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Xadrez da grande noite da humilhação nacional

O desafio é explicar um golpe que tem, na ponta da fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União) personagens como Aroldo Cedraz e Augusto Nardes, na ponta política, Michel Temer, Romero Jucá, Eduardo Cunha, Aécio Neves e José Serra todos envolvidos em inúmeras denúncias de irregularidades e de uso político indevido do cargo. E, na ponta processual o Procurador Geral da República Rodrigo Janot e o Ministério Público Federal, na ponta jurídica Gilmar Mendes e Dias Toffoli falando em nome da moral e dos bons costumes.

Como se explica que a moral e os bons costumes tenham se aliado ao vício para implantar o reino dos negócios escusos?

Hoje em dia, está claro que a disputa não é entre Dilma e Aécio, PT e PSDB, mas entre modelos de país e pelo assalto ao orçamento e ao patrimônio público. A aliança Temer-Janot permitirá ao novo grupo de poder destruir políticas sociais, desmontar o modelo de exploração do pré-sal, vender ativos públicos, ampliar os gastos públicos através das emendas parlamentares. É um pacto de negócios.

A grande questão é como um país, entre as dez maiores democracias do globo, com uma tradição cultural, histórica, permite que se destrua o ponto central da democracia – o voto popular – por uma frente desse nível. Mais do que uma tragédia, é uma humilhação!

Peça 1 - as grandes ondas globais

O primeiro passo é minimizar o papel do caráter humano nas grandes definições políticas. Caráter é matéria rara, pouco disponível, que permite grandes gestos individuais, mas que raramente consegue segurar a onda.

As ondas que se movem no século 21 são conhecidas:

1. A desconfiança em relação à política.

2. A tentativa de substituir o Executivo pelo Banco Central e o voto popular pelas corporações do Estado.

3. Os interesses empresariais na política, através do financiamento de campanha.

5. A xenofobia, como reação às políticas de inclusão e às ondas migratórias.

6. A partir de 2008, todos esses processos agravados pela crise mundial com o fim do sonho neoliberal e pelas tentativas de desmontar Estados de bem-estar social.

É um movimento que ressuscita a ultradireita norte-americana, os partidos de direita radical nos principais países da Europa, açula o terrorismo religioso e o terrorismo de Estado, ameaça as liberdades civis e as próprias conquistas da civilização.

Tanto nos Estados Unidos quanto por aqui, os grupos de mídia não são os agentes deflagradores desse estado de coisas. São apenas grupos oportunistas valendo-se desses movimentos em proveito próprio, comercial ou político, mas amplificando a radicalização.

Para enfrentar o avanço das empresas de telecomunicações e das redes sociais, os grupos de mídia organizaram-se em cartel visando um maior protagonismo político, que lhes dessem condições de administrar sua sobrevivência em tempos bicudos. Historicamente, ondas de intolerância sempre foram a arma principal da mídia, permitindo explorar o fantasma do inimigo externo ou interno, como fator de unificação das ações e dos discursos.

É nesse contexto que se abre espaço para a campanha em torno da AP 470 e, depois, para a campanha do impeachment, que surge alimentado pelo estado de espírito geral revelado pelas manifestações em 2013.

Peça 2 – os personagens e as circunstâncias

Na física e na química, estudam-se os fenômenos de uma perspectiva radical: tem-se uma molécula; basta mudar um átomo de sua composição para se transformar em um novo corpo. As ciências sociais, políticas e econômicas não têm por hábito analisar processos de ruptura. Tratam os fenômenos sociais e políticos – e seus personagens – como processos contínuos e progressivos.

À chegada ao poder muda as pessoas, pelo deslumbramento, pela perda dos referenciais anteriores. Muitos não conseguem aceitar que, antes de chegar ao poder, eram cidadãos comuns, sem nenhum traço nobiliárquico. Para os espíritos mais fracos, ocorre quase uma negação do passado anterior à chegada ao poder.

Vale para políticos, empresários, artistas, Ministros do Supremo e procuradores, vale para o sujeito que ganhou na loto.

Analise-se a trajetória de um Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal)/

No momento -1, ele é súplice. Faz romarias aos gabinetes de deputados e senadores, corteja lideranças políticas e jurídicas, busca padrinhos políticos. No momento +1, torna-se senhor absoluto da sua vida, irremovível de seu cargo, blindado contra qualquer força política, mesmo do presidente da República e com poderes inacessíveis a qualquer outro brasileiro, que não seus colegas de Supremo.

O que garante a coerência a esse personagem? O caráter. Daí a dificuldade na escolha de Ministros do STF. Pelo currículo, pôde-se aferir competência técnica. Mas não existe teste de caráter.

Não dividirei as pessoas entre os com e os sem caráter. Para evitar maniqueísmos ou ferir suscetibilidades, melhor dividi-los entre os de caráter inflexível e os de caráter adaptativo.

Por trás de sua educação e lhaneza, Ricardo Lewandowski tem esse caráter inflexível, assim como Teori Zavaski e sua sisudez, Marco Aurélio de Melo e sua independência e Gilmar Mendes e sua falta de limites. Sim: Gilmar Mendes, absolutamente coerente com seus princípios, atropelando normas de conduta, processos, em nome de suas lealdades e em defesa de sua turma. É o mais deletério personagem jurídico da história recente. Mas tem caráter.

No outro campo, do caráter adaptativo, dos que se transformam com a chegada ao poder, podem ser incluídos tipos folclóricos, como o senador Magno Malta ou Cristovam Buarque, Ministros ou ex-Ministros do STF, como Luiz Fux, Ayres Brito e Carmen Lúcia, certamente o PGR Rodrigo Janot.

Mencionam-se aqui os destacados, porque a média é adaptativa. E adaptam-se por razões das mais variadas.

Tome-se o ex-Ministro Ayres Brito.

Em tempos não muito distantes, o ex-Ministro Ayres Brito e a atual Ministra Carmen Lúcia eram os prediletos do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, guru maior das esquerdas jurídicas. Ah, e Michel Temer era e continua sendo seu melhor amigo.

Um juiz garantista que fez carreira no Piauí, humilde, modesto, chega ao Supremo e, de repente, escancaram-se para ele os holofotes da mídia. Mefistófeles leva Ayres até a montanha e desafia: “Comigo você terá as glórias que nunca teve antes, o reconhecimento de sua reputação de poeta, o aplauso das pessoas na rua. Sem mim, o escândalo do seu genro”.

Ayres nem vacilou. Imediatamente protagonizou o capítulo do STF que liquidou com o direito de resposta, transformou-se no mais intimorato defensor dos grupos de mídia tradicionais, um inflexível presidente do STF no julgamento do mensalão e pôde saborear a fama. Até hoje o bravo Celso Antônio tenta entender o que aconteceu com seu pupilo.

Para outros Ministros, mais tímidos, sérios (no plano dos negócios públicos) seu preço é o espaço eventual nas manchetes nos momentos de apoteose em que experimentam o supremo gozo de exprimir o que pensa a maioria. Vide Celso de Mello e Carmen Lúcia.

O episódio Rodrigo Janot é mais didático, e vale aqui uma comparação com os ex-Ministro Katia Abreu e Armando Monteiro para deixar mais nítidas as comparações entre o caráter inflexível e o caráter adaptativo.

Até alguns anos atrás, Rodrigo Janot era num bravo esquerdista, que pavimentou a carreira assessorando algumas referências de direitos humanos no MPF, por votação dos seus pares, por suas relações com o petismo, e pela a disposição com que lançava palavras de ordem retóricas contra o avanço da direita, impressionando e entusiasmando os aliados. Estava, sem dúvida, à esquerda de seus gurus: Cláudio Fonteles e Wagner Gonçalves. Cultivou a amizade de José Genoíno, visitou Dirceu no hotel no qual recebia autoridades políticas.

Por seu lado, Kátia Abreu sempre foi uma ruralista e direitista convicta; Armando Monteiro um industrialista convicto. Ambos, portanto, líderes de setores eminentemente anti-Dilma. Para eles, defender Dilma não apenas não significaria nenhum ganho ou barganha (posto que uma presidente deposta), como os indisporia perante seu meio.

