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FHC: "Não é esquerda nem direita, é republicana"

Por Gilberto _

De O Estado de S. Paulo

‘Centro-direita não tem a ver com PSDB’, diz FHC

Ex-presidente esclarece informação publicada pelo ‘Estado’ de que ele havia endossado sugestão de pesquisadora americana

Gabriel Manzano

Direita, esquerda, centro, socialistas ou neoliberais “são apenas rótulos, coisas externas à vida real dos partidos”, e não faz sentido pedir que uma sigla vá para a “centro-direita” ou para a “centro-esquerda”. Essa é a resposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à avaliação feita pela acadêmica norte-americana Frances Hagopian, em entrevista ao Estado, segundo a qual o PSDB “devia assumir-se como partido de centro-direita”.

Diferentemente do informado pelo Estado domingo passado, FHC não concorda com Hagopian nesse aspecto político-ideológico, externado por ela em entrevista exclusiva antes de palestra no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo.

O que o ex-presidente endossa é a avaliação feita pela especialista americana, durante a palestra, de que os tucanos devem defender os seus feitos do passado: as reformas adotadas no País nos anos 90, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que trouxeram a estabilidade política e econômica ao Brasil.

Ainda sobre o aspecto ideológico, o ex-presidente alega que, teorias à parte, “a dinâmica dos partidos no Congresso é bem outra”. “Na prática, há uma base que sustentou o governo Lula, sustentou o meu, e antes dele o governo Sarney”, afirmou FHC. “Concordo com a Hagopian quando diz que o PSDB tem de se diferenciar, assumir o que fez. Mas falar em centro-direita não tem nada a ver com o PSDB nem com outros partidos. Não é por aí.” O ex-presidente lembrou que “até Paulo Maluf já se definiu como social-democrata”.

Que lhe parece a avaliação da americana Frances Hagopian de que o PSDB deveria “assumir-se como de centro-direita?

Acho que ela tem uma contribuição positiva, mas exagera a programatização dos partidos. A tese dela é que os partidos se tornaram mais programáticos e isso permitiu a aprovação das reformas. Quando fala em programatização, tem essa visão de que o PSDB fez aliança com o centro, com a centro-direita. E o PT, que era de esquerda, acabou vindo para a centro-esquerda etc. Isso é uma visão dos rótulos dos partidos. A dinâmica no Congresso é bem outra. Essas caracterizações tipo centro, centro-esquerda, centro-direita, neoliberal, socialista são externas à prática real. O que há é uma base, que sustentou o governo Lula. Que também sustentou a mim, ao Sarney.

Não se deve, então, falar em esquerda e direita ?

Há uma insistência nessa dicotomia. Isso se deve à falta de analisar os processos reais, o mundo concreto. Não é que inexista uma esquerda, mas... o que significa a esquerda hoje? Ninguém mais pensa, como no passado, coisas como coletivização dos bens privados, feita por um partido que dominasse o Estado em nome de uma classe. Isso não ocorre mais.

Mas não existe uma “modernização” do modelo? Por exemplo, a opção de um Estado forte, centralizando a economia, com forte apoio do BNDES a empresas?

Isso o general Geisel já fazia nos anos 70. Não chamaria isso de esquerda. É um modelo econômico sustentado em vários setores, em vários momentos da história. Como fez o Geisel.

No ensaio O Futuro da Oposição, o sr. pedia ao PSDB uma atenção especial às novas mídias e à nova classe média. Há uma ideologia nesse fenômeno?

Eles funcionam como se fossem radicais livres. São pessoas que mudaram de categoria de renda, mas que ainda não são, sociologicamente, uma classe. Na medida em que vierem a ter as mesmas teias de relações sociais, vão exigir maior qualidade dos serviços do Estado.

E que ideologia eles adotarão?

Cada um vai para um lado. Na verdade, a população nem sabe bem o que é esquerda ou o que é direita. O fato é que todos vão demandar coisas concretas.

E as tarefas do PSDB?

