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Igrejas evangélicas crescem na França

Do Opera Mundi

Igrejas evangélicas ganham terreno na França em tempos de crise econômica

A cada dez dias uma nova igreja evangélica abre as portas no país europeu
 
Luiza Duarte/Opera Mundi


Culto na Église Réformée de Belleville, em Paris. Cada vez mais franceses abraçam a fé protestante

Ao som de bateria e teclado, quatro cantores dão o tom do culto na igreja, enquanto são acompanhados fervorosamente por fiéis que, com os braços erguidos, dançam e repetem as letras mostradas em um telão. Logo acima, os escritos “Dieu est Amour”. A cena, comum para a maioria dos brasileiros, é novidade na França, que viu a fé neopentecostal crescer nos últimos anos, impulsionada pela crise econômica.

Na França, a cada dez dias uma nova igreja evangélica abre as portas, de acordo com dados do CNEF (Conselho Nacional dos Evangélicos da França). Essa é a corrente religiosa que mais se expande no país e a com o maior número de praticantes.

“A primeira razão é simplesmente a necessidade de esperança”, opina Sébastien Fath, sociólogo das religiões especializado no protestantismo e autor de Do gueto à rede – O protestantismo evangélico na França e do recém lançado Nova França Protestante – Desenvolvimento e crescimento no século XXI.

Cenas de um culto na Igreja evangélica de Montreuil CCPE, leste de Paris:
“O contexto de crise, que atinge a sociedade francesa, tem por consequência um certo número de patologias sociais, como a solidão. O Estado não pode fazer tudo, as prestações sociais e capacidades de intervenção são em geral fragilizadas, pois há menos dinheiro público. A igreja evangélica responde às necessidade que o Estado não se encarrega mais”, avalia o sociólogo, que enfatiza o caráter otimista do discurso evangélico, em um país onde o pessimismo é grande.

Embora o sociólogo defenda que haja fiéis também nas classes mais favorecidas, ele admite que a religião vem atraindo proporcionalmente mais jovens e imigrantes, principalmente chineses, coreanos e originários das antigas colônias francesas na África. Em dezembro, 24,2 % dos jovens estavam desempregados.

“Muitos franceses estão desencorajados diante da crise e da globalização. Há uma certa depressão e uma necessidade de perspectiva,” diz Fath. Já para Étienne L’Hermenault, batista e presidente do CNEF, órgão criado há menos de dois anos, o sucesso das igrejas evangélicas é reflexo de uma sede por religiosidade. “A crise não é simplesmente financeira, mas também moral. Há um cansaço, de uma sociedade que perdeu muitas referências e que busca valores”, argumenta.

Fath defende que o retorno da religiosidade está ligado à crise do discurso político. “Os franceses estão decepcionados com a política. O país que, durante muito tempo exportou pensamento político, se desencantou com as soluções políticas, há 15 ou 20 anos atrás”, avalia.

Conversão

Longe do anonimato das ruas, nas manhãs de domingo na entrada da Église Réformée de Belleville a recepção é calorosa e personalizada. “É a proximidade entre nós, os pastores, e nossos fiéis que faz a força do movimento evangélico”, afirma Amos Ngoua Mouri, pastor da Communauté Évangélique la Bonne Nouvelle, no norte de Paris.

Mais da metade dos evangélicos franceses tinha outra religião. “Essas igrejas se apresentam de uma maneira adaptada às formas de comunicação contemporânea, enquanto as tradicionais utilizam ainda modelos históricos e ultrapassados. As evangélicas recrutam”, explica Frédéric Rognon, professor de filosofia das religiões na Faculdade de Teologia Protestante de Estrasburgo, na França.

Luiza Duarte/Opera Mundi

Vista geral da Église Réformée de Belleville, em Paris. Na frase em dourado, "Deus é Amor"

L’Hermenault, também presidente da Faculdade Livre de Teologia Evangélica de Vaux sur Seine, principal instituição para a formação de novos pastores franceses, anuncia que o objetivo é alcançar a meta de uma igreja para cada 10 mil habitantes, ao invés dos atuais uma para cada 30mil.

Ao todo, são 2308 igrejas em território francês, que abrigam o ainda discreto número de 600 mil evangélicos. Desde 1950, eles são nove vezes mais numerosos, em um país onde apenas 5% da população se declara praticante de alguma religião.

Fé pública, questão privada

Na igreja evangélica Paris Bastille é possível ver os vídeos do último culto no iPhone e acompanhar o blog do pastor. Outros atrativos são as visitas em casa, os grupos de estudo e as atividades de inserção específicas para jovens, crianças, mães, casais ou idosos. À vontade com a revolução digital, para Fath, esse estilo litúrgico é mais adaptado à cultura dos jovens que a tradicional missa católica.