Mesmo assim, na sessão do Senado, ambos – Kátia e Monteiro – tiveram o belo gesto de reconhecer as virtudes do governo Dilma em relação aos seus setores.

Quando a onda virou, Janot autorizou o vazamento de grampos em Lula e vestiu a capa da indignação quando Lula lembrou sua ingratidão. Disse que devia sua carreira a ele próprio (Janot) e ao concurso público. Em nenhum momento teve o belo gesto de reconhecer que devia a Lula e Dilma a absoluta liberdade de atuação do MPF, Polícia Federal e da PGR e sua indicação à PGR. Dia desses fui almoçar em um restaurante na Bela Cintra e lá me apontaram uma mesa: foi ali que Janot almoçou com Lula, para pedir sua benção para a indicação a PGR.

Dá para entender a diferença?

O jogo é hipócrita. Há os vendavais que chacoalham os céus e os caráteres adaptativos vão se reorganizando como as nuvens. Venta-se à esquerda, adapta-se ao vento. O vento muda de direção? As nuvens do céu se reorganizam.

Tome-se o caso de Ela Wiecko, uma subprocuradora notável, uma das referências do MPF na área de direitos humanos. Ficou na lista tríplice dos mais votados. Seu trabalho consistia em levar adiante sua missão, plantando sementes de civilização por onde passou. Mas não batia bumbo nem apregoava sua condição de progressista. Não levou. O cargo ficou com Janot. Aliás, será curioso acompanhar como será seu processo de adaptação à esses tempos de Temer e Gilmar.

Ontem a revista Veja revelou que Ela estava em Portugal em uma manifestação que ocorreu na Universidade contra Temer.

Ela, talvez o mais precioso ativo do MPF, foi tratada como descartável

por Robalinho, presidente da ANPR

Ela, um ativo do MPF, foi descartada por Robalinho, presidente da ANPRPor ser de um caráter inflexível, Ela pediu demissão do cargo de vice-procuradora da PGR. Por ser de caráter adaptativo, Janot aceitou. E a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) apoiou a saída em carta ao blog O Antagonista, que é a melhor expressão do que se tornou o MPF.

Suponha-se que os ventos ainda estivessem soprando na direção das políticas sociais, das práticas civilizatórias, da tolerância. Qual teria sido o papel de Janot e da ANPR? Certamente, de hipotecar total solidariedade a Ela, tratando-a como merecia: um ativo valiosíssimo do Ministério Público.

Nem se condene Janot, José Cavalcanti Robalinho (da ANPR) e outros: eles são humanos, demasiadamente humanos, aliás. Não vieram para tentar conduzir as ondas, mas para entender seus movimentos e surfar, se adaptando às marés da política. Eles representam a média. São "malacos" e se orgulham de sua esperteza.

No curto prazo, a sociedade não se rege por belos gestos, pelo poder disseminador do bom exemplo. Se a falta de escrúpulos levar à vitória, aos vitoriosos será assegurada a devida revisão biográfica e os maus gestos condenados ao esquecimento.

A médio prazo, o jogo é outro.

Peça 3 – os próximos passos

O jogo da Lava Jato será contido por duas ações paralelas:

STF – Os processos da Lava Jato estão sendo julgados pela 2a Turma, que estava desfalcada porque já haviam passado sete meses da aposentadoria de Joaquim Barbosa e Dilma ainda não tinha indicado o substituto. Para preencher a turma, Dias Toffoli se ofereceu para sair da 1a para a 2a Turma. Como nenhum outro Ministro se ofereceu, transferiu-se e assumiu a presidência.  Quem planejou toda a operação? Gilmar, claro (https://is.gd/DDliEo).

No dia 31 de maio passado terminou o mandato de Toffoli e Gilmar assumiu a presidência da 2a Turma. Atualmente, compõem a 2a Turma Gilmar, Toffoli, Carmen Lúcia, Celso de Mello e Teori Zavascki. Ontem, Gilmar Mendes defendeu que caberá ao STF balizar as delações. É questão de tempo para tirar do MPF o poder de que dispõe hoje em dia.

O último lance se dará nos próximos dias. Antes do fim da gestão Ricardo Lewandowski, a próxima presidente Carmen Lúcia trocará de turma com Luiz Fux, que passará a compor a maioria com Gilmar e Toffoli.

Aí se entenderá melhor o significado da expressão “matar no peito”.

MPF – o jogo de cena em torno da capa de Veja com o factoide sobre Dias Toffoli permitiu ao PGR realinhar a tropa. Na segunda-feira todos os membros da força-tarefa assinaram um comunicado endossando a atitude de Janot de suspender a delação de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. No material divulgado na última edição de Veja, havia um pré-acordo de delação pelo qual Pinheiro se comprometia a revelar os esquemas de pagamentos (em dinheiro vivo ou em contas no exterior) de Aécio Neves e José Serra. Provavelmente os inquéritos andarão em marcha lenta. Mais à frente, com os poderes devidamente podados pela ofensiva Temer-Gilmar, os bravos procuradores terão bastante tempo para analisar a aventura imprudente em que meteram o MPF.

Peça 4 – os desdobramentos no médio prazo

Com Dilma cassada, haverá uma nova rodada do chamado porre dos vencedores.

Nos próximos meses, no plano jurídico-policial se terá a ampliação da ofensiva contra os críticos do novo regime – ofensiva que já está a pleno vapor. O governo Temer está se valendo de todas as armas que dispõe, como utilizar a Anatel para inviabilizar emissoras alternativas e a Secom para comprar o apoio dos grupos de mídia. Na Lava Jato, nas conversas prévias com os delatores, não gravadas, alguns deles são instados a incluir nomes de advogados, jornalistas e críticos em geral da operação.

Não se tenha ilusões sobre a escalada fascista.

Ao mesmo tempo, a cabeça fervilhante de Gilmar Mendes certamente já está a mil por hora definindo estratégias para o governo Temer aproveitar o lapso democrático e enquadrar definitivamente o MPF, os tribunais superiores e o Supremo, planejando as próximas nomeações.

Durante algum tempo será possível impor uma narrativa salvacionista para o golpe, ainda mais contando com a aliança fechada com a Globo.

Em que pese a predominância do oportunismo no curto prazo, a moral ainda é o grande fator unificador das sociedades civilizadas. Não é possível conviver eternamente com a mentira, a hipocrisia.

A não ser que se desacredite totalmente do Brasil, como nação civilizada, que se ignore o que foi plantado nesses séculos, Machado de Assis, Villa-Lobos, Sérgio Buarque, Gilberto Freyre, Antônio Cândido, que se ignore os compositores populares, os homens que cantaram a alma do país, Ary, Tom, Cartola, Chico, Caetano, Paulinho, a não ser que se esqueça Campos e Furtado, Merchior e Wanderley, os homens que à esquerda e à direita ajudaram na construção da Nação, será impossível acreditar na perenização desse golpe.

Um país que deu Paulo Brossard não pode terminar em Magno Malta, que deu João Mangabeira não pode resultar em Janaina Paschoal, que deu Miguel Reali, pai, não pode se contentar com Reali filho, que deu Faoro, Pertence, Fonteles, não pode incensar Janot, que deu Juscelino, não pode aceitar Temer.

A cada dia que se afastar a imagem do inimigo externo, as tolices sobre chavismo e outras bobagens se diluirão e cairão da face da nação como as maquiagens dos palhaços após a função. No início, timidamente, depois mais fortemente a consciência cívica começará a despertar novamente e a se manifestar. Até a velha mídia, nos seus estertores, se dará conta de que não há difusor de notícia que resista à falsificação, à mentira. E aí se começará a reconstrução democrática, as reações contra o arbítrio, a montagem de um novo modelo sem os vícios do presidencialismo de coalizão, sem os financiamentos de campanha, sem a hipocrisia do jogo político convencional.

O grande desafio será a resistência ao arbítrio até que essa noite turbulenta passe.