Esse foi o ponto em que eu concordei com a análise da Hagopian, o PSDB tem que se diferenciar, assumir o que fez. Mas qual a diferença, neste momento? O PT está privatizando aeroportos, privatizando estradas, fez um Proer recentemente para salvar alguns bancos pequenos... E veja, antes isso era herança maldita... Essas diferenças entre os petistas e o que eles chamavam de neoliberalismo não existem mais. O que existe é a maior ou menor ingerência dos partidos na gestão da coisa pública. No nosso tempo, havia menos ingerência.

Quando Gilberto Kassab disse que o PSD “não é de centro, nem esquerda, nem de direita”, foi um sinal da desimportância da ideologia nos partidos brasileiros?

 Provavelmente, sim. Como não estão se desenhando alternativas ao que aí está, fica difícil dizer o que é esquerda, o que é direita. Não se esqueça que, há um bom tempo, o Paulo Maluf se declarou social-democrata.

Se tivesse de dar um nome às ações do PSDB iniciadas pelo seu governo, qual seria?

Primeiro, temos uma tradição republicana, nos diferenciamos bastante nisso. A coisa pública tem que ser respeitada como tal e não ser objeto nem de apropriação privada nem político-partidária. Isso é uma linha. Não é esquerda nem direita, é republicana.

O lulismo pode ser chamado de uma ideologia?

Não. É um estado de espírito, um sentimento. Não é ideologia. Não está propondo nada.

O que o sr. diz da direita?

Quem defende a direita no Brasil? Ninguém. Mas na prática ela existe – mas a nossa direita é muito mais o atraso, o clientelismo, fisiologismo, esse tipo de questão, do que a defesa dos valores intrínsecos da propriedade, da hierarquia. Não tem muito essa defesa.

E como o PT conseguiu aliança com o clientelismo mantendo a imagem de partido de esquerda?

Isso foi a grande pirueta que o PT fez. Como ele nasceu como partido dos trabalhadores, com uma luta assentada nisso, na inclusão social, ele se deitou no berço esplêndido da política tradicional. Se houve uma metamorfose importante, foi exatamente isso, porque o Lula simboliza isso. Ninguém foi capaz de reviver tantas forças do tradicionalismo e se sentir cômodo nelas como o próprio Lula. E ainda dar-se bem eleitoralmente.

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Comentários

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Este papo furado, que já não existe direita ou esquerda, é só para transformar tudo em uma geleia geral e enganar eleitor incauto.

 

PrezadoNassif

Em uma só sentença definidora  , estas intelectualmente pretenciosas definições políticas da Prática Política Brasileira deveriam serclasificadas  : "Ou nos moralizemos todos, ou nos locupletemos as escancaras !"

E viva (SIC) a Privatarização da Petrobrás !.

 

Dastanhêda

Ja disse!  Ja disse!  Sarah Palin fez combustivel do proprio xixi primeir...

Opa!  Errei de post!  Desculpem me...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Mas... é Republicano de Esquerda ou de Direita?

 

E ainda há gente que prefira o Lula... que talvez nem entendesse o que estava sendo questionado...

 

 

Defender a herança maldita de FHC é uma missão suicida, ainda mais quando os próprios tucanos se envergonham dela. Quem em sã consciência quer lembrar de oito anos sem qualquer reajuste salarial, de salário mínimo miserável e aviltante, da farra homérica com o patrimônio público, os aposentados tratados como vagabundos, os trabalhadores escorraçados até mesmo por forças do Exército, o crescimento pífio, os miseráveis 700 mil empregos, o FMI quase sentando na cadeira do presidente, o Brasil de joelhos diante dos Estados Unidos, o corrupção desenfreada varrida para debaixo do tapete? Cansa até para fazer a lista de mazelas que aquele malfadado governo impôs ao país.

 

 

“O que há é uma base, que sustentou o governo Lula. Que também sustentou a mim, ao Sarney.”

Ué, a base do PT não era comprada pelo mensalão??? Então no governo dele como ela foi cooptada se ele acha  que “Essas caracterizações tipo centro, centro-esquerda, centro-direita, neoliberal, socialista são externas à prática real.” ?

