Escândalo na Caixa: Assédio moral era praxe na gestão de Guimarães

Ameaças, xigamentos e surtos eram comum no dia a dia do executivo, revelam gravações de servidores

Pedro Guimarães deixa o comando da Caixa após acusação de assédio sexual contra várias funcionárias. Foto: Valter Campanato
Pedro Guimarães deixa o comando da Caixa após acusação de assédio sexual contra várias funcionárias. Foto: Valter Campanato

O escândalo envolvendo o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, tem ganhado novos contornos. Agora, é público que, além do assédio sexual à funcionárias, a grosseria e o constragimento também faziam parte da rotina do executivo contra os servidores.

Funcionários relataram casos de assédio moral praticados pelo executivo, inclusive em reuniões de diretoria, revelam gravações divulgadas nesta quinta-feira (30), pelo colunista Rodrigo Rangel, do Metrópoles

Guimarães fazia acareações entre os servidores quando percebia alguma divergência em respostas a seus questionamentos. Cumpria a ameaça de demissões. Xingava quando era contrariado e chegou a ter um surto esmurrando uma TV usada pela diretoria. 

“A gente tem 37 cargos de dirigentes e mais de 100 pessoas já passaram por esses cargos desde que ele (Guimarães) chegou”, relatou uma subordinada do gabinete.

Nesta semana, Guimarães foi exonerado do cargo após denúncias de assédio sexual por funcionárias. Quem assumiu o cargo foi a então secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec) e braço direito do ministro Paulo Guedes (Economia), Daniella Marques Consentino.

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Constrangimento e ameaças em reunião

Segundo esses relatos, no final de 2021, Guimarães não hesitou em constranger e xingar executivos da Caixa, em meio a uma reunião. O motivo: uma decisão que havia sido tomada pelo conselho do banco sem que ele tivesse sido informado.

A mudança nas normas internas “passou a estabelecer um limite à nomeação de Guimarães para conselhos da própria Caixa e de empresas nas quais o banco tem participação”, informou a reportagem. 

Com isso, o ataque de fúria teria sido provocado em razão de dinheiro, já que Guimarães só poderia ser remunerado pela atuação em, no máximo, dois conselhos. Ele chegou a ocupar 18 conselhos, alcançando uma remuneração de R$ 130 mil, além do salário mensal de R$ 56 mil. 

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Neste episódio, ele pediu ao amigo e vice-presidente da Caixa, Celso Leonardo Derziê Barbosa, que anotasse o CPF de todos presentes na reunião, porque se caso a conversa vazasse todos os presentes perderiam seus cargos. 

Celso Leonardo deveria garantir que o teor da reunião não vazasse porque, segundo Guimarães, Álvaro Pires, assessor do gabinete da presidência, é “pau mole” e não teria coragem de tomar providências. 

O vice-presidente seria o responsável por promover perseguição interna aos que desagradavam Guimarães.

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Sádico

Ainda, segundo os relatos, o ex-presidente colocava pimenta na comida dos subordinados e forçava-os a comê-la em viagens de trabalho.

“Quanto mais você chora e passa mal, mais ele ri. Ele é bem sádico. Em toda refeição de trabalho com ele tinha pimenta no prato de alguém, disse uma das funcionárias”.

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1 Comentário

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Vladimir

- 2022-06-30 20:18:29

Não é difícil acreditar nesses relatos. Essas pessoas ligadas umbelicalmente ao sujeito que ocupa a presidência da República não diferem em nada deste que idolatram. Difícil é acreditar que somente agora tenham conseguido furar a bolha e dar ciência a sociedade sobres este descalabro, mais um,do desgoverno milico miliciano. Este é um sinal de que nossa mídia, incluída a alternativa, não parece ser digna da confiança das pessoas. Desamparo. Esta é a situação do povo brasileiro.

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