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Uma carta para minha filha que segue sua linha de raciocínio

Bom dia, Nassif! Tudo em paz?

Ontem, em meio a tanto lamento, choro e ranger de dentes, contruí um raciocínio parecido para escrever uma carta à minha filha, Helena, de 10 meses. O intuito é que logo ali adiante ela possa entender melhor o que ocorreu neste triste e repugnante 31 de agosto de 2016.

Compartilho muito da sua visão, em especial a de que em pouco tempo isso tudo servirá de aprendizado para a construção de um país destinado a ter um papel de vanguarda entre as nações.

Compartilho abaixo o texto, que está em meu facebook também, no link: http://goo.gl/aInRjT

Um abraço, com saudade da nossa Minas Gerais (sou de Andradas, ali pertinho da sua Poços de Caldas)

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Carta para Helena

Brasil, 31 de agosto de 2016

Filha, sei que quando ler esta carta e compreender o que ela contém haverá se passado 15, talvez 20 anos, de um dos momentos mais tristes e repugnantes que pude presenciar em nosso amado Brasil. Espero que diante desta leitura, o país - e o mundo - já esteja vivenciando uma nova era, em que as pessoas possam estar mais unidas em torno do respeito, da paz, em prol de uma sociedade mais justa, em que humanos não subjuguem os irmãos de caminhada terrena. Em que as pessoas não tenham mais tanto medo das próprias sombras.

Escrevo, filha, porque sei que os livros tendem sempre a contar a História pelo lado dos "vencedores" (atenção a estas aspas ;-)), calcada em informações tidas como "oficiais" e que têm em sua fonte quase sempre um pequeno grupo de empresários da mídia, que são pagos em grande parte pelos agentes do sistema financeiro mundial para divulgar aquilo que é de seus interesses.

Neste dia, filha, está sendo concretizado mais um golpe, agora institucional, em nosso País. E desta vez não foi preciso colocar os tanques na rua - ao menos por enquanto. A presidenta, Dilma Rousseff, eleita com mais de 54 milhões de votos de brasileiros, está sendo definitivamente afastada do poder pelo voto de 61 senadores, sem haver no mínimo um consenso se ela realmente cometeu "crime orçamentário" do qual é acusada - e pelo que o papai estuda não há crime algum.

Comecei a escrever este texto dois dias antes. Naquele dia 29 de agosto, a então presidenta afastada - após ser presa, torturada e julgada sumariamente durante a ditadura militar, uma página infeliz de nossa História - foi interrogada por mais de 14 horas no Senado Federal.

Respondeu a todas as perguntas, deixando claro que a principal motivação para o golpe sempre foi política - iniciado por vingança do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que abriu o processo por não ter o apoio do PT, partido de Dilma, para interromper um processo de cassação no Conselho de Ética, o primeiro a ser enfrentado por ele após anos e anos de conhecidos achaques, conluios e distribuição de propinas que permitiram, à época, que ele controlasse as vontades - e os votos - de cerca de 200 deputados.

Para o papai, esse processo, no entanto, começou bem antes. Mais precisamente quando o antecessor de Dilma, o ex-presidente Lula, ao vencer as eleições de 2002 com o tema "a esperança venceu o medo", deu sua primeira entrevista ao Jornal Nacional, da mesma TV Globo que foi implantada com recursos de fundações que serviam aos interesses dos financistas para dar suporte ao golpe militar, de 1964. Dias depois, Lula ainda anunciou para o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston, que voltaria a assumir, não por acaso, a mesma pasta no interino governo golpista de 2016.

E como se diz nesses dias sombrios, o Brasil não é para amadores. E sabemos que a História sempre se repete - a primeira vez como tragédia e depois como farsa, como diria Karl Marx.

Lula fez um dos governos mais voltados para o social que o Brasil já teve. Comparável, sempre, a Getúlio Vargas e João Goulart, outros dois grandes presidentes de nosso país. Indiscutivelmente, Lula elevou o país a um outro patamar no planeta e fez crer que o futuro já havia chegado para esta terra destinada a cumprir papel tão importante entre as nações.

Porém, não atentou que "nunca antes na História desse País" - como era seu bordão - uma pequena classe burguesa atrelada aos interesses dos grupos hegemônicos mundiais permitiu dividir seus lucros e espaços com quem considera "menos" do que ela.

Desde outubro de 2014, quando Dilma venceu as eleições verdadeiras e conquistou seu segundo mandato - você ainda nem na barriga da mamãe estava - passei a "falar" menos e observar mais. A buscar compreender melhor e acreditar no que seria inevitável, dado o jogo de cartas marcadas e a clara manipulação que desfizeram amizades, criaram conflitos e alargaram o fosso social já tão gigantesco de nosso País. Em meio a tanto ódio propagado em redes sociais, escolhi gastar energia com o quê e com quem realmente valesse a pena - e isso se deu a custo de muito autocontrole, sua mãe que o diga.

Antes mesmo de Dilma assumir, já era claro que a "Casa Grande" não deixaria a "Senzala" governar por mais quatro anos. Diante de um cenário mundial em que muitas feridas mal curadas do passado tornaram-se escaras de preconceito, conservadorismo e fanatismo, o fascio deu novamente as caras e encontrou eco nas sombras reprimidas de milhares de brasileiros que, inflados, mal sabiam o que atacavam e defendiam nas ruas - e nem mesmo se atacavam ou defendiam. Usados como massa de manobra, queriam inconscientemente liberar seus medos, seus monstros internos no outro, em vez de se ocupar deles.

Hoje, dia 31 de agosto, ainda são poucos os que sabem o real motivo dessa empulhação que resultou em mais uma página triste de nossa História. Os velhos coronéis ressurgem das suas catacumbas. Centenas de rostos da opressão de anos a fio se acomodam à face de Michel Temer. Tempos sombrios teimam em sair do passado para ocupar as vias do presente. Por pouco tempo, tenho certeza.

Sim, filha, eu e sua mãe sempre tivemos esta "estranha" mania de ter fé na vida, de sermos otimistas demais. Mesmo diante desse cenário, continuamos do lado "esquerdo" da História - e, como já disse Darcy Ribeiro, não me agradaria nem um pouco estar ao lado dos "vencedores".

Reitero que o golpe ocorreu, sim. E não apenas com o Brasil. Todos os brasileiros, filha, sofreram durante esse processo "tapas na cara" - do grego kolaphos, de onde vem a palavra golpe. Em alguns, estes tapas causaram revoltas infantis, fazendo com que fiquem ainda mais enclausurados em seus preconceitos, rancores e mágoas. Creio, no entanto, que muitos outros despertaram com esses golpes, encararam seus medos, suas sombras e todas aquelas que há centenas de anos pairam sobre nosso país - que nada mais é do que um reflexo dos que vivem nele.

Por este motivo, acredito que sairemos ainda mais fortes desta página de nossa História para escrever novos capítulos com mais lucidez. Sabendo que muitos passos foram dados - alguns deles em falso - para chegarmos até aqui, seguimos acreditando nesta grande e infinita revolução. Uma revolução pacífica que há milhares de anos vem sendo travada dentro e fora de cada ser que acredita que o amor é a mais poderosa arma contra qualquer tipo de golpe - seja na face ou no governo de um país.

Por fim, Helena, desejo apenas que quando ler estas palavras esteja ajudando a escrever o novo capítulo de nossa História com a arma que eu e sua mãe lhe ensinamos a usar dia-a-dia e que compreenda que o medo nunca vencerá a esperança em lutar para que nosso País cumpra seu papel nessa nova era da humanidade.

Com amor,

Papai

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Xeque-mate!

Esse texto do Nassif é um xeque-mate nos golpistas. Parabéns Nassif! Eu sempre admirei o seu trabalho como jornalísta, marcando posição, demonstrando ser um homem de princípios, mas sem ser parcial ou tendencioso, buscando sempre mostrar a verdade por trás das máscaras. Um homem de caráter inflexível, um defensor dos oprimidos, das minorias, dos mais pobres, dos trabalhadores, dos industriais. Um homem justo e comprometido com a democracia. É por causa de homens como você que ainda acredito que o Brasil pode dar certo. Por fim, nesse dia triste (caso o impeachment passe), gostaria de lembrar o que disse o grande brasileiro Darcy Ribeiro: " Meus fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".