E na última pergunta ele revela uma frustação:

“Ninguém foi capaz de reviver tantas forças do tradicionalismo e se sentir cômodo nelas como o próprio Lula. E ainda dar-se bem eleitoralmente.”

Apesar de ter feito aliança com Antônio Carlos Magalhães dá a entender que não se sentia confortável com isso.

 

 

 Tá feio o negócio pros lados do Nandinho. Os tuco estão envergonhados da própria legenda.

  Tal como os pfelistas,se borraram tanto que trocaram para DEMO, ai vem o PSD  e acaba

  com a festa. Por pura economia, poderiam fazer o funeral de ambos,na mesma capela.

 

 

Olha, sinceramente, li apenas alguns trechos da entrevista. Não vale a pena ler tudo. O lugar de FHC é o ostracismo. O que ele fala ou deixa de falar é uma nulidade.

 

" a defesa dos valores intrínsecos da propriedade, da hierarquia."

aff, se revelou heim, fhc?

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

O nosso grande pensador sociologo injustiçado se "alevanta" para corrigir essa professora americana, que não entende nada de ideologia,  e ousa dizer que o PSDB é de centro direita. É muita ousadia dessa moça, contrariar assim o pensamento fernandoenriqueano, que já decretou o fim das ideologias e já declarou, tantas vezes, o quanto o PT é  fisiologico e"sem vergonha" ...

 É por essas e por outras que  os franceses pararam de conceder titulos de Doutor para o Farol de Alexandria. Ele surtou depois do ultimo titulo do Lula.

Em tempo: eu lamento muito mas não é apropriado fazer piada com a Comissão da Verdade. Porém, essa do Fernando Henrique  é demais ...

 

Virou nem-nem, o PSDB. Parece que até FHC capitulou...

 

pega mal se assumir de direita no brasil depois do que os militares fizeram em 64. eu mesmo, quando ouço que alguém é direitista, fico com o pé atras. e acho que eles percebem isso, dai o medo em assumir.

mas e aquela coisa né, a gente rotula as coisas de acordo com o conteudo. se o doce do pote tem cor de morango, cheiro de morango e sabor de morango, então dizemos que o doce é de morango,  ainda que ele jure ser de abobora.

 

fhc: "...Não é que inexista uma esquerda, mas... o que significa a esquerda hoje?..."

"...Não chamaria isso de esquerda..."

 

Atacou, atacou, mas não disse nada sobre o que considera ser "de esquerda".

Exceto que ele implica que isso incluiria privatizações, já que o Lula fez meia-dúzia...

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

"Diferentemente do informado pelo Estado domingo passado, FHC não concorda com Hagopian nesse aspecto político-ideológico..."

o abEstado se desmentindo pro Boca Mole não ficar mal na fita e fazer um looooooooooongo discurso affffffffe que preguiiiiiiiiiiiiiiiiiiiça

 

O que o fhc e demais emplumados não gostam é de ser rotulados de direita.....agora a prática é com eles mesmos...rsrs.

 

"Nem de esquerda, nem direita...".

Deve ser de fundos.

 

Poxa vida, semana passada a Web (furo dos hermanos) ficou surpresa com a pergunta de uma fã de FHC em pleno exercício jornalístico na Europa: "Porque não Fernando Henrique?" O príncipe encantado deve ter ficado todo bobo com tamanho ato de subserviência!

É uma piada após outra, não sobra tempo para respirar, rs. Agora as aves predatórias desenvolveram (sic) uma nova estratégia: não esconder o legado do ex. E o PiG tem se esforçado para endossar isso, basta ver as aparições do longevo senhor nos forra-gaiola e na telinha, com direito a povão diferenciado do programa de inclusão global da Regina Casé. Naquela oportunidade, Sir FHC foi batizado como "criador de tudo que está aí". Não dá, gente. O homem se considera o alfa!

