Em sua primeira agenda de campanha fora do Distrito Federal no segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Lula (PT) participou de uma caminhada pelo bairro do Alecrim, em Natal (RN), neste sábado (10). Durante o ato, o candidato à reeleição criticou a proposta de redução de despesas do seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), e afirmou que o pleito do próximo dia 25 de outubro definirá a manutenção da expansão de direitos sociais no país.
O tom do discurso concentrou-se nos impactos de um eventual ajuste fiscal na ordem de R$ 250 bilhões citado pela oposição. Lula questionou quais áreas da administração pública seriam atingidas pelo corte orçamentário.
“Quando o meu adversário diz que vai cortar R$ 250 bilhões, que vai ter um tesouraço, é preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde é que vai ser esse corte”, pontuou Lula. “Eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos, que teve coragem de cortar dos banqueiros, que teve coragem de cortar dos empresários, do sistema financeiro ou dos fazendeiros. Eles sempre cortam do povo”, acrescentou.
“Esse é um momento muito importante para o Brasil, porque a gente pode definir os rumos do futuro do Brasil que a gente deseja”, declarou o presidente. “Eu estou dizendo à sociedade brasileira que nós estamos vivendo um momento de aferição. Se o mundo quer viver uma mentira ou o mundo quer viver uma verdade. Que tipo de educação que a gente deseja para o país, que tipo de cultura, que tipo de saúde a gente deseja, que tipo de emprego que a gente deseja para os nossos jovens”, completou o pestista.
Defesa de programas sociais e acenos ao Nordeste
Ao rebater a perspectiva de contenção de gastos, o presidente listou medidas implementadas em sua gestão para proteger a renda da população de baixa renda, como a retomada do valor real do salário mínimo, a manutenção do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida, além do programa Pé-de-Meia, criado para combater a evasão escolar no ensino médio.
Ao tratar da oferta de medicamentos, ressaltou a ampliação do acesso à saúde pública. “Se ele [cidadão] tiver uma receita médica, vai comprar os remédios de uso contínuo sem precisar pagar”, disse, ao defender também a ampliação da oferta de exames laboratoriais em farmácias.
Lula também reforçou que a região Nordeste necessita de equidade nos investimentos de infraestrutura e educação pública para garantir oportunidades semelhantes às de outras partes do país.
“A única coisa que eu quero é que o Nordeste tenha a mesma oportunidade que os outros estados”, afirmou Lula, citando obras como a transposição do rio São Francisco, a ferrovia Transnordestina e o avanço da rede de universidades e institutos federais.
Mobilização local e combate à abstenção
A agenda em solo potiguar serviu também para alavancar a candidatura de Cadu de Lula (PT) ao governo do Rio Grande do Norte, único estado nordestino em que a disputa estadual foi para o segundo turno. Cadu disputa a preferência do eleitorado contra o ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil). Na votação de domingo (4), Allyson obteve 36,94% dos votos válidos (733.809 votos), ante 36,16% de Cadu (718.300 votos).
O palanque reuniu a governadora Fátima Bezerra (PT) e gestores estaduais da região, como Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará), Rafael Fonteles (Piauí) e Lucas Ribeiro (Paraíba), além do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Durante o ato, Lula comparou o perfil de Cadu ao do governador piauiense, destacando a experiência de ambos na gestão das finanças públicas estaduais.
Ao encerrar o percurso em carreata pela capital potiguar, o presidente pediu o engajamento da militância para dialogar com eleitores indecisos e combater a abstenção no segundo turno, motivado pelos índices do primeiro turno, quando 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas.
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