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O golpe no pregão eletrônico

Por Ozzy

 

BRASIL | Edição: 2168 | 27.Mai.11 - 21:00 | Atualizado em 28.Mai.11 - 12:

Golpe no pregão eletrônico

Empresários usam programa de computador para fraudar os leilões eletrônicos do governo e Ministério do Planejamento admite que ainda não sabe como evitar esta prática que se espalha pelas concorrências públicas

Lúcio Vaz

O pregão eletrônico foi criado em dezembro de 2000 para dar maior transparência e proporcionar igualdade de condições nas concorrências públicas. Ele deveria eliminar a corrupção, dando um fim no risco de conluio entre empresas, num jogo de cartas marcadas. Após dez anos, o sistema já movimentou R$ 103 bilhões, mas o propósito inicial de transparência, da isonomia e da lisura está ameaçado. Programas de computadores espiões não autorizados pelo governo, conhecidos como robôs eletrônicos, estão sendo usados para fazer lances automáticos, em fração de segundos, de forma a manter um dos concorrentes sempre com o menor preço e sempre à frente de seus concorrentes. Quando o pregão acaba, ele, em condição privilegiada, invariavelmente vence a licitação.

O governo federal tem conhecimento do problema. E afirma que vem tentando impedir o uso de robôs, para garantir igualdade de condições entre os participantes da concorrência. No entanto, não vem obtendo sucesso nessa tarefa. Ao mesmo tempo que faz um mea-culpa por não conseguir coibir a artimanha, o Ministério do Planejamento sustenta que a prática não é ilegal e é quase impossível eliminá-la. Posição diametralmente oposta à do Tribunal de Contas da União, que considera o uso dos robôs eletrônicos como uma irregularidade grave, por ferir o princípio da isonomia. O tribunal já exigiu que o governo encontre uma maneira de impedir o uso dos robôs, mas até agora nada.

Depois de perder várias licitações para um robô, um empresário de Brasília resolveu comprar um desses softwares da empresa MAC Control, especializada na comercialização de programas desse tipo. Custou-lhe R$ 5 mil. O empresário (fotografado de costas, à cima) não quer ser reconhecido. Dono de uma empresa de comunicação social, ele descobriu que o programa é capaz de invadir o ambiente virtual do site Comprasnet, do Ministério do Planejamento, e capturar os lances enviados pelas demais empresas. Em milésimos de segundos, o robô faz um lance menor, com a diferença de valor programada. Na prática, ele funciona como uma espécie de interceptador das informações que o próprio Ministério do Planejamento envia para todos os usuários do Comprasnet. Antes mesmo que a mensagem de que um outro concorrente reduziu o preço chegue aos computadores daqueles que não dispõem de um robô eletrônico, o programa reduz o preço ofertado. Muitas vezes, um usuário chega a fazer propostas com valor maior do que a que está em vigor, por conta da diferença de tempo entre seu lance e o lance do robô.

Na conversa com um revendedor do software, o empresário perguntou se seria impossível perder caso utilizasse o programa. “A probabilidade de você ganhar é de mais de 95%”. O empresário então questiona se o programa não poderia ser vendido a um concorrente: “A gente vai fazer um contrato de exclusividade”, respondeu o vendedor, que também defendeu a legalidade dessa prática e ofereceu referências. “A Embratel usa o nosso software há dois anos. Você acha que, se fosse ilegal, a Embratel ia se meter com isso?”. O vendedor, porém, não quis explicar como o programa entra no ambiente do Comprasnet. “Isso é o pulo do gato”, explicou. A conversa foi gravada pelo empresário, que forneceu à ISTOÉ uma cópia dos diálogos.

