
A estatística costuma ser traiçoeira. Analise a manchete abaixo.

Trata-se de um estudo elaborado por professores e repercutido pela mídia. Todas as matérias realçaram o fato de que caiu a geração de emprego e só aumentou na Agricultura.
Imagine um feto na barriga da mãe. Depois de alguns meses, ele se transforma em um projeto de bebê. Seu crescimento foi de milhares por cento. Aí chega-se perto da hora de dar à luz. O bebê vai crescer lentamente, caso contrário explodiria a barriga da mãe.
Ou melhor, pense um país que estava com PIB de, digamos, 10. Se o PIB aumenta 5, será um crescimento de 50%, e vai para 15. Se o PIB cresce mais 5, e vai para 20, o crescimento terá sido de 33,33%. Se crescer mais 5, o novo crescimento será de 25%. Tudo isso, porque a base de comparação aumentou.
O mesmo ocorre com o mercado de trabalho. Se o mercado bate na mais baixa média histórica de desemprego, a geração de novos empregos despenca, é óbvio, porque a maior parte da mão de obra estará empregada.
O estudo tomou por base o Cadastro Geral do Emprego, ou CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), um registro administrativo mensal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que monitora o mercado de trabalho formal brasileiro, o emprego com carteira de trabalho.
Já o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) pesquisa o mercado de trabalho completo, o formal e o informal.
Os dados divulgados hoje, referente ao período junho-agosto de 2025, mostram o menor nível de desemprego da série histórica. A Força de Trabalho desocupada é de 5,6%, cerca de 6 milhões de pessoas. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma redução de 14,6% do desemprego, ou cerca de 1 milhão a menos.
A população Fora da Força de Trabalho cresceu 502 mil, ou 0,8%, equivalente a 65,8 milhões de pessoas. Mas provavelmente se deve à melhoria da renda da família, permitindo mais tempos de permanência dos filhos na escola,

O gráfico comparando o contingente Desempregos+Fora do Mercado com a população Ocupada, mostra a chamada boca de jacaré: o aumento da distância entre Ocupados e Desempregados.

Já na composição do emprego, Agricultura foi um dos dois setores que registraram queda de emprego. E essa queda tem sido continuada devido à automação do campo. A automação reduz a quantidade de trabalhadores não especializados e aumenta a de trabalhadores especializados, contratados dentro do mercado formal.

O resultado líquido é o gráfico do Rendimento Médio dos trabalhadores. Houve alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado, e de 10,5% em relação ao mesmo período de 2015, quando a economia bateu no fundo do poço.

E uma queda continuada na proporção de Desalentados + Subutilizados.

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