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Rosalvo

Apesar de brilhante tenho que

Apesar de brilhante tenho que discordar do seu otimismo quanto ao futuro.  A velha mídia ainda terá  poder por muito tempo para tirar ou colocar pessoas na rua batendo panela contra ou a favor do que quer que seja. Junte-se a isto  a canalhice inlimitada de certos setores da sociedade e seu desprezo pela soberania do Brasil demonstrada em vários momentos ao longo da História.

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Dorotea Kremer Motta

Sobre os personagens

Luis Nassif, na sua brilhante análise dos personagens políticos dos últimos meses, dá uma aula até para profissionais do ramo - psiquiatras e psicólogos - sobre as questões relativas ao caráter humano.

Despretenciosamente, sem se arvorar a se meter em seara alheia, propõe uma classificação em "indivíduos de caráter inflexível e indivíduos de caráter adaptativo", exemplificando com as figuras que têm desfilado diante de nós, o que é independente do lado que se posicionaram na questão política brasileira.

Essa classificação, a meu ver, deve preceder os detalhamentos clássicos dos tipos caracteriológicos dos nossos códigos de classificação de doenças mentais (CID 10 e DSM-V), que se mostram tão insuficientes para a análise das questões e protagonistas políticos.

Aliás, essa insuficiência dos nossos manuais para explicar grandes questões políticas não é de hoje.

Quando Hanna Arend, ao assistir, atônita, o julgamento de Eichman, ao observar ser ele um homem comum, confiável cumpridor de seus deveres, bom pai e um cidadão respeitável, cunhou a expressão "banalidade do mal", estava se referindo à este caráter adaptativo que pode tornar seus portadores em monstros, conforme as circunstâncias. A grande parcela da população alemã que veio a se mostrar como "carasco voluntário de Hitler", em sua omissão consciente, pode também ser compreendida com essa classificação.

* as expressões entre aspas se referem às usadas por seus autores no texto do Nassif, no livro Eichman em Jerusalém, de Hanna Arend e no livro Os Carrascos Voluntários de Hitler, de Daniel Goldhagen, leituras que fiz na sempre incompleta busca de entender a natureza humana.

 

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Orlando Soares Varêda

  Grande Nassif. A merda é

 

Grande Nassif.

A merda é que o Brasil em contraposição ao ocorrido em outras paragens, quedou-se refém de uma elite cujo estrato social dominante deriva de aventureiros abatedores de florestas que, ao cabo, completada a devastação se acomodam, passando a explorar o trabalho escravo. São originários dessa  gente, aqueles que se pretendem aristocratas. Se acham a fina flor da meritocracia. São na verdade, uns merdas trampolineiros, do qual, o Temer é um notável exemplar. Corruptos, ladravazes cínicos, canalhas. Todos aqueles, que até os dias atuais destroem e predam as riquezas e bens naturais do Brasil, dos quais se apropriam em seu benefício, e de seus sequazes.

Aos trabalhadores brasileiros que produzem e multiplicam as riquezas, os restos, os barracos nas favelas, o analfabetismo, as doenças e a miséria. É com base neste acervo cultural-ideológico da casa grande que os: Serra, Aécio, Gilmar, e seus filhotes concurseiros de cabeça colonizada, subservientes e aderentes a tudo que vem da matriz. Daí, decorre sua permanente ação  predadora,  subalterna e entreguista.

São estes senhores que, em renitente sequenciamento golpista mais uma vez, tentam obstruir o natural fluxo civilizatório percorrido pelo homo sapiens. Querem a todo custo nos fazer atravessar essa maldita “ponte para a desgraça.”

Exatamente o reverso do que realizam as elites não vira-latas e empreendedoras das nações que se dão a chance de dar certo.

Enquanto não nos livrarmos desse restolho de merda, que entopem os canais, e, todas à vezes em que as águas do desenvolvimento ameaçam fluir livremente. Os dejetos voltam a entupir os canais. Mais uma vez, o lixo tenta impedir o Brasil de sair dessa "camisa de força" a nos manter como mera republiqueta de banana continental. Com um traíra medíocre como esse temer Silvério dos Reis, o Brasil não chegará, nem a um mero Porto Rico.

Orlando

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"Na física e na química,

"Na física e na química, estudam-se os fenômenos de uma perspectiva radical: tem-se uma molécula; basta mudar um átomo de sua composição para se transformar em um novo corpo."

Me inspira sua análise Nassif que define a princípio o átomo modificado, pois o que se compreende em relação à nação é o contexto semelhante que nos torna - na sociedade - uma cópia diária de interpretação alegórica do dinheiro; porquanto este é a molécula trocada nos registros históricos, que toma o poder, rompe com instituições, e assim age com seu evento equivalente ao novo corpo (especulativo) de tempos, lugares e situações. 

Por isso, o dinheiro, número de moléculas de mais de 200 milhões de habitantes (não mais custo de reprodução interna), requer trazer consigo os tempos que conseguem unir a carga do evento entre trabalho e produção, isto é; como átomo multiplicador dos valores que se formavam em fenômenos, antes venha claramente para dar conta da passagem de lugares reais a um calculo público que administrará a potência da nação.

 

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Uma ideia ou intuição dita de modo próprio pode servir de via de acesso em direção a percepção metafísica do ser e o quanto no universo ele é capaz de constituir por si mesmo para tal transcendência existencial.

imagem de   Junior Sertanejo
Junior Sertanejo

Relembrando Joel.A ex

Relembrando Joel.A ex Presidente Dilma telefonou ao Bispo Macedo,Papa da Igreja Universal em busca de votos contra o Impechemant.Vou rezar muito pela senhora,respondeu o Bispo.Não sabia a Presidenta,ingenua a não mais poder,que o mandato dela ardia na fogueira Santa de Israel. 

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imagem de   Junior Sertanejo
Junior Sertanejo

Respondo a mim mesmo.Sinto 

Respondo a mim mesmo.Sinto  um cheiro de reprimenda no ar,quando toco a falar da ingenuidade politica da Presidenta Dilma.È absolutamente verdadeira a informação que trancrevi acima.É,sendo Presidenta tem mesmo que ligar para todo mundo,sopra o inefavel peru.Eu seria mais seletivo nas minhas escolhas.Nem com pescoço na guilhotina eu ligaria para Ronaldo Caiado.Eu teria serias duvidas, se adentraria no Senado com ele dentro.

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na ditadura de 1964 caiu uma

na ditadura de 1964 caiu uma longa noite pelo o brasil. trinta anos ou mais... os militares no poder acham que eram mais nacionalistas do que essa turma que está aí. até que a resistencia tenha vitoria, receberemos um pais em frangalhos...

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Uma carta para minha filha que segue sua linha de raciocínio

Bom dia, Nassif! Tudo em paz?

Ontem, em meio a tanto lamento, choro e ranger de dentes, contruí um raciocínio parecido para escrever uma carta à minha filha, Helena, de 10 meses. O intuito é que logo ali adiante ela possa entender melhor o que ocorreu neste triste e repugnante 31 de agosto de 2016.

Compartilho muito da sua visão, em especial a de que em pouco tempo isso tudo servirá de aprendizado para a construção de um país destinado a ter um papel de vanguarda entre as nações.

Compartilho abaixo o texto, que está em meu facebook também, no link: http://goo.gl/aInRjT

Um abraço, com saudade da nossa Minas Gerais (sou de Andradas, ali pertinho da sua Poços de Caldas)

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Carta para Helena

Brasil, 31 de agosto de 2016

Filha, sei que quando ler esta carta e compreender o que ela contém haverá se passado 15, talvez 20 anos, de um dos momentos mais tristes e repugnantes que pude presenciar em nosso amado Brasil. Espero que diante desta leitura, o país - e o mundo - já esteja vivenciando uma nova era, em que as pessoas possam estar mais unidas em torno do respeito, da paz, em prol de uma sociedade mais justa, em que humanos não subjuguem os irmãos de caminhada terrena. Em que as pessoas não tenham mais tanto medo das próprias sombras.