A Embratel, que pertence ao bilionário mexicano Carlos Slim, nega que utilize robôs em licitações e afirma que não contratou os serviços da MAC Control. Na proposta que faz a seus potenciais clientes, a empresa dona do software especifica a facilidade de informática que oferece: “Envio instantâneo de lances baseados no último menor lance, rápida análise e envio instantâneo de lances vencedores e função para cobrir automaticamente microempresa”. Mais adiante, outra informação preciosa. Durante a vigência do contrato, a MAC Control promete atualizações no software, que estaria “diretamente interligado” ao site Comprasnet. O dono da Control, Pedro Ramos, disse que o uso de robô não seria ilegal, mas assegurou que deixou de usá-lo desde janeiro deste ano, quando teria sido fixado um intervalo mínimo de seis segundos entre as propostas, algo que não está sendo cumprido na prática.

 

ISTOÉ apurou, nos registros do próprio site oficial do governo, vários casos de usos de robôs nos últimos 12 meses. No pregão realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações, em 2 de maio deste ano, a empresa LDC Comunicação fez 10 lances com intervalos médios de um décimo de segundo para a proposta anterior, todos eles com diferença de R$ 30 para menos. Outros dez lances, igualmente supervelozes, tinham variação no deságio. A empresa que perdeu a concorrência, a Clip & Clipping, entrou com recurso, alegando o uso irregular de robô. A LDC sustenta que não usa robôs. Os intervalos reduzidos seriam conseguidos com a utilização de quatro monitores. Mas o dono da LDC, Luís Mendonça, não soube explicar por que os lances rápidos, invariavelmente, têm a mesma diferença de valor para a proposta anterior. O caso está em julgamento na Anatel.

Diante das informações sobre o uso de robôs eletrônicos, o Ministério do Planejamento garantiu que está atento às investidas dessas novas tecnologias. E, quando detectadas, seriam neutralizadas por outras ferramentas, para barrar a vantagem de um dos concorrentes. O problema é que os robôs estão sendo sempre aperfeiçoados. “A gente tenta coibir, mas é difícil”, diz o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Planejamento, Delfino de Souza. “É uma corrida atrás do rabo o tempo todo, mas não há ilegalidade porque (o uso de robôs) não está proibido por lei”, completa o diretor de Serviços do ministério, Carlos Henrique Moreira.

Não é o que entende o Tribunal de Contas da União (TCU). Em julho do ano passado, o tribunal determinou ao Ministério do Planejamento, no prazo de 90 dias, “a promoção da isonomia entre os licitantes do pregão eletrônico, em relação à possível vantagem competitiva que alguns licitantes podem obter ao utilizar dispositivos de envio automático de lances (robôs)”. Em outubro, o Planejamento solicitou ao Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) o desenvolvimento de mecanismos que identificassem a presença de robôs nos pregões. Algumas medidas foram adotadas a partir de janeiro deste ano, mas não resolveram definitivamente o problema. Em 23 de março, o relator do processo no TCU, ministro Valmir Campelo, reafirmou a sua posição em relação ao uso de robôs em pregões eletrônicos. Ele solicitou, então, que os auditores do tribunal fizessem um monitoramento para apurar as providências adotadas pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Planejamento. O monitoramento estava previsto para o segundo semestre deste ano. Diante dos novos fatos, o TCU decidiu realizar o trabalho a partir desta segunda-feira 30.

 Carlos Henrique Moreira, o diretor de Logística, diz que não será fácil atender o TCU. “O que eles querem não é trivial. Não temos 100% de certeza do procedimento”, explica. O governo, portanto, ainda não encontrou um antídoto para o ataque tecnológico.

http://www.istoe.com.br/reportagens/139247_GOLPE+NO+PREGAO+ELETRONICO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

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Ola Amigos.

antes de mais nada gostaria de dizer que meus softwares para envio automatico de lances continuam funcionando mesmo com as atualizações do comprasnet.

caso queira saber mais sobre, favor me enviar um email ou visitar meu site ok.

ah...o captcha não resolve o problema.

abracos

Igor D Azevedo

011 8342 3200 / 011 2985 3200

www.data-fighter.com/BNET.html

 

Será que não há um único economista olhando isto daí? O estudo de leilões é um dos pontos mais estudados na economia moderna: http://en.wikipedia.org/wiki/Auction_theory . Pessoal de Teoria de Jogos gosta muito do assunto. 

