A candidatura de Moro e lixo radioativo em Minas Gerais

Luis Nassif discute os efeitos da candidatura do ex-juiz e ex-ministro, e recebe o vereador Daniel Tygel (PT)

Foto: Lula Marques / AGPT

Jornal GGN – O risco existente em torno da candidatura de Sergio Moro e a denúncia de despejo de lixo radioativo na cidade de Caldas (MG) foram pauta da TV GGN 20 horas desta sexta-feira.

O programa teve início com uma rápida analise sobre os dados da covid-19 no Brasil: foram registrados 12.392 casos de covid-19 no país. A média diária semanal ficou em 9.188, 0,3% abaixo do visto há sete dias e 16,2% a menos ante 14 dias.

Quanto aos óbitos, 630 pessoas morreram de covid-19 no Brasil. A média diária semanal ficou em 227, 15,5% abaixo do visto há sete dias, mas 10,9% acima do apurado há 14 dias.

Por outro lado, a curva de registros de casos no mundo voltou a subir – dos 10 países com mais casos registrados, nove estão na Europa. Em 14 dias, foram registrados 27% a mais de novos casos.

Nova cepa e o mercado financeiro

Um dos destaques do dia foi o anúncio da Omicron, uma nova cepa do coronavírus que derrubou os mercados financeiros. A repórter Tatiane Correia comentou o impacto desse anúncio nas bolsas.

“Basicamente os mercados entraram em pânico por conta dessa nova cepa que, embora tenha sido detectada inicialmente na África do Sul, já tem casos registrados em Israel, na Bélgica, e em Hong Kong”, diz Tatiane.

“A questão é que esse vírus, essa nova cepa, já sofreu várias mutações – cerca de 50 mutações mais ou menos. E existe a possibilidade dela ter um rastro de contágio muito grande (…)”

“Nos mercados financeiros, hoje já seria um dia mais ou menos fraco por conta do Thanksgiving, hoje é Black Friday – então, o mercado norte-americano já não funcionaria a todo vapor (…)”.

De acordo com Tatiane, a reação dos analistas foi um tanto quanto distinta: “tem gente pedindo para ter atenção com relação à exposição de curto prazo, mas tem analista pedindo calma com relação aos investimentos, pois a covid-19 vai se tornar uma espécie de gripe”

“Então, se cada vez que as pessoas ficarem preocupadas com o vírus da gripe, por exemplo, que sofre muita mutação, com a covid-19 vai ser a mesma coisa”, pontua Tatiane.

Veja a repercussão da nova cepa no mercado financeiro nas matérias abaixo

Omicron leva mercado brasileiro a acompanhar queda internacional

Temor com nova variante derruba mercado financeiro internacional

Nova variante de covid-19 escancara desigualdade na cobertura vacinal

A candidatura de Sergio Moro

Sobre o nome de Sergio Moro como candidato da terceira via, Nassif lembra as semelhanças existentes entre o ex-juiz e o atual presidente, Jair Bolsonaro.

” O Bolsonaro falava para o baixo clero das Forças Armadas, é o sujeito que conseguiu graças à política contornar todos os sistemas de controle hierárquico (…) O Bolsonaro representa o lumping, aquele pessoal de setores desorganizados, aquele pessoal não politizado, pessoal que nunca teve percepção de poder que de repente é empoderado”.

Por outro lado, Nassif lembra que Moro representa a tentativa das corporações públicas de assumir o poder de Estado.

“Você não pode dar para uma corporação de Estado um poder superior ou de derrubar alguém eleito pelo povo. E quem é eleito pelo povo é o presidente da República”, diz Nassif.

“No Brasil, com a Lava-Jato você subverteu totalmente essa lógica, e subverteu com uma falta total de pulso da parte dos governos do PT (…)”, pontua Nassif.

Segundo Nassif, quando a geopolítica norte-americana resolve abrir mão da parceria com militares para montar parcerias com o Poder Judiciário, especialmente com o Ministério Público, ocorre uma subversão da ordem.

“E o que ocorre com a Lava-Jato: os governos petistas não seguram essa rebelião (…) O que ocorre no período Lula, especialmente no período Dilma: primeiro essa maluquice de permitir que os procuradores escolhessem seu PGR”

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“Na medida em que começa a caminhar a Lava-Jato, o governo fica atrás (…) Quando começam os abusos, o governo se encolhe. Qualquer tentativa de tomar atitude vinha a imprensa e falava ‘isso aí é a venezuelização, isso é chavismo’, e o governo recuava”, lembra Nassif.