Escrevo, filha, porque sei que os livros tendem sempre a contar a História pelo lado dos "vencedores" (atenção a estas aspas ;-)), calcada em informações tidas como "oficiais" e que têm em sua fonte quase sempre um pequeno grupo de empresários da mídia, que são pagos em grande parte pelos agentes do sistema financeiro mundial para divulgar aquilo que é de seus interesses.

Neste dia, filha, está sendo concretizado mais um golpe, agora institucional, em nosso País. E desta vez não foi preciso colocar os tanques na rua - ao menos por enquanto. A presidenta, Dilma Rousseff, eleita com mais de 54 milhões de votos de brasileiros, está sendo definitivamente afastada do poder pelo voto de 61 senadores, sem haver no mínimo um consenso se ela realmente cometeu "crime orçamentário" do qual é acusada - e pelo que o papai estuda não há crime algum.

Comecei a escrever este texto dois dias antes. Naquele dia 29 de agosto, a então presidenta afastada - após ser presa, torturada e julgada sumariamente durante a ditadura militar, uma página infeliz de nossa História - foi interrogada por mais de 14 horas no Senado Federal.

Respondeu a todas as perguntas, deixando claro que a principal motivação para o golpe sempre foi política - iniciado por vingança do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que abriu o processo por não ter o apoio do PT, partido de Dilma, para interromper um processo de cassação no Conselho de Ética, o primeiro a ser enfrentado por ele após anos e anos de conhecidos achaques, conluios e distribuição de propinas que permitiram, à época, que ele controlasse as vontades - e os votos - de cerca de 200 deputados.

Para o papai, esse processo, no entanto, começou bem antes. Mais precisamente quando o antecessor de Dilma, o ex-presidente Lula, ao vencer as eleições de 2002 com o tema "a esperança venceu o medo", deu sua primeira entrevista ao Jornal Nacional, da mesma TV Globo que foi implantada com recursos de fundações que serviam aos interesses dos financistas para dar suporte ao golpe militar, de 1964. Dias depois, Lula ainda anunciou para o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston, que voltaria a assumir, não por acaso, a mesma pasta no interino governo golpista de 2016.

E como se diz nesses dias sombrios, o Brasil não é para amadores. E sabemos que a História sempre se repete - a primeira vez como tragédia e depois como farsa, como diria Karl Marx.

Lula fez um dos governos mais voltados para o social que o Brasil já teve. Comparável, sempre, a Getúlio Vargas e João Goulart, outros dois grandes presidentes de nosso país. Indiscutivelmente, Lula elevou o país a um outro patamar no planeta e fez crer que o futuro já havia chegado para esta terra destinada a cumprir papel tão importante entre as nações.

Porém, não atentou que "nunca antes na História desse País" - como era seu bordão - uma pequena classe burguesa atrelada aos interesses dos grupos hegemônicos mundiais permitiu dividir seus lucros e espaços com quem considera "menos" do que ela.

Desde outubro de 2014, quando Dilma venceu as eleições verdadeiras e conquistou seu segundo mandato - você ainda nem na barriga da mamãe estava - passei a "falar" menos e observar mais. A buscar compreender melhor e acreditar no que seria inevitável, dado o jogo de cartas marcadas e a clara manipulação que desfizeram amizades, criaram conflitos e alargaram o fosso social já tão gigantesco de nosso País. Em meio a tanto ódio propagado em redes sociais, escolhi gastar energia com o quê e com quem realmente valesse a pena - e isso se deu a custo de muito autocontrole, sua mãe que o diga.

Antes mesmo de Dilma assumir, já era claro que a "Casa Grande" não deixaria a "Senzala" governar por mais quatro anos. Diante de um cenário mundial em que muitas feridas mal curadas do passado tornaram-se escaras de preconceito, conservadorismo e fanatismo, o fascio deu novamente as caras e encontrou eco nas sombras reprimidas de milhares de brasileiros que, inflados, mal sabiam o que atacavam e defendiam nas ruas - e nem mesmo se atacavam ou defendiam. Usados como massa de manobra, queriam inconscientemente liberar seus medos, seus monstros internos no outro, em vez de se ocupar deles.

Hoje, dia 31 de agosto, ainda são poucos os que sabem o real motivo dessa empulhação que resultou em mais uma página triste de nossa História. Os velhos coronéis ressurgem das suas catacumbas. Centenas de rostos da opressão de anos a fio se acomodam à face de Michel Temer. Tempos sombrios teimam em sair do passado para ocupar as vias do presente. Por pouco tempo, tenho certeza.

Sim, filha, eu e sua mãe sempre tivemos esta "estranha" mania de ter fé na vida, de sermos otimistas demais. Mesmo diante desse cenário, continuamos do lado "esquerdo" da História - e, como já disse Darcy Ribeiro, não me agradaria nem um pouco estar ao lado dos "vencedores".

Reitero que o golpe ocorreu, sim. E não apenas com o Brasil. Todos os brasileiros, filha, sofreram durante esse processo "tapas na cara" - do grego kolaphos, de onde vem a palavra golpe. Em alguns, estes tapas causaram revoltas infantis, fazendo com que fiquem ainda mais enclausurados em seus preconceitos, rancores e mágoas. Creio, no entanto, que muitos outros despertaram com esses golpes, encararam seus medos, suas sombras e todas aquelas que há centenas de anos pairam sobre nosso país - que nada mais é do que um reflexo dos que vivem nele.

Por este motivo, acredito que sairemos ainda mais fortes desta página de nossa História para escrever novos capítulos com mais lucidez. Sabendo que muitos passos foram dados - alguns deles em falso - para chegarmos até aqui, seguimos acreditando nesta grande e infinita revolução. Uma revolução pacífica que há milhares de anos vem sendo travada dentro e fora de cada ser que acredita que o amor é a mais poderosa arma contra qualquer tipo de golpe - seja na face ou no governo de um país.

Por fim, Helena, desejo apenas que quando ler estas palavras esteja ajudando a escrever o novo capítulo de nossa História com a arma que eu e sua mãe lhe ensinamos a usar dia-a-dia e que compreenda que o medo nunca vencerá a esperança em lutar para que nosso País cumpra seu papel nessa nova era da humanidade.

Com amor,

Papai

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Danilo Maia

Lindo!

Gostaria de pedi permissão ao autor para atapitar esta carta para o meu filho.

Gostaria muito que ele também tivesse esta referencia lúcida do ocorreu hoje no Brasil.

As gerações futuras serão melhores do que nós, tenho fé!

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Maria Silva

Ufa! Li de um fôlego só ...

É tudo isso. Mas a história não acabou. Pega seu gladio, a lança e a rede e vamos pra arena ... Tolerancia zero com a escoria golpista.

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Estou arrasado. Sentimento de

Estou arrasado. Sentimento de desalento.

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Verdade Eterna

(Sem título)

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Brasil, Pais do futuro

Luis Nassif, excelente analise do presente, relembrando a historia brasileira e olhando para o futuro. Nada mais irônico hoje que lembrar Stefan Zweig e sua sentença, para ele positiva, de que o Brasil era o Pais do futuro. Zweig que ganhou recentemente um interessante biopic no cinema, filme alemão de Maria Schrader, que conta seus ultimos anos de vida no Brasil e sua desilusão com a guerra e os homens. Muito oportuno, por sinal.

Muitos aproveitaram-se da frase de Zweig para surfar politicamente e levar o povo a aceitar sua situação dificil em nome de um futuro, un avenir, que so viria mesmo aos "trancos e barrancos", através de governos populares acossados pela plutocracia local e a subvenção a grupos locais pelos americanos do norte.