E mais uma vez vemos ele serelepe nas páginas do Estado em defesa do indefensável. Enfim, o PSDB é ou não é um partido de direita? Vou fazer uma pergunta polêmica, tucanos não reconhecem isso, mas...

"Quantas pessoas negras fazem parte dos quadros do PSDB?"

Só essa questão já demonstra o viés elitista desse partido. Vamos enumerar outras?

 

Toda vez que ouço alguém dizer que os tucanos são sociais-democratas e que "a sigla do partido indica isso" retruco que na Russia o partido Neofascista de Vladimir Jirinovski chama-se  Liberal Democrático. O PSDB é Direita e ponto final.

 

O PSDB é um partido de CENTRO - DIREITA neoliberal e não é razoável renegar isso, justamente quando o neoliberalismo está em decadência acentuada em suas matrizes européia e americana....

 

(...) mas a nossa direita é muito mais o atraso, o clientelismo, fisiologismo, esse tipo de questão, do que a defesa dos valores intrínsecos da propriedade, da hierarquia.

Perfeita a avaliação da direita brasileira, o DEM é exatamente isso. Mas, de onde ele tirou a ideia de que a esquerda defende anarquia - em contraponto à hierarquia?

 

No Brasil a única proposta política da Oposição é o golpe.

Nem esquerda, nem direita... Ambidestros? Nem esquerda, nem direita, somente bons e maus gestores da mesma coisa! O PSDB adora esse discurso. Essas "coisas" não são apenas rótulos. O pensamento neoclássico tem seu teóricos. Os socialistas, idem. Desenvolvimentistas de diversos matizes políticos, também. O pensamento tem sim relação com a ação política, por mais que às vezes essa relação se deteriore.

O que o Fernando Henrique faz, e penso que isso deve ser particulamente irritante para Sociólogos, é usar esquemas sociológicos prontos para interpretar a realidade da forma que mais lhe parece conveniente. Assim, o clientelismo, por exemplo, passa a servir de munição cada vez mais esvaziada de significado, uma vez que não se busca "dar nome aos bois", mas somente um uso de ocasião para atacar o outro lado.

Mas o que esperar de alguém que repete o mesmo em cada entrevista: "O Lula é vaidoso demais, diz que foi ele que fez tudo para o Brasil ter melhorado. É mentira, é arrogância! Não aceito! Quem fez tudo foi eu!". Eu acho que na verdade, Madame Bovary também não era Flaubert, era o FHC.

Francamente...

 

nassif, olha que interessante esse artigo do Murillo de Aragao sobre as recentes criticas do FT aos conselhos de Dilma

Pouco sabem o que se passava por aqui

Nos anos 90, mais precisamente em 1991, fiz a minha primeira palestra sobre o Brasil para investidores em Wall Street. De lá para cá, foram mais de 200 ou 300.

Algumas vezes, fiz verdadeiros road-shows, durante os quais falava cedo em Nova York, almoçava em Boston e terminava o dia voltando para Nova York, com um pit-stop em Chicago.

O mesmo se dava em Londres. Assim, de palestra em palestra, conheci dezenas de cidades da Europa e dos Estados Unidos.

Ao explicar para investidores estrangeiros o que é o Brasil, tive algumas certezas, como: a) o mercado, aquele mesmo que inventou o termo “brics”, é profundamente ignorante sobre o que é o Brasil; b) os investidores pouco se esforçavam para entender o país, com escassas e honrosas exceções.

As escolas e os tais MBAs que frequentavam pouco ensinavam a compreender países mais complexos, como Brasil e Rússia. Pior, não ensinavam a olhar para os indicadores e os sinais que poderiam antecipar ciclos de prosperidade ou grandes problemas.

Muitas vezes, pelo fato de os problemas e os dilemas de países como o Brasil já estarem superados em outros. Outras vezes, por conta da educação egocêntrica que recebem.

Um dos casos mais extravagantes de erro de julgamento do mercado foi o da Argentina. Encantados com a alvura e a europeização daqueles que vendiam o país, perderam bilhões de dólares com os calotes que receberam – e perdem até hoje.

