Em um momento de turbulência na sucessão presidencial, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) adotou uma postura de distanciamento em relação à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Confrontada sobre os danos à imagem do enteado, após a revelação de que o parlamentar buscou financiamento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Michelle evitou blindar o aliado.
“Não estou me metendo nisso não. Tenho que cuidar do meu marido”, afirmou nesta terça-feira (19), em evento político no Distrito Federal. Ao ser questionada especificamente sobre a crise que envolve o senador, ela foi sucinta: “O Flávio, você tem que perguntar para ele”.
O espectro da substituição
A crise de confiança em torno de Flávio, agravada pelas suspeitas da Polícia Federal sobre o uso de R$ 61 milhões aportados por Vorcaro para o filme “Dark Horse” e possíveis desvios para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, tem alimentado especulações nos bastidores do PL.
Embora a legenda ainda não considere oficialmente a substituição do presidenciável, o nome de Michelle circula no bolsonarismo como um “plano B” viável, dada a fragilidade da pré-campanha do filho 02 do ex-presidente.
Essa relevância eleitoral é confirmada por números recentes. A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta semana coloca a ex-primeira-dama com 23,4% das intenções de voto. O cenário deve ganhar novos contornos na próxima sexta-feira (22), quando o Datafolha publica um levantamento inédito sobre o potencial de Michelle nas urnas.
Discurso de “pureza” e atritos internos
Enquanto o enteado enfrenta o desgaste, Michelle tem focado sua agenda pública em eventos de aliados próximos, como o lançamento da pré-candidatura da doceira Maria Amélia ao Legislativo do Distrito Federal. Em seus discursos, a ex-primeira-dama busca demarcar território e reforçar uma retórica de independência ideológica.
Durante evento no DF, ela exaltou figuras como Bia Kicis (PL) e o pré-candidato ao Governo do Ceará, Eduardo Girão (Novo). Foi uma oportunidade para disparar críticas veladas às alianças pragmáticas do PL com o grupo de Ciro Gomes (PSDB): “Se tiver que perder, vamos perder com dignidade, mas a gente não vai fazer aliança com o mal”.
Nos bastidores, dizem que a prioridade da ex-primeira-dama segue sendo a gestão da rotina do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, e o suporte a candidatas de sua própria ala, equilibrando ao trabalho com a construção de sua possível candidatura ao Senado pelo DF.
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