Apesar das enormes dificuldades de se fazer avançar intelectualmente um Pais, o povo não tolera mais o engodo de "Pais do futuro". E por mais que tentem esconder as sombras desse governo, a conta vira mais cedo do que acreditam.

Parabéns pela lucidez e sempre à procura de uma luz no longo tunel que atravessamos.

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Junior Sertanejo

Cronica de Uma Morte

Cronica de Uma Morte Anunciada.                                                                                                                                                     Perdemos o que nunca ganhamos.O inimigo mais letal e feroz nos espreitava a cada esquina,com um arsenal belico de tamanha monta,pronta para dizimar o inimigo no primeiro sinal de reacao.Jamais o combatemos,seja por medo,covardia ou as duas coisas.Oportunidade nao  nos faltou.Quem nao se lembra quando o editor do blog,em momento mais que oportuno,pontuou:Esquecam Policarpo,o Negocio e Roberto Civita.A velha midia envolvida com o crime organizado para aniquilar o governo.Perdemos por que em nenhum momento,tivemos a dimensao que um governo obrigatoriamente teria que ter nas nomeacoes dos Ministros da Suprema Corte.Dos que ai estao e dos que ja se foram,um unico deles cumpriram do que deles se esperavam,agirem como magistrados.Emblematica a nomeacao da Ministra Rosa Weber,por influencia do ex esposo da Presidenta Dilma,tornou-se inimiga de quem a indicou,jamais proferiu um so voto a favor do governo.Do seu gabinete saiu Sergio Moro.Perdemos por que nos misturamos com a escoria da politica nacional.Jose Sarney,Rene Calheiros,Gedel Vieira Lima,Romero Juca,Henrique Eduardo Alves,Moreira Franco,Eliseu Padilha e Michael Temer.E ate Paulo Maluf,alem de uma nos aliarmos a verdadeira seitas religiosas,onde impera o achaque pura e simples contra um exercito de incautos.Doi e machuca,mas perdemos na indicao de Dilma Roussef,digna,honesta,limpa,mas sem as minimas condicoes de lidar com uma camarilha de politicos que comandam o assalto aos recursos publicos destinados ao povo mais pobre,com artimanhas que so eles sao capazes de operar.Jamais poderia recair sobre os ombros da Presidenta Dilma,ingenua politicamente,a tarefa ingloria de combate-los.Elementar,perdemos o que nunca ganhamos.

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As minhas desculpas de

As minhas desculpas de sempre,com uma outra palavra escrita de forma incorreta,mas me fiz entender.Esse era um post para mais 200 linhas,se assim quissesse.Como sou o mais fervoroso adpto do "Rede Social - 50 linhas",25 linhas me bastaram.

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ricardo.salf

curiosidade médica

Alguém, por acaso, sabe onde foi a a tal Janaína fez sua graduação (não consta em seu Currículo Lattes). Intriga-me pensar em que tipo de universidade um evidente quadro de psicopatia teria passado despercebido por todo o quadro docente...

 

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curiosidade médica

Alguém, por acaso, sabe onde foi a a tal Janaína fez sua graduação (não consta em seu Currículo Lattes). Intriga-me pensar em que tipo de universidade um evidente quadro de psicopatia teria passado despercebido por todo o quadro docente...

 

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Marcelo Luiz

E A PIZZA É O IMPEACHMENT

Fatiando a votação do impeachment e deixando os direitos politicos de Dilma, abre-se o precedente que beneficiaria não só Eduardo Cunha, mas de todos os politicos que virão a ser julgados e terão que ter a perda dos direitos políticos votado pela propria câmara. Em alguns tipos de crime, em especial o Caixa 2, a pena é mais branda do que de enriquecimento ilicito.                          Cancelando a delação da OAS (que era principalmente de enriquecimento ilicito) e fechando com a delação da Odebrecht (que é só caixa 2), os envolvidos serão condenados a penas mais brandas. Perderão os mandatos politicos, mas não precisarão devolver o dinheiro que roubaram, ficaram menos tempo preso (se ficarem algum tempo) e poderão participar das proximas eleições.Ou ainda poderão assumir cargos de confiança em estatais, continuando a operar os esquemas de corrupção que já participam... só que agora nos bastidores. A única forma de evitar essa pizza é alguém recorrer dessa decisão no STF, mas isso coloca em risco o próprio processo de impeachment. E você acha que apoiador do impeachment vai querer correr esse risco? A pizza chegou e o entregador é o coxinha. Somos TODOS palhaços

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Uma correção

Gilmar Mendes não possui caráter. Gilmar Mendes possui coerência. Coerência absoluta com os ideais fascistas que professa, ontem, hoje e sempre.

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Teste de caráter em Bananóvia

O autor, do post disse uma frase digna de meu ceticismo, e no mínimo duvidosa:

"Mas não existe teste de caráter."

Não existe mesmo? Vejamos, um caso, que põe em xeque esta tese:

Na reino fictício de Bananóvia, um  presidente nomeou um Ministro do Supremo que tinha processos na Justiça por ter espancado sua própria esposa. Depois de nomeado, o Ministro, fez o que pode para acabar com  o partido do  presidente, que tardiamente, se disse arrependido da nomeação.

O pior de tudo é que o presidente de Bananóvia, ainda disse ter hesitado antes de nomear o ministro, pois sabia de seus processos. Sabia de seus processo e o nomeou assim mesmo. Tenha dó...

 

Outra frase do autor do post,  digna de contestação, é : "Não dividirei as pessoas entre os com e os sem caráter. Para evitar maniqueísmos ou ferir suscetibilidades(...)".

Se não dividir as pessoas entre com caráter e sem caráter, vai dividir como então?

Mas aí é que está, se quisermos seguir Maquiavel, temos de ser 100% maniqueístas. O grande mal do povo de Bananóvia, e de seus políticos de esquerda é ter medo de seguir Maquiavel, medo de ser maniqueísta, e medo de ferir suscetibilidades. Um Maquiavel não tem o menor escrúpulo de ferir se for preciso, nem de ser maniqueísta, se a ocasião assim o exigir., inclusive faria isto pelo bem do povo

Uma das frase mais famosas de Maquiavel, "Se quisermos governar como santos no meio de perversos, acabaremos arruinados e depostos".

Existe outra frase, muito comum entre entrevistadores: "Ou a gente julga uma pessoa uma vez quando ela vem fazer entrevista, ou teremos de julgar ela todos os dias pelo resto da vida." Se trata de escolher um mal menor, e ser maniqueísta sim.

Mas voltando a Bananóvia, após esta saudável e serena reflexão, se um entrevistador daquele reino quisesse fazer uma entrevista para escolher um Ministro do Supremo ele deveria ser extremamente perfaccionista, e excluir, qualquer candidato que tenha a mínima mancha no caráter, no currículum e no passado.

Assim também deveriam proceder os eleitores de Bananóvia, excluindo todos os candidatos que tenham ficha suja e votando só nos que tenham um passado eticamente limpo. Note-se que Maquiavel utilizava da ética conforme lhe fosse mais conveniente ou não, para governar, também assim deveria fazer o povo de Bananóvia, inclusive escolhendo um candidato que tenha mais caráter do que o próprio povo, se preciso for.

Que lição profunda e singela o reino fictício de Bananóvia nos ensina? Que um entrevistador mínimamente competente que quisesse selecionar por caráter, excluiria quem bate em mulheres, crianças e animais. Em uma mulher não se bate nem com uma flor...

 

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Ze Guimarães

"Uma das frase mais famosas

"Uma das frase mais famosas de Maquiavel, "Se quisermos governar como santos no meio de perversos, acabaremos arruinados e depostos"."

Não dá para entrar num chiqueiro e sair com as roupas limpas. Debruçando-se sobre a realidade, quando Cunha pediu os votos de alguns petistas para escapar da comissão de ética, Dilma deveria ter aceitado o acordo, e o processo de impeachment não teria ocorrido. A atual composição da Câmara é um chiqueiro trazido por Cunha. Querendo ou não, Dilma não teria outra alternativa a não ser negociar com os porcos, caso contrário não governaria por um dia sequer. Era a realidade nua e crua. 

