: Florestas
    Localização: Amazonas
    Tipo de projeto: Concessão
    Tipo de investimento: Greenfield
    Outorga: R$ 160 milhões (US$ 31,1 milhões)
    Tipo de receita: Venda de produtos e serviços florestais
    Patrocinador: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
    Área de manejo (ha): 483.000
    Prazo do contrato: 37

    Segue trecho de matéria publicada na Carta Capital – para a íntegra, link ao pé deste comentário.
    ……………………………………………………………………
    Rico que é, o estado de São Paulo não depende do setor privado para construir escolas, mas o faz pela crença privatista de seus administradores, que preferem encher as burras de um consórcio empresarial com dinheiro público a reconhecer que seria menos complicado e mais barato construir 33 escolas e financiá-las de forma regular e adequada.
    Já os milhares de municípios pequenos sem recursos que aguardam há anos a conclusão da obra de uma creche, esses ninguém sabe como fariam para pagar mensalmente a contraprestação pública a uma concessionária que apostou no investimento greenfield “garantido” por um Fundeb que mal permite que os municípios honrem com o piso salarial do magistério.
    Na literatura internacional do campo da educação, esse tipo de PPP e outras invencionices do capitalismo contemporâneo para transformar políticas sociais em operações financeiras lucrativas recebem o nome eufemístico de “financiamento inovador”.
    Além da PPP do BNDES, há hoje no governo federal diversas outras soluções de mercado em estudo para “desafogar” o orçamento público – isto é, para financeirizar de todas as formas possíveis o financiamento da política social, trocando o gasto orçamentário direto por uma dívida pública moralmente aceita pelo fiscalismo hegemônico.
    https://www.cartacapital.com.br/opiniao/ppp-do-tarcisio-para-escolas-paulistas-e-a-antessala-de-uma-derrota-muito-maior/?fbclid=IwY2xjawGWJu9leHRuA2FlbQIxMQABHY1JOnNlruhpDytnGENGqhczjQj-bQG9OhlalVfZqz2kYqpi2Tir1hQlyQ_aem_Bc3rcKaGLTgOVAwSk238Fw

    1. Nãoéojotaéumfuncionariomalpagoterceirizado

      6 de novembro de 2024 7:21 am

      TÁ TERCEIRIZADO TÁ TUDO TERCEIRIZADOOO(presidência,água,luz,escolas,saúde,vagas públicas de estacionamento e etc…eyc…etc..)

  4. Cidadão sem cidadania

    5 de novembro de 2024 9:45 pm

    Giannazi..

    Hora imagina quando o petista giannazi descobrir que Lula está leiloando o pré sal ( a palavra é doar, mas tudo bem), não salvou a avibras, esta negociando chasida de minério e etc,.

    O que será que ele vai pensar?

    Alguém pode pergunta, porque perguntei e fui bloqueado, fico no aguardo. Obrigado desde já.

  5. Marcus

    5 de novembro de 2024 10:29 pm

    Essas empresas estrangeiras parecem e cheiram a esquentamento de dinheiro escondido em paraísos fiscais. Tem gosto de laranja o negócio.

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