“Desse imbróglio todo emergem as corporações públicas. Juízes de primeira instância em vários lugares, procuradores em vários Estados saem para fazer passeata, Polícia Federal fazendo campanha aberta para o Aécio (…) Uma coisa inconcebível, só concebível quando você tem um governo fraco”

“O Moro representa o que tem de pior na sociedade brasileira, que é uma classe média preconceituosa, contra a política, autoritária e que despertou a ambição de setores, dentro da máquina pública, dos mais amplos”, diz Nassif.

“Se vem um cara que nem o Sergio Moro, a parte pior do Supremo estaria com ele, inclusive desmanchando toda essa resistência do Supremo ao arbítrio – ele tá ganhando poder legitimador agora por estar segurando o Bolsonaro (…)”.

Para Nassif, com Moro no poder haveria um alinhamento, abrindo a porta para uma ditadura perfeita. “Todos esses abusos da Lava-Jato seriam estendidos para o país inteiro (…) Esse é um risco considerável”.

Lixo radioativo em Minas Gerais

Nassif aborda a questão dos resíduos atômicos – empresas nucleares brasileiras estão levando todo o resíduo para a cidade de Caldas, em Minas Gerais. Para discutir o assunto, Nassif conversa com o vereador Daniel Tygel (PT).

“O que está acontecendo não é exclusivo de Caldas. Estamos falando de rejeitos radioativos, em uma caixa d’água (…) que abastece uma série de cidades principalmente no estado de São Paulo”, diz Tygel

“Estamos falando de rejeitos radioativos com muita capacidade de se espalhar no ambiente, com elementos altamente perigosos para a saúde humana e também para a própria biodiversidade”, explica o vereador.

Tygel destaca a ameaça de que a unidade da INB – Indústrias Nucleares do Brasil – que está no município de Caldas se transforme em um repositório, em um depósito de rejeitos e materiais radioativos. “Essa indústria nuclear de Caldas foi um laboratório, um experimento de tentativa de mineração de urânio malsucedida, já se sabia que a densidade era muito pequena (…) Foi uma política fracassada e ficamos com um enorme passivo ambiental”

“E tudo isso parou em 94, e essa unidade precisa ficar monitorando. São toneladas de cal tendo de ser lançadas em barragens de água cheias de metal pesado, que se dissolvem e podem se espalhar pela natureza, em um monitoramento muito delicado e muito complexo”

“Não bastasse esse problema, o que nos preocupa é que esse rejeito fruto dessa mineração de urânio muito mal planejada, que já é alvo de um programa de descomissionamento que vai se dar pelas próximas décadas, acabou não sendo nosso problema”

“Na década de 90, veio para Caldas na calada da noite, aparentemente sem licenciamento ambiental, mais 12,5 mil toneladas de material radioativo altamente tóxico que  gera, através do seu decaimento, doenças como câncer (…) Estão aqui em Caldas provisoriamente, sem nenhum tipo de estrutura – e quem fala é um acórdão do TCU, quem fala são vistorias da própria Comissão Nacional de Energia Nuclear”, ressalta Tygel.

“Esse material, que não nos cabe, veio do Estado de São Paulo e nos gerou um grande problema, é um bode na sala. Mas o pior é que agora nós estamos falando de virem mais 1,2 mil toneladas de material radioativo, agora de Interlagos”.

Clique abaixo e veja a análise de Nassif sobre a candidatura Moro, além do alerta do vereador Daniel Tyger sobre o lixo radioativo na região de Caldas.

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1 Comentário

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gonzalez

- 2021-11-27 16:10:58

Todo e qualquer município regulamenta atividades empresariais, define protocolos, atividades, regulamenta o nível de atividade, produção, comércio de produtos. É muito simples, uma lei municipal poderá limitar essas atividades. Promulga-se a lei, coloca guardas devidamente armados nas entradas da cidade, claro se os cidadãos, a prefeitura e os vereadores se importam com a cidade, esperar pela burocracia, de promotores, juízes, advogados, Ibama, é melhor mudar de cidade.

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