Um amigo argentino me disse que, em seus 50 e poucos anos de vida, assistiu quatro vezes ao seguinte processo: hiperinflação, saques a lojas e mercados e desvalorização cambial. Mesmo assim, o país foi muito bem-apresentado para investidores várias e várias vezes.

Preferiram acreditar na conversa mole portenha a olhar com mais detalhe e escrutínio, por exemplo, para o Brasil.

Por quê? Como o Brasil sempre esteve na ponta do devedor de divisas, era tratado com desdém. Síndrome de credor. Porém, ao desdenhar, os investidores cometiam um grave erro: não entendiam as reais dimensões, os vícios, os defeitos e as potencialidades do país.

Centenas de vezes recebi em meu escritório representantes de bancos, de fundos de investimentos e de pensão, de fundos soberanos e de agências de risco. Queriam saber o que ia acontecer com o país.

Muitas vezes recomendei: ao invés de falar com a turma do mercado, que sempre vai passar a ideia de que o eixo das preocupações é o déficit público e quejandos, visite as indústrias que estão há décadas no país e sabem, de cor e salteado, o que é bom e o que é ruim no Brasil e, mesmo assim, continuam aqui, felizes e contentes.

Agora, o blog beyond brics ataca a presidente Dilma Rousseff acusando-a de petulância por dar conselhos à Europa. Ora, qual é o problema? O Brasil é um dos países – talvez a maior economia do mundo – que, paciente e resignadamente, ouviu toda sorte de conselhos e recomendações.

Queriam fazer do Brasil o modelo de países que nunca tiveram. Preocuparam-se com a “explosão” da dívida interna sem saber os componentes psicológicos, sociais e políticos que envolvem o processo.

Nunca se importaram em saber que existia um mercado interno ávido para consumir e que bastava um pouco de renda para destravar um ciclo muito interessante.

Espantavam-se quando ouviam dizer que no Brasil, mesmo nos confins do Amazonas, fala-se a mesma língua – diferentemente da China e da Índia, por exemplo – e que um índio em tribos remotas sabe o que é danoninho e fralda descartável.

Condenavam o sistema tributário local sem saber exatamente onde ele estava e por quê. Era o tamanho da carga? Ou a complexidade do processo? Cobram reformas constitucionais que nenhum de seus países conseguiu fazer.
Sem entrar no mérito das críticas, o que importa é pontificar a imensa ignorância.

Uma vez, em um almoço com o correspondente de uma vetusta publicação estrangeira, eu disse que estava preocupado com a qualidade do que publicavam. Ele, muito surpreso, me indagou por quê. Respondi que se o nível de besteiras que eles publicavam sobre o Brasil era igual ao dos demais países, a situação da qualidade da informação era muito grave. Tínhamos que buscar outras fontes.

O Brasil, com suas virtudes e defeitos, é um país a ser descoberto. Até mesmo pelos brasileiros do Sudeste – onde se encontra a maior parte da população. Imagina então por uns e outros que escrevem de uma mesinha perto de Canary Warf?

 

Murillo de Aragão é cientista político

 

retirado de http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=409704&ch=n

 

Se a história fosse mesmo contada, os fatos fossem mesmo revelados, claramente, as cartas todas na mesa, será que só a direita seria maculada? Se conhecessem todas as ações dos políticos, será que seriam capazes de suportar a verdade? De encarar e aceitar a verdade?

Aí sim começaríamos a ter uma discussão madura e séria sobre a política. Hoje não existe? Sim, existe, mas é bem parcial e muitos políticos são eximidos de seus atos, da responsabilidade pelo que porventura tenham feito, ou que queiram fazer.

Enquanto a cidadania não perceber que todo "mal necessário" é totalmente desnecessário, e que uma sociedade pode avançar muito mais, ser muito melhor, sem desvios de conduta e sem valores tortos, não será possível deixar de patinar sempre que se aproximam os momentos decisivos da história.

