Ministro da Saúde quer incluir igreja em debate sobre aborto

Jornal GGN – O ministro da Saúde, Ricardo Barros, quer envolver as igrejas na discussão sobre o aborto. “Vamos ter de conversar com a Igreja. A decisão do ministério não deve provocar resistência ou discussão. Temos de ajustar. Antes de propor uma política para isso, vamos ter de realizar um diálogo muito amplo”.

Ele comparou o tema ao crack. “É uma entre outras mazelas que precisam ser cuidadas pelo poder público”.

O ministro possui informações sobre o aborto no Brasil. “Recebi a informação de que é feito 1,5 milhão de abortos por ano. Desse total, 250 mil mulheres ficam com alguma sequela e 11 mil vão a óbito. Esse é um tema que vou estudar com muito carinho com nossa equipe. Vou ver com o governo qual será nossa diretriz para agir nessa direção. Essa é uma decisão de governo. Não de um ministério, algo que possa ser decidido individualmente”, disse.

Do Estadão

Ministro quer igrejas no debate sobre aborto

Por Lígia Formenti

BRASÍLIA –  O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou nesta segunda-feira, 16, que quer envolver as igrejas na discussão sobre aborto no Brasil. O ministro reconheceu que o País enfrenta um problema relacionado ao tema, com grande número de procedimentos realizados de forma inadequada e muitas mortes. “Como é o crack. É uma entre outras mazelas que precisam ser cuidadas pelo poder público”, disse.

Deputado federal licenciado e ex-relator do orçamento, Barros já tem definido o valor que vai pedir numa reunião programada para amanhã com o ministro do Planejamento, Romero Jucá: R$ 14 bilhões, recursos que já estavam previstos para a pasta, acrescidos de pagamentos a prestadores de serviço e fornecedores que não foram quitados em anos anteriores. A seguir, os principais trechos da entrevista.

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Como o senhor pretende tratar o tema do aborto? 

Esse é um tema delicado. Recebi a informação de que é feito 1,5 milhão de abortos por ano. Desse total, 250 mil mulheres ficam com alguma sequela e 11 mil vão a óbito. Esse é um tema que vou estudar com muito carinho com nossa equipe. Vou ver com o governo qual será nossa diretriz para agir nessa direção. Essa é uma decisão de governo. Não de um ministério, algo que possa ser decidido individualmente.

O senhor considera aborto um problema de saúde pública? 

Esse é um problema que existe e precisa ser cuidado. Como é o crack. Como tantas outras mazelas da sociedade que precisam ser cuidadas pelo poder público. Mas a maneira como vamos abordar isso vai depender de discussões. Vamos ter de conversar com a Igreja. A decisão do ministério não deve provocar resistência ou discussão. Temos de ajustar. Antes de propor uma política para isso, vamos ter de realizar um diálogo muito amplo.

Não há um risco de se demorar muito tempo para que um consenso seja alcançado? O senhor trabalha com algum prazo?

Se você acompanhar o meu ritmo vai saber que o longo prazo para mim é muito rápido. Farei essa interlocução muito rapidamente. A primeira ação será ouvir. Isso vale para vários assuntos.

O senhor tem como meta uma gestão de consenso?

Vou ouvir o máximo que eu puder para que toda ação do ministério seja um pacto e não seja apenas uma proposta. Vou propor algo que quem está lá na ponta vai praticar. Para não ficar uma coisa como o ministro sugere e depois provoca discussão, não é feito. Vou combinar especialmente com prefeitos. Visitarei todos os Estados.

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Mas de todas demandas ouvidas, qual é a prioridade?

Há dificuldade de financiamento. Vou ouvir os prefeitos, temos de fazer uma articulação ampla. E fazer algo que possa alcançar o maior número de pessoas. Vou tratar gestão, governança, prevenção e informação. A prioridade hoje é informação. Quero ter a capacidade de saber como cada real do SUS é gasto, online.

O senhor falou em pôr em prática o Cartão SUS, algo que é proposto há pelo menos 15 anos. Há dinheiro para isso? Por que isso não foi em frente?

