24 de junho de 2026

Senado rejeita Jorge Messias para o STF após aprovação na CCJ e oito horas de sabatina

O resultado surpreendeu o Executivo, pois aliados do governo calculavam apoio de ao menos 45 senadores, acima do mínimo de 41 necessários para a aprovação
Crédito: Andressa Anholete/ Agência Senado

Senado rejeitou indicação de Jorge Messias ao STF, com 42 votos contrários e 34 favoráveis nesta quarta (29).
Messias foi aprovado na CCJ por 16 a 11, defendeu laicidade do Estado e criticou o STF como “terceira Casa legislativa”.
Governo mobilizou aliados e líderes evangélicos, mas não conseguiu votos suficientes para aprovar a indicação no plenário.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. No plenário, 42 senadores votaram contra o nome escolhido pelo presidente Lula, contra 34 favoráveis, placar que frustrou a aposta do governo após uma jornada intensa de articulação política.

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O resultado surpreendeu o Executivo, que havia entrado na votação confiante. Aliados do governo calculavam apoio de ao menos 45 senadores, acima do mínimo de 41 necessários para a aprovação. A oposição, por sua vez, dizia ter 30 votos contrários, número que se revelou subestimado.

CCJ

Antes de chegar ao plenário, Messias passou por uma sabatina de cerca de oito horas na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde teve seu nome aprovado por 16 votos a 11, dois a mais do que o mínimo exigido. A sessão foi marcada por um discurso de abertura longo e emocionado, no qual o advogado-geral da União relembrou sua trajetória e recebeu aplausos prolongados ao final.

Com a Constituição Federal em mãos, Messias defendeu que é possível interpretar a Carta Magna “com fé e não pela fé”, e reafirmou a laicidade do Estado como garantia do livre exercício religioso. Evangélico, fez acenos à bancada religiosa ao longo de toda a fala, mas frisou que sua identidade de fé não se confunde com sua função pública.

Sobre o papel do STF, criticou a visão da Corte como uma “terceira Casa legislativa” e defendeu que o Supremo não pode ser o “Procon da política”, pregando mais decisões colegiadas e maior transparência dos ministros. Em gesto político, citou elogiosamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG), numa tentativa de suavizar o impasse que sua indicação havia gerado com Alcolumbre, que defendia o nome de Pacheco para a vaga.

Temas polêmicos

Messias foi questionado sobre uma série de assuntos sensíveis. Declarou ser “totalmente” e “absolutamente” contra o aborto, mas defendeu um olhar humanizado para cada caso e reconheceu as exceções previstas em lei, classificando qualquer interrupção de gravidez como uma “tragédia”.

Sobre os condenados pelos atos do 8 de Janeiro de 2023, disse ter cumprido seu papel constitucional de zelar pelo patrimônio público e chamou o episódio de um dos capítulos “mais tristes” da história do país. Foi ainda interpelado sobre o inquérito das fake news e o Marco Temporal.

Mobilização e apoios

Ao longo do dia, o governo mobilizou uma série de aliados para pressionar por votos favoráveis. O ministro da Defesa, José Múcio, chegou ao Senado ao lado de Messias. Os presidentes nacionais do PSB, João Campos, e do Republicanos, Marcos Pereira, compareceram pessoalmente à CCJ. Líderes evangélicos, entre eles os bispos Samuel Ferreira e Abner Ferreira, da Convenção Nacional das Assembleias de Deus do Ministério de Madureira, circularam pelos corredores pedindo apoio.

O ministro Wellington Dias (PT-PI) chegou a se licenciar da pasta da Assistência Social para retomar seu mandato e votar. Ex-ministros que já haviam deixado o governo em função das eleições, como Camilo Santana (PT-CE) e Renan Filho (MDB-AL), também participaram da sessão.

Indicação

Messias havia sido escolhido por Lula em novembro do ano passado para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Desde então, passou meses percorrendo gabinetes em busca de apoio. O governo, no entanto, só formalizou a indicação em abril, segurando o envio para ganhar mais tempo de articulação — estratégia que, ao fim, não foi suficiente para garantir os votos necessários no plenário.

*Com informações da CNN e g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

10 Comentários
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  1. AMBAR

    29 de abril de 2026 7:53 pm

    Surpreendente. Mas o Lula está livre para escolher outro(a) candidato(a) e o Bessias não perde nada.
    Tanto os salários quanto as prerrogativas do STF a carreira dele já tem, seria só o status e a visibilidade que fariam alguma diferença. O Pacheco acha que “agora vai”.
    Estamos aqui duvidando, embora a gente não possa garantir que o Lula capitule em favor do Pacheco.
    Ademais, um outro “terrivelmente evangélico” no Supremo pode trazer alguma desagradável surpresa em futuro próximo.Enfim, as orações e o jejum não subiram.