Alguns políticos querem se impor como se apenas eles fossem capazes de fazer coisas boas, mas se isto é real, esta já é uma enorme anomalia da história de um país. Outros se aproveitam de cargos e carreiras públicas para privatizar os benefícios, isto é, tudo que acontece e que é dever do Estado, ou que é conquista pessoal dos cidadãos, passa a ser fato apenas por que esse ou aquele político "deixou" acontecer, ou fez acontecer. Se não fosse ele...

A grande maioria das situações políticas de hoje no Brasil estão muito distantes da maturidade, e muitas delas seriam difíceis de aceitar ou de acreditar.

A cidadania vai ter de dar um basta nisso, se não quiser continuar com sua vida sempre pela metade, da metade para menos.

 

Continuação do neoliberalismo é o que vivemos até hoje. Essa conclusão é irrefutável (www.divida-auditoriacidada.org.br). O atual governo aprimorou tal conduta. Veja-se que as migalhas das condições econômicas brasileiras sendo dadas ao povo brasileiro, para que ele não se rebele, foi recomendação do Banco Mundial. Pagar uma dívida antecipadamente e com ágio (pasme!) (http://www.youtube.com/watch?v=9Y4pp87OpoE), foi essa a conclusão da CPI da Dívida sobre o que foi feito para “saldar” a dívida externa, transformando-a em interna (cujos títulos, paradoxalmente, estão em grande parte nas mãos de “investidores” estrangeiros). E o que antes era juro de nem 5%, passou a mais de 10%. Brasil soberano é Brasil auditado. Até quando, o camaleonismo (neoliberalismo camuflado de neopopulismo)? O pensamento único é realmente dotado de complexidades, evoluindo darwinianamente. Ano passado: quase 45% do orçamento geral da União para a dívida e 8 dos 12 novos bilionários são banqueiros; salário mínimo em torno de 500 reais, saúde e educação públicas com mais ou menos 6% do orçamento da União. Somos quase socialistas!

 

A coisa pública tem que ser respeitada como tal e não ser objeto nem de apropriação privada nem político-partidária.

Ele continua o mesmo, só que agora em vez do " esqueçam o que eu disse" é o esqueçam o que eu fiz.

 

 

O PSDB é social-democrata, de centro-esquerda, na teoria, de blá, blá, blá... Nunca jamais se aproximou de fato do povão, dos movimentos sociais, das comunidades, das associações, dos sindicatos... Quem fez isso sempre foi o PT. E quando Lula chegou ao poder tirou 50 milhões de brasileiros da pobreza. Isso é ser de esquerda, de verdade, na prática, sem conceitos ou definições teóricas, de lousa de faculdade. Já o PSDB só fez o povo ficar ainda mais pobre e continua distante do povo, se reunindo em salas com ar-condicionado e cafezinho como faziam desde os anos 80.

 

" Quem fez isso sempre foi o PT." esse é um engodo.

Vejo isso na prática no orçamento participativo onde quem comparece e funcionário da   prefeitura e ou do partido.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Interessante como o Serra e o FHC levantam o público aqui no blog. Só perdem para o Rafinha Bastos.

Comentários indignados. É só jogar a minhoca que todo mundo avança!

Já a Comissão da Verdade dá pouco retorno...

Com que cara podemos falar de história? 

Freud explica!!!

 

Gilberto .    @Gil17

 

É verdade! E se for para qualquer coisa que não seja condenar os dois, prepare-se para tomar cacetada. Outro dia, quando falaram do PSD, teve gente que comentou que "nós temos que tomar cuidado...", "nós não podemos nos acomodar". Nós quem cara-pálida, o espaço do blog por acaso é reservado para um pensamento único???

E o mais engraçado depois é ler no post sobre tolerância, um monte de gente pregando o que não pratica.

 

 

 

Já com o rafinha bastos, o drigoeira é tolerante:

"O programa passa depois das 22:00, já é censurado! Agora fazem a censura da censura.

Quando passava os filmes de Emanuelle na madrugada da Band, e os filhos de vcs ficavam até tarde da noite de sábado assistindo, ninguém reclamava.