Eis uma sugestão simples: copiem o que o google faz nos leilões de seus anúncios. O ganhador paga o que segundo lugar ofertou. Eis aqui uma explicação simles:   http://adwords.blogspot.com/2009/03/introduction-to-ad-auction.html (basta assistir aos 2 primeiros minutos).

E se este esquema não vale, basta arrumar um bom economista para bolar outro. 

 

 

Nosso software B-NET e C-NET, automatizam os mesmos processos que uma pessoa no computador sem burlar de maneira alguma o sistema comprasnet. Nossa proposta é alavancar os processos na sua empresa, minimizar erros e distração etc....

www.data-fighter.com/BNET.html

Igor Azevedo - Eng Software
[email protected]
011 8342 3200 - tim
011 9390 7696 - claro

 

 

Na parte final do pregão, após um longo período de lances, inicia-se um tempo aleatório a partir do qual o leilão será encerrado a qualquer momento.  Funciona assim: depois de algumas horas de lances, o sistema dá um aviso: o pregão será encerrado em até x minutos, em um tempo aleatório que vai de 0 a X minutos. Por exemplo, se o tempo para encerramento for de até dez minutos, o pregão poderá ser encerrado imediatamente após o aviso ou em até dez minutos, definidos aleatoriamente. Esse é o momento de cada concorrente definir o seu preço, pois não há certeza de que terá a chance de cobrir a oferta do concorrente. Naturalmente, quem tem um robô a seu serviço praticamente não sofre dessas angústias, mas não há nada de irregular. Irregular mesmo seria se o robô fizesse o lance e imediatamente lançasse um ataque ao site, impedindo o acesso dos concorrentes e a cobertura das propostas. Até onde sei, é assim que funciona.

 

Isso tá parecendo matéria requentada.

O mesmo Pedro Ramos já aprece sendo entrevistado para uma matéria da Veja que saiu em 22/dez/2010, segundo o blog http://www.zenite.blog.br/?p=1058. Não vi nada de novo em relação ao que foi postado nesse blog.

E segundo o Serpro (http://www.serpro.gov.br/noticiasSERPRO/2011/fevereiro/serpro-habilita-b...), alguns mecanismos anti robôs já foram implementados.

 

Complicando a vida do robôs!

- Limitar a 4 lances diários por Fornecedor;

- Os lances inseridos das 8:00 as 10:00 hs, serão disponibilizados para visualização somente a partir das 12:00hs;

- Os lances inseridos das 10:00 as 12:00 hs, serão disponibilizados somente a partir das 14:00hs;

- Os lances inseridos das 14:00 as 16:00 hs, serão disponibilizados somente a partir das 18:00hs;

- E os lances inseridos das 16:00 as 18:00 hs, serão disponibilizados somente a partir das 20:00hs ou então no dia seguinte a partir das 8:00hs.

 

Quem inventou essa história de eletrônico foi o tal do alkimim, no debate com o Lula em 2006, lembro das palavras como fosse hoje, aqui em São Paulo criamos a licitação eletrônica, então pau no alkimim.

 

Até o Nassif combate os robôs com CAPTCHA! Por que não usam essa solução? Tem coisa estranha aí.

 

Se o objetivo for impedir o uso de robôs, esta é, de fato, a solução mais simples.

Mas eu acho que o melhor seria oferecer uma API aberta, e quem sabe até um aplicativo em software livre, para que todas as empresas pudessem automatizar os seus lances.

 

Para se resolver o problema, basta estabelecer uma ordem entre os participantes do pregão para oferecimento dos lances, sendo que cada participante terá um certo tempo para fazê-lo.

Exemplificando: o primeiro participante oferece seu lance, seguindo-se o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto ... paricipantes. Se o participante da vez não oferecer o lance dentro do prazo marcado, será ele tido como desistente, passando-se a vez para o seguinte.

Simples e sem complicação.

 

Diz o ditado: ''Pra quê facilitar se eu posso complicar''

É simples de resolver. É só programar para que um fornecedor possa dar lance apenas 4 vezes por dia!