“O lado da expressão pública da fé dos evangélicos, quase publicitário, choca numa cultura francesa que relega a religião ao domínio privado”, afirma, garantindo que as coisas estão mudando no país da laicidade. O pastor camaronês Mouri confirma que o movimento evangélico é mais reconhecido no espaço público, embora ainda seja uma minoria.

A presença dos mulçumanos teria sido a primeira abertura para a naturalização da expressão religiosa em lugares públicos. “Há um retorno da visibilidade da fé mesmo entre os católicos.  A procissão do 15 de agosto em Paris pela 'Ascenção da Virgem' é um dos exemplos disso. Algo que não poderíamos imaginar, há 20 anos atrás”, cita.

Missionários latinos

Pastores brasileiros têm cruzado o oceano para conquistar essa nova terra. “Nós sabemos que hoje a rede evangélica é transnacional. Há uma presença brasileira de protestantes na França. A Igreja Universal do Reino de Deus foi fundada em Paris já há alguns anos e também outras igrejas neopentecostais”, afirma mesmo sem poder contabilizar esse fluxo.

“Não é comparável com a ligação que existe com a América do Norte, mas isso deve se desenvolver”, dizem. Para eles, missionários latinos têm boa reputação entre os franceses, além de brasileiros, pastores espanhóis e portugueses também são populares, como Nuno Pedro, português que faz cultos para oito mil pessoas todos os domingos na megachurch Charisma, em Saint-Denis, periferia de Paris.

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Leandro Ramos Benfatti

RE: Igrejas evangélicas crescem na França

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Mello, concordo com vc em gênero, número e grau! E olha que sou um protestante luterano, viu? Sessão do descarrego na Itália deve ser mesmo o recorde mundial da gritaria!!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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+17 comentários

Ateus inúteis e vazios, e egoístas, deixem o caminho livre. Pagarão pelas suas bocas.

 

Toda vez que vejo comentário preconceituosos contra a igreja protestante (como aqui) fico feliz, porque a bíblia diz que os cristãos seriam perseguidos, não vemos católicos sendo perseguidos.

 

A igreja protestante vai muito além da TV e da Igreja Universal, mas vocês perseguem todos nós. Eis o cumprimento da profecia dada por Jesus.

 

muito perigoso isso, aqui no Brasil quando esses pastores ficam berrando a gente observa que as pessoas ficam ainda mais abobalhadas, lá na Europa e EUA é diferente, eles saem dando tiro pra todo lado.

 

O poeta Auden escreveu mais ou menos: "em tempos de crise, abra um bar". Além disso, diga-se: em tempos de crise, abra uma igreja.

 

Carlos Magno deve estar se revirando no túmulo. Tanto trabalho para dezenas de séculos depois... E, ainda,  Sarkosy preocupado com véus mulçumanos.

 

Lixo...

 

ANTIFA!

Melhor assim, quem sabe eles não ficam menos arrogantes, prepotentes e preconceituosos.

A leitura da palavra de Deus, aquebranta o coração, acalma a alma.

Sou totalmente contra religião, qualquer uma.

“A crise não é simplesmente financeira, mas também moral. Há um cansaço, de uma sociedade que perdeu muitas referências e que busca valores”, argumenta.

Concordo plenamente.

Que bom que uma parcela da sociedade tenha mudado.

 

Consagre os seus sonhos e projetos ao Senhor, e eles serão bem sucedidos, creia.

gAS

Eu  gostaria  de  ver  uma  sessão  de  descarrego  na  Itália......Deve  ser  o  recorde  mundial  da  gritaria....

 

Pelo texto a igreja que cresce é a Église Réformée. A igreja dos hunguenotes, calvinista. Igreja de Vitor Hugo, André Gide, Roland Barthes, Le Corbusier e outros.

Os missionários apenas despertaram uma igreja de 500 anos que estava adormecida. É bom perceber que cresce a igreja protestante, não a igreja neopentecostal. E é bom salientar que pelas leis francesas abrir uma igreja na França não é tão fácil como no Brasil ou EUA. Existe exigências tão grandes que é melhor reunir em grupos numa casa.

Já foi o tempo de países em crise procurarem igreja, procuram, mas não com essa lógica: na-crise-vou-para-a-igreja. Isso não está acontecendo na Grécia, nem Portugal, nem Espanha, nem Irlanda, onde a crise é muito pior.