E as novelas da Globo, nem se fala (21:00 hs).

O que estão fazendo é chutar cachorro morto. Covardia pura.

É o mesmo que uma gangue de rua atacar alguém de outra gangue."

http://www.advivo.com.br/comentario/re-a-defesa-do-pai-de-rafinha-131

 

Gilberto .    @Gil17

Trollando...

 

Rodrigo,

Provocando o debate. Com fatos.

Veja os posts sobre a Comissão da Verdade.

Não perco tempo para ganhar estrelinhas dizendo o que todos gostam de escutar.

Não preciso fazer o ataque ao FHC. Bastou postar a sua entrevista...

 

Gilberto .    @Gil17

Basta mexer com o Príncipe das Trevas e o troll fica incomodado e tenta desviar o assunto. Aliás, quem engavetou a Comissão da Verdade foi o próprio FHC, afinal qual a origem dele? De qualquer forma, um troll da direita querer Comissão da Verdade é estranho.

 

Spok entrando na guerra das estrelas.

Só faltou o c no Spock, vai faltar uma estrela!

 

Gilberto .    @Gil17

" Já a Comissão da Verdade dá pouco retorno... "

Bom, vou ter de concordar nesse ponto. Quando o Nassif levanta algum texto sobre a Comissão da Verdade não passa de meia-dúzia de comentários. Se a comissão não mobiliza nem a esquerda, imagine a sociedade de manira geral. Não é a tôa que a Erundina fica falando sozinha.

 

Segunda tem discussão no Brasilianas sobre a Comissão da Verdade (TVBrasil).

Gostaria de ver o assunto discutido por todos.

Nossas práticas políticas tem muito a ver com isto. Mais do que parece.

 

Gilberto .    @Gil17

Se um blogueiro progressista fizesse uma entrevista dessas com Lula, seria chamado de bajulador. Por isso ainda prefiro ler os ataques aos petistas. Lembra mais jornalismo, ao menos pelo aspecto questionador. O entrevistador demonstra comungar de todas as opiniões de FHC sobre os adversários. Nem um colega de partido seria tão cúmplice ao fazer "perguntas" ao ex-presidente tucano.

 

A direita continua enrustida...

Sai do armário, FHC !!!

 

 

O PSDB é um partido de direita com ideologia neoliberal.

Sua prática política e seu discurso nunca saem disso.

São fatos que observamos na prática do dia-a-dia.

O resto é baboseira.

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

O Sr. FHC não tem compromisso NENHUM absolutamente, nenhum compromisso com a seriedade intelectual, indispensável em pessoas do seu porte político. É uma tristeza um ex-presidente , conhecido por sua "intelectualidade" e "saberes" escrever ou dizer tanta coisa que soa como fora do contexto histórico da humanidade. Parece simplemente algum politiquinho do interior de sp em candidatura a prefeito , batendo no candidato da situação do pt, por exemplo.

Dureza ver que nossa "elite" tenta apagar a história. Acho que isto ocorre porque eles têm muitas responsabilidades ...

Pensem sobre essa que doeu nos meus ouvidos ao lembrar das privatizações:

--- Se tivesse de dar um nome às ações do PSDB iniciadas pelo seu governo, qual seria?

Primeiro, temos uma tradição republicana, nos diferenciamos bastante nisso. A coisa pública tem que ser respeitada como tal e não ser objeto nem de apropriação privada nem político-partidária. Isso é uma linha. Não é esquerda nem direita, é republicana.  ---- Contradição com o ocorrido no governo FHC.

 

 

 

E tem mais. Vamos privatizar a Petrobras, entregar o Pre sal aos americanos, privatizar os bancos e as universidades publicas, e detonar o Bolsa Familia e todos os programas sociais. É cada um por si e Deus por todos...  Mas isso não é ideologia de Direita não. É Republicano. Todo mundo faz ... Uma coisa eu concordo com "Farol de Alexandria": o Geisel era moderado, era centro direita. O PSDB é Direita mesmo, assim mesmo com D maiúsculo ... Direita. Direita. Direita ...