Feitos os 4 lances, somente no outro dia poderá participar novamente! Pronto! Fácil!

 

 

Se real, seria uma ação (fraude?)  contra os demais licitantes, não aos contribuintes,  já que para o governo prevalecerá sempre o menor preço.

Nem sei se hoje pode ser imputado como crime.

E sendo um robô, portanto automático, sempre o licitante não ético corre o risco de acabar dando um lance que lhe cause algum prejuízo, pois outro licitante pode ter um custo menor que o seu.

Para o governo não faz diferença, ou melhor, o preço é ainda menor.

Estou achando essa matéria meio capenga afinal os lances de todos são públicos e a rapidez de um contra-lance só teria sentido nos últimos momentos (microsegundos) do certame.

A não ser para jogar os preços mais rapidamente para baixo, o que é ótimo para o comprador.

Posso estar errado mas a notícia está me parecendo balão de ensaio de perdedores ou oriunda do ministério de criação de crises dos descontentes com o governo.

Resta a curiosidade de saber como ficaria a licitação quando vários licitantes estiverem usando o tal robô, seria uma festa para o comprador?

 

Desculpe ser chado mas o título tem um erro, que é comum. Pregão não é concorrência. Na verdade os dois são modalidades de licitação. Assim,  o final da frase seria: "...prática que se espalha pelas licitações públicas".

Concorrência é modalidade prevista na Lei 8.666 e o  Pregão foi criado pela Lei 10.520. 

 

Puxa, tantos técnicos compententes na administração pública federal e não pensaram em nenhuma solução simples como estas?

1. Coloca captcha

2. Limita o numero de lances por participante a por ex. 5

3. Limita o numero de lances por participante a por ex. 1 a cada 15 minutos

4. Limita o numero de lances por IP a por ex. 1 a cada 15 minutos

 

Mas não entendi como é que podem funcionar esses robôs se cada licitação por pregão estabelece lances mínimos e esses lances não são iguais. O que a licitante faz, modifica o lance conforme o edital? Outra coisa, o lance mínimo, às vezes, é de dezenas de milhares de reais, ou seja, não se trata de valores insignificantes cuja "negociação" possam ficar a cargo de um "game". 

 

Ainda que envolva milhares de reais, no momento que o objetivo é ganhar através de lance menor (o que favoreceria o Estado no curto prazo), basta, simplesmente, partir de um lance inicial e deixar o programa no automático sempre indo abaixo de qualquer lance concorrente. E provavelmente o programa deve ter a opção de estabelecer um "piso", caso contrário haveria o risco de alguém ir além do ponto onde a empresa tem lucro e o robô seguir, levando a empresa para o prejuízo.

Retomando o meu parênteses, falei curto prazo, pois no longo poderiam sair do mercado aquelas empresas que não possuem robô, diminuindo a concorrência.

E só para constar, não é de hoje que o mercado financeiro usa robôs para operações de peso lá fora, e provavelmente na nossa Bovespa também.

http://en.wikipedia.org/wiki/Algorithmic_trading

 

Sim, usam na Bovespa.

Uma coretora oferece como plus.

 

A pergunta que interessa não foi feita:

Os preços estão sendo derrubados?

Se a resposta é Sim, viva os robôs!

 

 

Prezados,

Há alguns anos prestei consultoria desenhando os processos internos para uma corretora de mercadorias que representava dezenas de clientes nestes pregões eletrônicos. O sistema utilizado pela CEF e BB (ComprasNET) é muito elementar se comparado ao da BBM. Creio que o autor da matéria esteja se referindo àquele, não a este.

O viés da matéria, um tanto sensacionalista, invoca de maneira distorcida a imputação de um crime a uma ação absolutamente legítima. Explico: a função destes softwares é otimizar a inseção de ofertas no sistema de apregoação eletrônica, não interferir no andamento do processo. Pelo que entendi da matéria, ele não burla, não invade, não usa de meios ilícitos para atingir seus objetivos.