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Prezado Cafezá Bom dia O

Prezado Cafezá

Bom dia

O problema é que o republicanismo juvenil do petismo nunca houviu falar de Maquiavel! Tenho inveja de Putin e Xi Jin Ping, lá, todos esses traidores e golpistas seriam fuzilados ou tracafiados para o resto de suas mediocres vidas.

Quem sabe agora entenderão como a banda toca por aqui.

Zé Dirceu deve estar lendo Maquiavel agora.

Abração

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Mário Mendonça

Exatamente

Um Maquiavel pensaria mais ou menos assim.

Como nos tempos de escola, onde os piores da classe aprontavam, e se alguém delatassse para a professora, ou não ficasse em silencio apanhava na saída, e ainda era capaz de levar a culpa no lugar dos que aprontaram, assim, é a política.

O primeiro erro, foi escolher o par de dança, e a música, ou seja, ter dado super poderes ao Ministério Público, e ter feito nomeações republicanistas diversas, principalmente para cargos importantes, como STF e Procuradoria Geral da República, depois disto a sina é dançar até o fim do baile, o que vier pela frente.

"Maquiavel, fingindo dar lições aos Príncipes, deu grandes lições ao povo."

Jean-Jacques Rousseau

 

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Ze Guimarães

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Eduardo Outro

Prezados Zé Guimarães, Cafeza

Prezados Zé Guimarães, Cafeza e Mario Mendonça,

Indagações de alguém que valoriza os comentários tanto quanto o texto, às vezes mais:

-O Nassif dividiu as pessoas, didaticamente, entre os de caráter inflexível e os de caráter adaptativo. Entendo ser melhor do que os com e sem caráter. Subentendo que os sem caráter não poderiam ser culpados por algo que não têm, e que se viessem a ter, poderia até ser bom. E fica claro que os adaptativos são sempre negativos, muito pior do que o zero daqueles despossuidos.

-Traduzindo Maquiavel em linguagem não erudita, todo governante tem que botar a mão na merda. Só que isso tem que justificar o fim almejado e não ser simplesmente um ato de excrementofilia. Se a presidenta entrasse no chiqueiro para salvar um porco, e se o tivesse salvado, poderia até estar hoje no cargo, mas totalmente enlameada e nas mãos dos porcos. Alguém crê que cedendo uma vez pode negar depois? E se mesmo entrando no chiqueiro não o tivesse salvo? Os porcos da Bananovia não são todos trairas?

-Escolher para Ministro do Supremo uma pessoa sem qualquer nódoa de conduta, ética ou profissional, é tarefa fácil para qualquer presidenta ou presidente. Quando se tem conhecimento de um possível ato condenável e mesmo assim o nomeia é ser um pouco maquiavélico, né não? E se o próprio Maquiavel viesse a ser presidente da Bananovia, não deixaria de ser humano, portanto poderia errar. E erro só pode ser corrigido depois de ocorrido, se houver uma segunda chance. Dá para crer que os erros cometidos pelo presidente se repetiriam?  Creio que os seus, dele, inimigos não pensam assim, e é isso que tem motivado uma louca caçada para cassar. Grande abraço aos três.

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Prezado Eduardo

Trabalho como entrevistador, para setor imobiliário, e posso te garantir, uma entrevista chega a quase 99% de eficacia, quase sem chances de erros, quando se tem um entrevistador experiente e treinado. Não podem haver erros nesta área. É uma ciência tão exata como a Física, a Química, ou a Matemática. Agora, num caso de nomeação de Ministro do Supremo que é uma responsabilidade muito maior, menos ainda. O que faltou, foi conhecimento mínimo sobre seleção de pessoas, erro grotesco do ponto de vista de RH. E mesmo que seja difícil achar uma pessoa 100% íntegra, não é impossível, para quem tem perseverança, e paciência. Um entrevistador as vezes precisa entrevistar dezenas ou centenas de candidatos para achar um que seja como ele precisa.

E digo mais, a seleção dos jogadores é de longe a maior chance que se tem de vencer um jogo.

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Maquiavel jamais nomearia uma pessoa com erros, se tivesse a mínima dúvida de que estes erros pudessem prejudicar o país. Na dúvida, não nomearia.

As pessoas sem caráter tem culpa sim, por não ter caráter, pois a capacidade é igual para todos, o que diferencia, é o livre arbítrio. . Mas independentemente disto, um governante faria de tudo para mantê-las longe do poder e do seu Governo, para o bem do país.

 

-----------

Dilma não precisaria ter votado a favor de Cunha na comissão de ética,bastaria ter recomendado aos petistas faltarem no dia da votação, ou se absterem, votando em branco, sob a justificativa de que o PMDB era partido de seu vice coligado. Assim, lavaria as mãos desta enrascada.

Um Mestre Enxadrezista jamais atacaria um adversário experiente diretamente, ele fecharia lentamente uma emboscada imperceptível por trás e em volta, e só faria o xeque quando fosse fulminante.

Maquiavel, dizia que contra adversários poderosos é preciso de não atacá-los de frente, mas arrumar outras pessoas que ataquem para você para que você não tenha de enfrentar a sua ira.

O que o PT deveria ter feito, era ter votado uma lei impedindo vazamentos de casos judiciais antes de julgados em última estância, isto neutralizaria a mídia, e isolaria os maiores adversários do Governo. Só depois deveria ter pensado como derrubaria Cunha.

Mas isto seria demais para o PT, que nunca leu Maquiavel, nem jogou Xadrez, não é mesmo?

 

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Ze Guimarães

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Eduardo Outro

Grato pela resposta.

Grato pela resposta. Encontrar-nos-emos (sou adaptativo, gosto muito de mesóclise, principalmente acompanhada de um tinto não muito rascante) mais vezes.

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A disposição

A disposição, Sr. Eduardo.

Somos adaptativos então, pois eu também sou; a adaptação é o segredo da vida e da evolução.

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Ze Guimarães

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Edna Baker

Nassif obrigada por você

Nassif obrigada por você  existir. Maravilhoso blog, meu esteio.

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Do golpe muito se falou. E da

Do golpe muito se falou. E da nova forma de ditadura que se instala?

Ficou claro para a comunidade internacional e para setores nacionais comprometidos com o desenvolvimento do país que o impeachment contra Dilma se trata de golpe disfarçado para convencer (apenas os incautos) da sua legalidade.

Sem legalidade e sem a legitimidade da entronização via escolha direta pelas urnas, o novo governo não se sustentará pelas vias democráticas.

Golpe de circunstâncias semelhantes

O momento presente, de fácil leitura em seus avanços inclusivos, com melhoria salarial, programas sociais diversos, foco na educação, resumindo, reformas de cunho social democráticos, exatamente em moldes como fizeram as democracias mais avançadas.

Sempre que se tentou melhorar o padrão de vida do povo - atenção que aqui também está incluída a classe média - derrubadas de governos foram pactuados pela elite e cegamente receberam o apoio da nossa e ignorante classe média.

A classe média brasileira, e historicamente reconhecida como protetora e babadora da elite. Qualquer estudo irá apontar os invasores que por aqui chegarem para enviar nossas riquezas para Portugal e ficar com a sobra dela, os Capitães do Mato, os capatazes, formas mais sofisticadas colonizados como os juízes e parlamentares defendendo os interesses dos ricos. Quem há de negar essa formação com base na casa grande e senzala, que perdura, derrubam governos e criam ditaduras?

A classe média brasileira desconhece os benefícios para ela própria de reformas da social democracia.

Aceita e aplaude a teoria da social democracia, mas derruba qualquer governo que tente aplicar os instrumentos inclusivos.

A nova forma de golpe

Outros defensores dos privilégios alguns poucos foram forças armadas que não só deram guarita, como correram promotoras em conluio com a elite civil do golpe de 64. Não vamos nos esquecer que a imprensa foi defensora do golpe, reconhecendo sua estupidez em editoral da Globo.