 

Seria mais honesto, ou mais sábio, em vez de dizer que o partido não é de direita, nem de esquerda, e também em vez de dizer que é "republicano" (esse nome infelizmente parece ter caído de vez na vala comum, virou o próprio "saco de gatos", esvazia-se de significados decisivos na história presente), dizer que às vezes é de direita, às vezes é de esquerda, às vezes é republicano, às vezes não, às vezes muito pelo contrário... Infelizmente a discussão política caiu nessa anomia ideológica e ética. Bem, às vezes é ideológico, às vezes pragmático, às vezes fisiológico, às vezes idealista, às vezes não...

Mas precisamos chamar a atenção para o fato de que os outros partidos também incorporam isso, apenas com estilos ou discursos diferentes, desde que ocupem um espectro básico, ao qual podem se reportar ou ao qual podem recorrer, nas horas do debate: "imagine, que absurdo, pois nós somos isso, nós somos aquilo, nós sempre isso, nós nunca aquilo...".

A questão é que o posicionamento, a escolha, o projeto, a análise, são inerentes a política, são a política! Então o que se faz, o que se pensa, "ou não", precisa ser praticado e deveria ser exposto, deveria ser a base da política e não da dissimulação. A distãncia entre o projeto e o discurso, de um lado, e a gestão e as práticas, de outro, transformaram a política brasileira nesse espetáculo triste a que assistimos hoje. E a responsabilidade é de todas as forças políticas, principalmente das duas mais importantes.

Tudo se resume no jogo de poder, na correlação de forças, e, em nome disso, cada vez se torna trivial o absurdo, cada vez mais lideranças, aliados, militantes e até cidadãos, e suas famílias praticamente inteiras, em sua vida privada, aceitam derivar para um vale-tudo do tipo salve-se quem puder, ou do tipo vale-tudo. Atos os mais impróprios e muitas vezes ilegais passam a ser valores altamente justificáveis nesse jogo sem caras e sem luz, mas de máscaras e de sombras.

É aí que entra a ideologia, o projeto, o compromisso, a plataforma política, a cobrança dos atos efetivos, a revelação do motor central, do coração que move as pessoas e os partidos. E então é importante que pessoas e partidos se definam em torno de orientações e tendências, mesmo que sejam cruzadas, "uma ora de direita, outra de esquerda, outra misturada...", mas que apresentem um discurso provado, convincente, que se possa comprovar na realidade.

Não é fugindo da discussão política nem escamoteando a discussão política que se conseguirá novos avanços na sociedade brasileira, e que se evitará os retrocessos ou as tantas e gravea mazelas que ainda persistem.

 

Horácio,

Sábias palavras.

Mas é muito mais fácil bater em cachorro morto e achar que são, todas mazelas, fatos superados.

 

Gilberto .    @Gil17

Fazemos tudo que eles querem! Mas não queremos ser confundidos com eles.

 

  Poxa, que legal o Feudão passar uma informação errada e dar espaço a alguém para que tudo seja corrigido. Melhor ainda, uma entrevista!

  Tenho certeza de que amanhã mesmo o jornal vai imprimir uma edição especial com uma loooonga entrevista com o Lula, apenas para que ele corrija tudo o que o jornal inventou, digo, "interpretou" a respeito do que ele disse na última década.

 

Ai meu Deus, como esse cara me cansa... Nassif e colegas: vamos dar um tempo sem falar nele. Será possível?? "Nem esquerda nem direita"... Me engana que eu gosto!!! Nem li o texto, nem quero ler e não vou ler!!! Para mim chega!!!

 

José Antônio

Todos os que estão no espectro político de direita no Brasil têm como primeiro argumento questionar a definição de esquerda e direita, repare. (exceção é o Serra, cara de pau, que ainda teve a coragem de se dizer de esquerda.)

 

Esta resposta de FHC me fez lembrar de uma clássica foto de Janio Quadros, em que parece enrolado com as próprias pernas tipo "pra que lado vou"... rssss