  2. Marcos Vinicius

    29 de abril de 2026 8:07 pm

    Perceberam que são três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Dos três o Executivo é o que menos têm poder, espero que esse episódio deixe claro para a sociedade brasileira essa face do nosso Presidencialismo. Veto, indicação, o Presidente da República têm poderes limitados e revisados pelo Congresso, é um cargo que não serve para nada e infelizmente é uma força desigual distorcida e endossada pela própria Constituição – o Congresso não têm freios, exceto se o Judiciário agir sobre e se agir… Enquanto isso, vamos continuar nesse impasse político por falta de homens com espírito institucional e responsabilidade pública.

  3. WWagner Indigo

    29 de abril de 2026 8:11 pm

    Lula está tentando perder esta Eleição , tantos são os erros.
    A indicação do Dino foi difícil , e acho que passou por ser Senador Eleito
    na época .
    Ai veio o Galipolo , mais difícil ainda , pois até parte dos seus eleitores não
    queriam , mas Lula insistiu e vimos quem é este moço, que só Lula parecia
    não ver.
    Agora vem o Messias que parece ser uma mala saída do mesmo armário
    do Galipolo . 3 Ministros do STF , parte da Bancada Evangélica e Lula , e o
    moço já dava sinais de rejeição sólida do Senado .
    Disse hoje opinando que é dever de um Eleitor , que Lula deveria ter deixado
    esta indicação com os Ministros , a Bancada Evangélica e Alcolumbre .
    Não seria rendição , mas sabedoria e aglutinação do Eleitorado , pois a
    Eleição está bem ai .
    Lula pagou prá ver e viu !!!

  4. ed.

    29 de abril de 2026 10:27 pm

    A menos que não exista uma mulher (de preferência negra) habilitada para ser a escolha nesta emergência, já que seria mais difícil a rejeição pelo Senado, parte do pior Congresso da História.

  5. brunobgl

    30 de abril de 2026 1:10 am

    A falência, tanto da articulação política do PT, quanto da capacidade de Lula escolher um nome, qualquer nome. Lula 3 chega ao fim como se fosse um governo Dilma 3, apesar de alguns bons números na macroeconomia que não fazem nem cócegas no cidadão comum e não mudam absolutamente nada na dinâmica socioeconômica interna. Inclusive as estatísticas de nível de emprego computam iFood e Uber como “empregado”. Não duvido que computem também o menino da mariola da estrada e o desempregado que vende bala no ônibus com “empregados”. Talvez computem ainda como “empregados” os escravizados, de Bento Gonçalves a Montes Claros.
    Tamo fu! (e a culpa não é da Janja! Depois de hj, depois do “Bessias” indicado e reprovado no Senado, nem adianta o PT tentar se sair com essa)

  6. Fábio de Oliveira Ribeiro

    30 de abril de 2026 6:34 am

    A maioria dos senadores decidiu IMPEDIR o funcionamento adequado do Poder Judiciário. Isso configura crime de responsabilidade, mas o delito não será punido porque os próprios criminosos certamente não condenarão a si mesmos. Esse paradoxo constitucional é a verdadeira crise, não a derrota de Lula.

  7. Aristóteles Cardona

    30 de abril de 2026 6:45 am

    Lembrar que em visita a Pernambuco, o presidente Lula quase que expulsou manifestantes de esquerda, numa inauguração, de vaiar democraticamente a governadora de direita, acreditando que andar com porcos, não o faria comer farelo?
    Taí a parceria com Alcoolumbre, Motta e Arthur Lira!

  8. emerson57

    30 de abril de 2026 10:32 am

    No xadrez da indicação de ministro para o STF, penso que o próximo movimento do Lula deveria ser indicar HOJE o nome de PEDRO SERRANO.

  9. Lorena

    30 de abril de 2026 2:43 pm

    O Congresso usurpa prerrogativas do executivo. Quando o Bolsonaro entregou a gestão do orçamento (prerrogativa do executivo) para o Congresso eles não o largaram mais. O Banco Central “privatizado para os banqueiros” tirou do governo eleito a prerrogativa de gerir a política de juros. Agora o Congresso quer ususpar a prerrogativa do presidente de indicar o candidato a ministro do STF. O próximo passo é o impechment de minsitro do STF sem causa.

  10. LCAO

    30 de abril de 2026 2:50 pm

    O Lula 3 teve 3 chances de indicar candidatos a ministros do supremos. Ele deu de ombros para a base que o elegeu que pediu a indicação de mulheres e negras. Sempre nesta linha de reconhecer os amigos e conciliação com o Centrão. ” Quem com porcos se mistura, farelo come” .

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