Ele provoca assimetrias favoráveis a quem o utiliza? Sim. Essas assimetrias desrespeitam as regras estabelecidas? Não. Portanto, onde está a ilegalidade? As regras da apregoação eletrônica permitem aos participantes cancelarem o resultado do leilão caso ocorra qualquer trangressão às normas. Ora, se isso não ocorre, mais uma vez pergunto: onde está a ilegalidade? 

O que a matéria não informa - e isso sim é fundamental para não cairmos na vala comum da opinião leviana - é qual sistema permite esta estratégia eletrônica, se o da CEF, BB ou BBM.

Ao opinar sobre ete assunto, é importante levar em conta duas coisas:

1. As licitações realizadas em sistemas eletrônicos de apregoação são um avanço legal.

2. As fraudes ocorrem antes, na elaboração do edital, não durante o pregão.

 

Mas é óbvio que se trata de uma fraude. Qual a dificuldade do governo em enquadrar essa Mac Control? Isso é caso de polícia, nada mais.

 

Veja bem, A coisa não é tão simples assim. Como servidor público, já participei de acompanhamento de pregões eletronicos, é o lance de menor preço é o menor problema. Voces não tem ideia da dificuldade de após tudo resolvido com o vencimento do pregão, voce se vê as voltas em um prazo de 3 ou quatro meses, a obrigação de impunar o vencedor por não cumprimento das condições, e ai deve-se começar tudo de novo...Olha eu trabalho numa área extremamente técnica, imagine ter que parar tudo a cada 3 ou 4 meses e começar de novo. Não consigo vislumbrar uma solução

 

ué, isso é ótimo!!!!!

se todos os farsantes usarem o programa, o valor das licitações será sempre menor!!!!

 

Ou o Brasil acaba com os juízes e políticos corruptos ou os juízes e políticos corruptos acabam com o Brasil. Alguém aí sabe para que servem a Polícia Militar e o Senado?

O valor das licitações é sempre o menor, Kalango.

 

É isto. O problema é a ISONOMIA. Alguns conseguem dar último lance mais rápido do que outros.

Eu não entendo, mas há horário fixo para terminarem os lances? Ou, caso se fique algum tempo sem dar lance, então o leilão termina?

 

Isonomia tem a ver com dar tratamento igual a todos os concorrentes; mas isso não significa que os concorrentes com melhores produtos, menores custos, e processos mais ágeis não tenham vantagem competitiva.

Ao invés de proibir o uso de robôs, o governo deveria oferecer uma API aberta para facilitar a automação.

O que não dá é nivelar a tecnologia por baixo.

 

Nassif,

Eu acompanhei essa discussão há alguns meses, e, até onde eu pude perceber, não há golpe nenhum no processo. O que existe é uma lei que não acompanha a tecnologia.

O artigo é enganador, portanto, quando usa a palavra "golpe". E segue enganando no seguinte parágrafo:

"Programas de computadores espiões não autorizados pelo governo, conhecidos como robôs eletrônicos, estão sendo usados para fazer lances automáticos, em fração de segundos, de forma a manter um dos concorrentes sempre com o menor preço e sempre à frente de seus concorrentes. Quando o pregão acaba, ele, em condição privilegiada, invariavelmente vence a licitação."

A expressão "programas de computadores espiões" é absurda e só é usada para dar uma carga emocional ao que vem a seguir.

"Robôs eletrônicos", por outro lado, já são uma tecnologia mais conhecida: o melhor exemplo é o Google: seus programas (chamados de "robôs") visitam todas as páginas da internet, link por link, guardando as informações que encontram, para alimentar o sistema de busca.

Ou seja: é bem menos assustador, quando você sabe do que se trata.

Agora, a pergunta: o que é que estes programas coletores de informações fazem, no caso das licitações? Simples: eles entram no site, verificam qual foi o último lance, e dão um preço mais baixo.

É isso.

O que os programas fazem, simplesmente, é automatizar aquele que deve ser o objetivo da licitação: oferecer preços mais baixos.

