O Instituto Sou da Paz lançou nesta terça-feira (9) a campanha Vote pela Paz e um documento de propostas intitulado “Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma Segurança Pública de Verdade”. A iniciativa tem como objetivo elevar a qualidade do debate eleitoral e exigir que candidatos apresentem planos concretos, com metas e compromissos reais para reduzir a violência no país, em contraposição ao que o instituto chama de improviso e populismo penal.
“A população está cansada de frases de efeito, improviso e promessas simplistas na área da segurança pública. O que as pessoas querem é resultado concreto, proteção no cotidiano e políticas que funcionem de verdade”, afirmou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Sou da Paz.
País ainda violento
Apesar de alguns indicadores nacionais terem melhorado, como a queda nos índices de homicídios, o instituto alerta que o Brasil ainda registra mais de 44 mil mortes violentas por ano. O cenário inclui ainda a expansão do crime organizado, o crescimento das fraudes e extorsões digitais, a persistência dos roubos, especialmente de celulares, e o avanço da violência contra mulheres e meninas.
A percepção da população acompanha essa realidade. Pesquisa do próprio Sou da Paz mostra que 94% dos brasileiros reconhecem algum grau de violência na cidade em que vivem. Mais da metade (53%) evita sair à noite, e um terço (31%) deixou de usar o celular na rua como medida de autoproteção.
Propostas
A agenda eleitoral apresenta ações aplicáveis tanto no âmbito estadual quanto federal, organizadas em cinco eixos prioritários: proteção de meninas e mulheres; fortalecimento das polícias; enfrentamento ao crime organizado; redução dos roubos; e retirada de armas ilegais de circulação.
Entre os pontos centrais estão a valorização dos profissionais de segurança, o fortalecimento da investigação criminal, o uso responsável de tecnologia, a maior integração entre instituições e o combate ao tráfico de armas.
A pesquisa do instituto também revela que a população é favorável a soluções mais sofisticadas: 82% considera que câmeras corporais protegem bons policiais e produzem provas contra criminosos; 73% acredita que mais armas resultam em mais violência; e 65% avalia que o problema não é a quantidade de policiais, mas a necessidade de uma polícia mais bem preparada e profissionalizada.
Além do tráfico
Um dos destaques da agenda é o olhar ampliado sobre o crime organizado. Segundo dados compilados pelo instituto, as organizações criminosas movimentaram mais de R$ 350 bilhões nos últimos três anos, com atuação em áreas como venda ilegal de combustíveis, garimpo, contrabando de cigarros e bebidas alcoólicas.
Carolina Ricardo ressaltou que o enfrentamento eficaz exige ir além das operações policiais tradicionais. “É preciso trazer o sistema financeiro para o debate, fazer investigação financeira e combate à lavagem de dinheiro.”
O documento aponta ainda que o crime organizado representa uma ameaça ao Estado Democrático de Direito ao se infiltrar na administração pública e na política. Como consequência, registrou-se um crescimento de 335% nos casos de violência política no Brasil nos últimos três anos.
Entre as medidas propostas estão o fortalecimento da cooperação entre Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público e polícias estaduais, além de parcerias internacionais para combate à lavagem de dinheiro e aos mercados ilícitos. O instituto também defende o reordenamento da ação policial, com prioridade para investigação e inteligência, e recomenda que operações de incursão territorial sejam tratadas como medida excepcional, adotada apenas quando houver condições reais de segurança para a população e para os próprios policiais.
*Com informações da Agência Brasil.
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