A Eglise Reformee sempre foi, na Franca, um celeiro de cientistas, em 1983, na época do nascimento de Lutero, uma revista do CNPq fez um estudo sobre a ciência nos países protestantes, na França para cada cientista católico havia 73 protestantes. Fato curioso é que no inicio do século XX o Brasil não tinha a História do Protestantismo. Embora os protestantes já estivessem aqui há mais de 100 anos. Foi um francês Emile-Leonard da Eglise Reformeé, da Sorbone, que escreveu a primeira obra da história do protestantismo brasileiro. Os americanos logo escreveriam uma outra. Mas a obra de Leonard sempre foi livro texto  da história protestante até a década de 80.

Acho que antes de fazer essa comparação do crescimento da Église Reformeé com o neopentecostalismo, se deve olhar de forma menos apaixonada a história desta igreja e seu momento.  É um desconhecimento histórico brutal tomar essa igreja como uma igreja neopentecostal ou que vá se tornar uma.

 

Nova Revolução rancesa na contramão da História.

 

Entre os radicais da Revolução Francesa, membros do Comitê de Salvação Pública, companheiros de Robespierre, havia um pastor, Jean Bon Saint-André:

http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Bon_Saint-Andr%C3%A9

"He was born at Montauban (Tarn-et-Garonne), the son of a fuller. Although his father was a Protestant, Saint-André was brought up by the Jesuits at Marseille, and took orders. He turned Protestant, however, and became pastor at Castres and afterwards at Montauban.

The proclamation of liberty of worship made him a supporter of the Revolution, and he was sent as deputy to the National Convention by the département of Lot.

He sat on The Mountain, voted for the execution of King Louis XVI, and opposed the punishment of the authors of the September massacres. In July 1793 he was president of the Convention, entered the Committee of Public Safety the same month and was sent on mission to the Armies of the East fighting in the Revolutionary Wars."

[Ele nasceu em Montauban (Tarn-et-Garonne), filho de um artesão. Embora seu pai fosse um protestante, Saint-André foi criado por jesuítas, em Marselha, e ordenou-se. Converteu-se ao protestantismo, contudo, e tornou-se pastor em Clastres e, mais tarde, em Montauban.

A proclamação da liberdade de culto levou-o a apoiar a Revolução, e ele foi eleito deputado para a Convenção Nacional pelo departamento de Lot.

Ocupou uma cadeira na Montanha, votou pela execução do rei Luís XVI e se opôs à punição dos autores dos Massacres de Setembro. Em julho de 1793, foi presidente da Convenção, entrou para o Comitê de Salvação Pública, no mesmo mês, e foi enviado em missão ao fronte do leste durante as Guerras Revolucionárias.]

A diferença é que, naquela época, esse revolucionário protestante lutava pela laicidade do Estado. Hoje, reacionários protestantes vêm questionar a laicidade da nação francesa (não só eles!).

É sinal do período retrógrado em que temos vivido.

 

São as nossas multinacionais. O Brasil está crescendo.

Interessante que os europeus sempre nos mandaram os seus missionários. Agora, mandamos os nossos.

 

Essa multinacional não é nossa! A Teologia da Prosperidade, adotada pela Igrejas Neo-pentencostais, surgiu nos EUA, no inicio do século XX. Antes de chegar ao Brasil, passou por Portugal, tendo como destaque Jorge Tadeu, fundador da Igreja Maná. No Brasil, as maiores igrejas desse movimento são a IURD, do Bispo Macedo a Igreja Internacional da Graça de Deus, do Missionário R.R. Soares, a Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada pelo Apóstolo Waldemiro Santiago, também dissidente da Igreja Universal, a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, fundada pelo casal Estevam e Sônia Hernandes, além da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, de Valnice Milhomens. Sua doutrina afirma, a partir da interpretação de alguns textos bíblicos como Gênesis 17.7, Marcos 11.23-24 e Lucas 11.9-10, que os que são verdadeiramente fiéis a Deus devem desfrutar de uma excelente situação na área financeira, na saúde, etc. Por isso, em momentos de crise, elas crescem.

 

E com a crise, vão crescer muito mais.

A insegurança das pessoas as torna presas fáceis da mentira e da hipocrisia.

O mito da cultura francesa cai por terra.

 

Já que a sociedade guiada pela razão  entrou em  crise, o negócio é uma alternativa sobrenatural.

 

Em um ano, Papa Macedo istalará o seu QG na Europa, na Itália, junto ao Estado do Vaticano.

Dizem, vai erguer um Templo maior e mais alto do que todas as construções e propriedades da Igeja Católica, no Vaticano. Grana é o que não falta. Já tem mais do que a Santa Sé.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Melhor os franceses irem se acostumando.


Daqui a pouco vão começar a ter horáriso em canais e rádios comprados, templos luxuosos, pastores paspalhões fazendo graça e muitos, muitos pedidos de doações para manter as obras.


Aleluia salve salve!