"Ao mesmo tempo que faz um mea-culpa por não conseguir coibir a artimanha, o Ministério do Planejamento sustenta que a prática não é ilegal e é quase impossível eliminá-la."

"Artimanha"??? De novo, o uso de expressões negativas para induzir o leitor a pensar que o uso desses programas é errado. Mas, como o próprio artigo prossegue, a prática não é ilegal (afinal os programas são usados para oferecer preços mais baixos). Por que então eliminá-la?

"Posição diametralmente oposta à do Tribunal de Contas da União, que considera o uso dos robôs eletrônicos como uma irregularidade grave, por ferir o princípio da isonomia. O tribunal já exigiu que o governo encontre uma maneira de impedir o uso dos robôs, mas até agora nada."

 

Como assim, "irregularidade"? O Governo deve estimular o uso de tecnologias que possam baixar o custo de suas aquisições. 

Um argumento um pouco melhor -- porém incorreto -- é que o programa prejudicaria aqueles que não o utilizam. Ora, isso é um absurdo: poderíamos dizer o mesmo sobre o próprio pregão eletrônico: ele prejudica aqueles que não têm computador, ou que não têm acesso a boas conexões à internet.

"Depois de perder várias licitações para um robô, um empresário de Brasília resolveu comprar um desses softwares da empresa MAC Control, especializada na comercialização de programas desse tipo. Custou-lhe R$ 5 mil. O empresário (fotografado de costas, à cima) não quer ser reconhecido."

Oh, o drama!!! Tudo para tentar dar ao caso um tom de investigação criminal.

O tal empresário não precisaria se envergonhar, se soubesse que tais programas não fazem nada mais, nada menos, do que um operador humano: eles entram em páginas, procuram preços, e enviam ofertas mais baixas, dentro de parâmetros estabelecidos.

(A única parte que eu achei esquisita é o preço: R$ 5 mil? Isso sim é um roubo! Qualquer programador de Perl faria um programa assim em uma tarde.)

"Dono de uma empresa de comunicação social, ele descobriu que o programa é capaz de invadir o ambiente virtual do site Comprasnet, do Ministério do Planejamento, e capturar os lances enviados pelas demais empresas. Em milésimos de segundos, o robô faz um lance menor, com a diferença de valor programada."

Aqui, o empresário se enganou -- ou o jornalista exagerou -- ao optar, novamente, por uma palavra carregada de significado.

O programa não "invade" sistema nenhum. Ele provavelmente usa as credenciais do próprio usuário; busca o lance mais baixo (que, num sistema de pregão, obviamente é uma informação aberta), e envia um preço mais baixo.

Repito o que disse anteriormente: tais programas não fazem nada mais, nada menos, do que um operador humano que tenha acesso ao pregão.

"Na conversa com um revendedor do software, o empresário perguntou se seria impossível perder caso utilizasse o programa. “A probabilidade de você ganhar é de mais de 95%”."

Mentira do vendedor.

O programa só é capaz de fazer ofertas mais baixas, mas ele nunca vai fazer uma oferta menor do que aquela que você, vendedor, estabeleceu como mínimo.

Portanto, se você vende computadores, você pode configurar o programa para começar com uma oferta de R$ 2000, e fazer lances mais baixos até atingir o mínimo de R$ 1.500,00.

Se um concorrente seu tiver a capacidade de vender computadores por R$ 1.400, você perderá o pregão -- e o Governo ganha, pois pagou um preço mais baixo.

“A Embratel usa o nosso software há dois anos. Você acha que, se fosse ilegal, a Embratel ia se meter com isso?”. O vendedor, porém, não quis explicar como o programa entra no ambiente do Comprasnet. “Isso é o pulo do gato”, explicou. A conversa foi gravada pelo empresário, que forneceu à ISTOÉ uma cópia dos diálogos.

É claro que o vendedor não vai contar o seu segredo; mas, como eu disse acima, o programa não faz nada mais, nada menos, do que automatizar o que pode ser feito por um usuário comum.

