As mensagens reveladas por Veja, provavelmente cedidas pelo senador Marcos do Val (Podemos), comprovam o que já se sabia desde 30 de dezembro de 2022 pela boca do próprio Jair Bolsonaro: ele tentou dar um golpe na vitória eleitoral de Lula com o objetivo de se manter no poder.
Naquele 30 de dezembro, momentos antes de deixar o Brasil sem prazo para retornar, Bolsonaro fez a última live nas redes sociais na condição de presidente da República. Ali, ele disse que passara os últimos dois meses longe dos holofotes da mídia, buscando alternativas à posse de Lula, mas não teve êxito porque faltou “apoio das instituições”.
“Está prevista a posse [de Lula] em 1º de janeiro. Eu busquei, dentro das quatro linhas [da Constituição], saída para isso aí. Se a gente podia questionar alguma coisa. Ninguém quer uma aventura. Muitas vezes, dentro das quatro linhas, você tem que ter apoios”, disse Bolsonaro.
Ele ainda acrescentou: “Em nenhum momento fui procurado para fazer nada de errado. Entendo que fiz a minha parte dentro das quatro linhas. Agora, certas medidas têm que ter apoio do Parlamento, de alguns [ministros] do Supremo [Tribunal Federal], de outros órgãos e instituições.”
Verdade ou não que Bolsonaro jamais foi procurado por alguém para elaborar um golpe com qualquer aparência de legalidade, o fato é que, pelas mensagens divulgadas por Veja, o contrário teria acontecido: Bolsonaro procurou o senador Marcos do Val, através do ex-deputado Daniel Silveira, com a arquitetura do golpe em mente.
A arquitetura do golpe
Bolsonaro e Daniel Silveira pediram que Marcos Do Val se aproveitasse de sua relação de mais de 10 anos com o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para se aproximar e grampear clandestinamente uma conversa que pudesse ser explorada e motivar, assim, a prisão de Moraes.
Certamente Bolsonaro imaginou que criaria uma crise institucional sem precedentes, com condições de dar as canetadas necessárias para impedir a posse de Lula.
De acordo com as mensagens, apenas cinco pessoas sabiam do plano, sendo os 3 políticos e mais dois militares do GSI, que forneceriam o equipamento de espionagem ao senador.
Marcos do Val declinou da missão e ainda revelou o plano ao ministro Alexandre de Moraes. O presidente do TSE não quis comentar o assunto a pedido de Veja. Não se sabe se Moraes tomou providências com a informação que recebeu em dezembro.
Na noite de quarta (1º), após o bolsonarismo ser derrotado na disputa pela presidência do Senado, do Val jogou a história no ventilador durante uma live nas redes sociais, e ainda anunciou que renunciará ao mandato.
Bolsonaro está nos EUA desde 30 de dezembro. Sua esposa, Michelle Bolsonaro, já retornou ao Brasil, mas o ex-presidente, preocupado com os processos que enfrentará, pediu visto de turista para passar mais 6 meses em Orlando.
Além das mensagens reveladas por Marcos do Val, Bolsonaro ainda tem contra si a minuta do golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.
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Paulo Dantas
2 de fevereiro de 2023 10:28 amEu teria cuidado com esta declaração.Creio ter mais coisa aí.
Um dia após a abertura do ano legistativo…
“Xandão” (com respeito), se manifestou ? Recebeu uma denuncia.
Vladimir
2 de fevereiro de 2023 10:44 amQuando essa gente se reúne só temos uma certeza: Nada de bom sai dali.
Rui
2 de fevereiro de 2023 12:22 pmDe acordo com o Valdemar Mensalão Costa Neto:
“A pressão em cima dele (Bolsonaro) foi uma barbaridade. Como o pessoal acha que ele é muito valente, meio alterado, meio louco, achava que ele podia dar o golpe. ELE NÃO FEZ ISSO PORQUE NÃO VIU MANEIRA DE FAZER. Agora, vão prendê-lo por causa disso?”. – Valdemar Costa Neto.
Portanto, se ele tivesse visto maneira de fazer o golpe…
Deviam prender o Bolsonaro não porque ele não viu maneira de fazer um golpe mas porque ele tentou o golpe em 8/1.
Rui
2 de fevereiro de 2023 12:29 pm“Xandão” (com respeito), se manifestou? Recebeu uma denúncia. Recebendo uma denúncia vazia, o Xandão tem o dever de se manifestar? Se se manifestasse, não iria inibir os golpistas? Não seria melhor dar corda a eles, fingindo que as bundas deles não estavam expostas na vitrine do golpismo bozofascita?
Paulo Dantas
2 de fevereiro de 2023 1:43 pmUma coisa é certa, primeiro dia de funcionamento do Congresso mas a pauta é a de “delegacia de polícia”, mídia na carona, sem agenda política.
Lá vamos nós CPI, CPI não sai, STF força CPI, mídia cobre CPI …
Rui
2 de fevereiro de 2023 2:23 pmÀs vezes a política é caso de polícia. Ou, em prol da agenda política, deveríamos esquecer essa pilantragem do Bostonaro e do $ilveira?