A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), a nona fase da Operação Overclean, aprofundando uma investigação que expõe um esquema de desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. O principal alvo é o deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA), em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados.
Por ordem do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão em Brasília e em três municípios da Bahia: Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. Além das buscas, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas sob investigação.
Emendas, contratos viciados e propina em espécie
As apurações, conduzidas com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, indicam que o parlamentar teria utilizado seu secretário parlamentar, Marcelo Chaves, como operador do esquema. Segundo a PF, há indícios de que Mendonça recebeu propina em troca da destinação de emendas parlamentares para ao menos três municípios baianos.
Relatórios encaminhados ao Supremo apontam que o grupo atuava principalmente em contratos de engenharia e limpeza urbana. O mecanismo era clássico: direcionamento de recursos públicos para licitações previamente ajustadas, com apoio de servidores que garantiam a vitória de empresas ligadas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento. Depois, os contratos eram superfaturados, e o excedente retornava em forma de propina.
A PF afirma que o dinheiro era entregue em espécie. Em mensagens interceptadas, o secretário Marcelo Chaves usava codinomes para tratar dos valores, como “caloi“, “platitas“, “soldas” e “praguinhas“.
Buscas em endereço de alto padrão
Em Salvador, um dos mandados foi cumprido no apartamento do deputado na Mansão Windberger, no Corredor da Vitória, uma das áreas mais nobres da capital baiana. O edifício abriga imóveis avaliados em até R$ 55 milhões. Endereços ligados ao parlamentar em Brasília também foram alvo da operação, embora seu gabinete na Câmara não tenha sido incluído nesta fase.
A autorização para as diligências foi concedida por Nunes Marques após a PF apresentar novos elementos de prova. Em junho do ano passado, durante a quarta fase da Overclean, o ministro havia negado pedidos de busca contra o deputado por considerar que os indícios, à época, ainda eram insuficientes.
Histórico de prisões e avanço da investigação
Esta não é a primeira vez que o nome de Félix Mendonça Jr. surge no inquérito. Em 2025, prefeitos de municípios baianos foram presos em flagrante em fases anteriores da operação. A PF também já pediu diligências envolvendo outros parlamentares, como Elmar Nascimento (União-BA), Dal Barreto (União-BA) e Vicentinho Junior (PP-TO).
Os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
A assessoria de Félix Mendonça Jr. ainda não se manifestou sobre as buscas desta terça-feira. Em ocasiões anteriores, o parlamentar afirmou que não cometeu irregularidades no exercício do mandato nem no manejo de emendas.
Deixe um comentário