Fica a sugestão, para a comunidade de programadores Perl, desenvolverem um software livre com funcionalidade semelhante, que possa ser distribuido para todos.

"O dono da Control, Pedro Ramos, disse que o uso de robô não seria ilegal, mas assegurou que deixou de usá-lo desde janeiro deste ano, quando teria sido fixado um intervalo mínimo de seis segundos entre as propostas, algo que não está sendo cumprido na prática."

Ué? O empresário que só se deixou fotografar de costas agora dá o seu nome e o nome da empresa? O jornalismo brasileiro está a cada dia pior.

Quanto ao ComprasNet, ele obviamente pode impor um limite de tempo mínimo entre os lances -- mas, volto a dizer, não há nada de errado com um programa que ofereça lances mais baixos.

"ISTOÉ apurou, nos registros do próprio site oficial do governo, vários casos de usos de robôs nos últimos 12 meses. No pregão realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações, em 2 de maio deste ano, a empresa LDC Comunicação fez 10 lances com intervalos médios de um décimo de segundo para a proposta anterior, todos eles com diferença de R$ 30 para menos. "

 

Vejam só que denúncia terrível -- a empresa fez lances com preço menor para o governo. Oh, o horror!!!

"A empresa que perdeu a concorrência, a Clip & Clipping, entrou com recurso, alegando o uso irregular de robô."

Este, para mim, é o ponto central, e mostra claramente a quem interessa a proibição da automação do pregão eletrônico: aqueles que querem ganhar concorrências oferecendo valores mais altos.

"A LDC sustenta que não usa robôs. Os intervalos reduzidos seriam conseguidos com a utilização de quatro monitores. Mas o dono da LDC, Luís Mendonça, não soube explicar por que os lances rápidos, invariavelmente, têm a mesma diferença de valor para a proposta anterior."

Provavelmente a LDC está mentindo. Mas não deveria! A tecnologia é um diferencial da empresa, e, se outras empresas querem trabalhar com o Governo, que automatizem seus processos!

“A gente tenta coibir, mas é difícil”, diz o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Planejamento, Delfino de Souza. “É uma corrida atrás do rabo o tempo todo, mas não há ilegalidade porque (o uso de robôs) não está proibido por lei”, completa o diretor de Serviços do ministério, Carlos Henrique Moreira."

Este artigo não tem pé nem cabeça. Se não é proibido, porque é que tentam coibir? Afinal, esses programas ajudam a oferecer preços mais baixos.

Volto a dizer que a solução não é proibi-los, mas oferecer programas similares para todos.

Não é o que entende o Tribunal de Contas da União (TCU). Em julho do ano passado, o tribunal determinou ao Ministério do Planejamento, no prazo de 90 dias, “a promoção da isonomia entre os licitantes do pregão eletrônico, em relação à possível vantagem competitiva que alguns licitantes podem obter ao utilizar dispositivos de envio automático de lances (robôs)”

Para mim, "isonomia" tem a ver com tratamento igual. Mas se um vendedor tem produtos melhores, ou processos mais ágeis, ele deve vencer.

"Em outubro, o Planejamento solicitou ao Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) o desenvolvimento de mecanismos que identificassem a presença de robôs nos pregões. Algumas medidas foram adotadas a partir de janeiro deste ano, mas não resolveram definitivamente o problema."

Que problema, cara pálida? O fato dos programas oferecerem preços mais baixos??? Esse é o objetivo do pregão!!!

"Carlos Henrique Moreira, o diretor de Logística, diz que não será fácil atender o TCU. “O que eles querem não é trivial. Não temos 100% de certeza do procedimento”, explica. O governo, portanto, ainda não encontrou um antídoto para o ataque tecnológico."

Quem dera o governo sofresse mais "ataques tecnológicos" como esses...

 

 

 

 

 

 

 

 

E aí Nassif?

Quando é que esse comentário do Foo irá se tornar post?

 

Procuram-se o diabo onde ele não está.