Os recursos disponíveis no DataSus deverão ser redirecionados para essa tarefa. Se conseguir informatizar toda estrutura do SUS saberei como cada cidadão é atendido. Resolveremos o problema dos cartões duplicados. Hoje existem cerca de 300 milhões, número muito acima da nossa população. O sistema já foi implantado, mas precisa ser aprimorado para que duplicações desapareçam. É o mesmo problema da Cédula de Identidade, que pode ser feita em 27 Estados. 

Qual a verba que o senhor pleiteia para levar adiante seus projetos no ministério?

Na quarta à tarde vou falar com ministro do Planejamento, Romero Jucá. Vou pedir que o que está no orçamento seja cumprido. Nem um centavo a mais. E vou pedir restos a pagar (dívidas adquiridas com prestadores de serviços e fornecedores que não foram pagas até o momento). Eu gostaria de ter recursos para cumprir tudo o que está contratado e cumprir os restos a pagar. Não sei se o ministro vai conseguir. Ele terá de discutir com o Congresso Nacional a meta fiscal deste ano. E essa proposta terá de refletir todas as demandas que ministros estão apresentando para ele. Esse dinheiro vai ter de ser emprestado. Vai ser necessário emitir letras do Tesouro para pagar essa conta.

12 comentários

  1. Deus é fiel e a Gaviões também!

    Deus é fiel e a Gaviões também!

    Deveria haver um plebiscito para saber se a maioria da população está de acordo com pastores e padres na política. Isso sim!

  2. .

    Na questão do aborto é 8 ou 80.

    O meio termo o caminho da sensatez e do equilibrio da trabalho e mais despesa para o governo. Quem defende o aborto simples e conveniente deseja o caminho mais facil.

    Afinal são 1,5 Hum milhão e quinheitos mil enjeitados.

    O governo muito mal ampara as crianças existentes, não é mesmo. Qto mais este contingente de enjeitados.

    Então o mais facil é eliminar o mal na raiz ou no ventre mesmo.

    Não tem nada a ver com religião e sim com fraternidade, ética solidariedade.

    E muito provavelmente se a bandeira nacional portasse o simbolo de Jesus Cristo, as coisas seriam mais descentes neste Pais.

  3. Comentário sardônico

    Não há problema em incluir as igrejas nesta discussão. Será uma “discussão ecumênica” interessante. Só quero saber se budistas (que é uma religião sem deus, e ainda é uma leitura aproximada dela), islâmicos e seitas de garagem entrarão nesta.

    Mas como muitos deles seguem mais aquilo que alguns homens disseram como lei de deus (qual deus, ou serão deuses?), a questão do aborto fica no “sou a favor” ou “sou contra”.

    Pois grande parte dos obscurantistas são incapazes de tolerância em relação àqueles que ainda professam o laicismo e a liberdade de culto que, se não fosse por esta, uma parte dos obscurantistas não teriam nem voz para suas tolices e nem palavra.

    Em resumo, seriam uns hereges – a mesma acusação dada a muitos defensores da interrupção da gravidez.

    Coerência não é base da prática religiosa.

  4. não tem coragem

    É muito simples de entender: não tem peito para discutir o assunto e assumir a consequencias de seus atos por isso quer chamar as igreijas.

    Só falta chamar a mamãe…

  5. Essa foi boa!

    Incluir a Igreja na discussão sobre aborto. O tema é de saúde pública e o cara quer chamar pra discussão quem insiste em ignorar isso, dizendo que tem que seguir a bíblia e proibir o aborto…

    Me lembrou o Marcinho VP, chefe do tráfico no Morro Dona Marta, que queria que os traficantes fossem ouvidos no debate sobre a violência no Rio de Janeiro, para “apresentar sugestões”…

  6. Água benta

    As terapias da ÁGUA BENTA sairão bem mais baratas do que todos aqueles remédios caros!

    Pastores poderão realizar as poderosas correntes nas Unidade do SUS e acabar com as filas de espera!

    Quem sabe vamos ter:

    Segunda dos milagres da Oftalmologia.

    Terça do fim das dores reumáticas…

    È duro!

     

  7. + comentários

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