Penso que se poderia fazer da seguinte forma:

Para um determinado endereço, cada participante

ou concorrente poderia enviar quantos lances quisesse.

A partir de determinado numero de lances o comprador

daria aos participantes um outro endereço onde só

fosse possível colocar um único lance e que não ficasse

 exposto a seus concorrentes. A critério do

comprador ficaria a ação de compra ou não do

objeto ou serviço ofertado.  

 

Bota um captcha de qualidade para dar lances e a história está resolvida. Temporariamente, pois no  tempo de escrever isso já vislumbrei formas de contornar a nova solução.

 

Concordo. Foi a primeira coisa que pensei. Os chatíssimos dos captchas foram inventados justamente para bloquear robôs. Tem de todos os tipos, variando de acordo com a necessicidade. Não entendo porque eles não usam uma solução simples, eficiente e amplamente disseminada a anos. Aí tem, viu!

 

Robô só entra em site que o proprietário quizer ou quando a equipe de desenvolvimento é amadora.

Existem vários mecanismo para idenficar se a conexão é feita por humanos. O Captcha (digitação de um texto em uma figura) é o mais simples e mais usado hoje em dia.

 

Nassif,

Outra possibilidade é os interessados fatiarem o mercado entre si. Já sabem quem vai ganhar o que e onde, ie, entram no pregão ou concorrência, para perder aqui e ganhar acola. No final, todos ganham um pouco. E aí, o que fazer?

 

"Empresários usam programa de computador para fraudar os leilões eletrônicos do governo e Ministério do Planejamento admite que ainda não sabe como evitar esta prática que se espalha pelas concorrências públicas":

So mandar o judiciario legalizar.  E tudo bem.  Viu como eh simples?

Dou um ano.

 

Simples mesmo, se o problema é a falta de igualdade, abre p todos os usuários do sistema um programa similar e põe fim na desigualdade de condições...

Ou alguem acha que em um pregão envolvendo licitação na casa dos milhões tenha algum interessado que não se utilize do software?

 

Não acho que fraude seja o termo exato para definir este procedimento. O argumento da concorrência desleal faz algum sentido, talvez desestimulando urante o pregão, os concorrentes que não usam o artifício a dar novos lances. O sistema deve ser aprimorado sem dúvida, disponibilizar um programa do tipo para todos é uma possibilidade.

Enfim a matéria é pra mim tempestade em copo d'água.

 

As informatizações de Leilões vieram, para facilitar e dar transparência. Mas, "esqueceram de combinar isso com os Hackers". 

Uma curiosidade: Se os hackers invadem os computadores da NASA e do PENTÁGONO e de nossos LEILÕES, CEF deveria prestar assessoria a eles.

Por quê? A CEF "JAMAIS TEVE INVADIDO" o seu sistema de processamento de buscas de apostas premiadas, nas Loterias, após o sorteio!!! OU NÃO? 

 

No governo do fhc...no sorteio ????,  12 em 13 apostas vencedoras vieram de ... Brasília.

 

As informações poderiam ser obtidas pelo programa durante o acesso do usuário (cliente) do mesmo através do navegador.

Não seria invasão no sentido tradicional, e sim apenas um "tratamento de dados avançado e em tempo real". É similar a criar bots para jogos de computador. O servidor não é invadido, todas informações obtidas estão ali para interação manual ou automatizada.

Isso supondo que o cara usou tal abordagem, que é bem mais acessível, diga-se de passagem.

 

Exatamente. Os algoritmos de alta frequencia de bolsa de valores funcionam baseados na mesma filosofia, conseguindo dar respostas muuuuuito mais rapidamente - nada mais.

Todo mundo (empresas médias e grandes, de nome) que entra pra valer em licitações 'maiores' compraram softwares para isso. É software contra software, pra tentar competir em 'pé' de  igualdade.

Ô problema dificil de resolver os das licitações, caramba! Fornecedores que combinam valores, softwares automatizados de lances, empresas que 'montam' os editais previamente para ganhar... nenhum dos lados ajuda. Só com vergonha na cara mesmo pra resolver.