Desta vez, quem se alia aos interesses exclusivistas e produz o golpe é o parlamento - que em 64 não foi autor, mais reafirmou cada um dos atos da ditadura - agora como autor e com auxílio do poder judiciário.

Forma tão clara e preparada, que um estudo realizado em 2007 por Aníbal Pérez-Liñán pela Universidade de Cambridge, cujo título foi enfático e premonitório, "O Impeachment Presidencial e a Nova Política de Instabilidade na América Latina"', descreve: "após os regimes militares na América Latina, a opção foi por golpes não violentos, travestidos de impeachment".

A nova forma de ditadura que se instala

Como dito, sem legalidade devidamente constatada e sem a legitimidade da entronização via escolha direta pelas urnas, o novo governo não se sustentará pelas vias democráticas.

O governo nestas condições, a história comprova, terá que se utilizar da mesma forma que qualquer ditadura se sustenta.
Assim, não é de se estranhar que Temer e sua equipe já tenha coopitado a grande mídia e tentado calar a mídia independente tirando recursos financeiros e articulando com a justiça uma série de ações judiciais contra os jornalistas que criticam o governo.

Democracia vai muito além do voto. O exercício pleno dela inclui respeito à divergência, programas de inclusão e ampliação do que está posto, e todas as medidas possíveis que estabeleça condições semelhantes de oportunidades e disputas, tudo o que procure o equilíbrio, condição indispensável para que a democracia seja alcançada.

A tentativa de esvaziamento da EBC corrobora tal afirmação. A famigerada proposta da "escola sem partido", a disposição em acabar com o ministério da cultura, área eminentemente de crítica e propositiva, a derrubada de auxiliares e técnicos que divergem do pensamento. Tudo no sentido formar um pensamento único, de reprimir e calar todos os que possam criticar a criatura.

Inocentemente (será?), o governo ora derrubado, apoiou uma série de ações e projetos de lei que visam reprimir qualquer manifestação contrária aí que está posto, como a cretina lei antiterrorismo, entre outras. A educação é esvaziada. O Ministério da Justiça se arma.

O atual governo já aplicou, e ensaia uma série de outras ações para desmantelar as conquistas da social-democracia implementadas pelos governos anteriores, e isso é claro e insofismável.

Se estamos presenciamos um golpe com nova formatação, também estamos entrando em um período de ditadura com nova roupagem.

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Antônio - Minas Gerais

Esperança

Nassif, é admirável a sua esperança. Confesso que gostaria de compartilhar desse mesmo sentimento, mas não consigo. Chega. Essa colônia sempre será governada por essa elite prostituta, ladra, suja, vil, rancorosa, sonegadora, cafona...

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Merecemos. Teremos mais 30

Merecemos.

Teremos mais 30 anos de direita no poder.

Nada, ou quase nada, adiantaram as lições da história e os 14 anos de governo do PT.

Qual a mente brasileira, senão de direita?

Mente meritocrática, elitista, oportunista e descomprometida politicamente e socialmente.

Onde estão nossos filhos? Estiveram nas ruas de amarelo, ou pelo menos "focados" na metitrocracia para o seu povir.

Valeu à pena o pragmatismo que nos levou a este cadafalso?

A vitória acachapante desde os movimentos de ruas até a fragorosa derrota na Câmara, no Senado, na Justiça, nos órgãos de classe, mas entidades, no MP, até na OAB, foi fruto de que?

De uma sociedade que quer se manter na cultura da "casa grande e senzala", que não quer aceitar a democracia, e prefere os acordos por debaixo dos panos.

Que fizemos para acabar com a "gorjeta", símbolo do nosso festejado oportunismo usurpador, na sua ua extensão mais comum, a do conhecido "agrado"?

Idealizamos a sociedade, ou repetimos, como fruto do pragmatismo, os defeitos da nossa formação?

Os governos optaram por fazer as necessárias, todos sabiam desde antes do governo Lula, as reformas de base, e ampliar e pulverizar a concentração das fontes de informação, ou preferiu comparecer ao enterro FÍSICO de Roberto Marinho e ir ao programa de Ana Maria Braga?

Tanto tempo para propor um plebiscito para as reformas e só agora?

A direita é que veio comendo pelas beiradas, até a retirada de Mantega e a entrada de Levy, troca que muitos letrados progressistas aplaudiram. Nesta área que é fundamental para governos na era do "it's the economy". Aqui a direta teve a certeza que era apenas questão de dias.

Aguardemos mais 30 anos.

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fora Temer!

hoje à noite, na Cinelândia - Rio

abraços

.

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Arkx,

O problema não é Temer.

Temer sai, quem entra?

E a CF rasgada?

No ponto que chegou, sem paralização total do país o golpe terá continuidade com ou sem Temer.

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j.marcelo

Colhemos o que

Colhemos o que plantamos,agora espero principalmente deste blog,mais ainda boas sementes,

para podermos colher bons frutos no amanhã na forma de bons pensadores,pessoas e boas lideranças !!

Obs: O ggn e os blogs sujos são sementes plantada para o futuro !!

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Marcelo33

Para conquistarmos o direito

Para conquistarmos o direito de administrar a terra arrasada que esse país vai virar. 

Brasil morreu hoje !!!  Vão roubr tudo o que valha alguma coisa aqui.

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Aquilo lá é a representação do povo brasileiro...

Nosso desenvolvimento como nação da "Ordem e Progresso" se dará a passos lentos mas pacíficos...

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Nassif, corrija aí seu

Nassif, corrija aí seu excelente texto.

Ayres Brito não vez carreira no Piauí , é sim em Sergipe.

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É verdade. Não teve Piauí na vida de Ayres Brito

Carreira[editar | editar código-fonte]

Bacharel em Direito (1966), pela Universidade Federal de Sergipe, instituição da qual se tornaria professor, émestre (1982) e doutor (1998) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.[2]

Na sua trajetória profissional, ocupou, em Sergipe, os cargos de Consultor-Geral do Estado no governo José Rollemberg Leite (1975-1979), Procurador-Geral de Justiça (1983-1984) e Procurador do Tribunal de Contas do Estado (1978-1990).[2]

Em 1990, foi candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores,[4] [5] porém não foi eleito.

Foi conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de 1993 a 1994 e membro da Comissão de Constituição e Justiça do órgão nos períodos de 1995 a 1996 e 1998 a 1999.[2]

Foi professor da Universidade Federal de Sergipe de 1973 a 1983 e de 1990 até 2003.[2][6] Em 1981, lecionou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo como assistente do professor Michel Temer.[2]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Ayres_Britto

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" . Não é possível conviver

" . Não é possível conviver eternamente com a mentira, a hipocrisia.'

Não é assim que vivemos neste mais de 500 anos?

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j.marcelo

Verdade Assis,a hipocrisia e

Verdade Assis,a hipocrisia e a mentira nos acompanha, mas temos agora a

companhia da internet e suas redes sociais,blogs sujos como contraponto !!!

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Se antes a mídia usava de

Se antes a mídia usava de partidos políticos como intermediário, agora ela passa a exercer a participação política partidária de forma direta.

Temer jamais teria capacidade de conceber e formular um golpe tão bem realizado.

A criação de vários tentáculos na sociedade é ação complexa e articulada.

As várias raízes de apoio ao golpe, dos movimentos de rua ao apoio do judiciário, passando pela FIESP, pelos logistas, etc., foi gerado por ações em cadeia que pelo curto espaço de tempo seria impossível analisar o golpe sem apontar as redes de mídia como responsáveis direito e principais.

Note - se que a cirúrgica resposta de Dilma à pergunta de Aécio, no dia de ontem, aponta o bombardeio midiático de oposição desde quando o Partido da Grande Mídia não conseguiu eleger o seu representante, Aécio Neves.

Primeiro a mídia alegou fraude nas urnas e pediu recontagem, depois massificou a informação de erros na arrecadação da campanha de Dilma, mesmo tendo o órgão judicial maior, o TSE, aprovado as contas e, prestem atenção, diplomado a presidenta Dilma. Ato que só se concretiza com reconhecimento da lisura do pleito eleitoral em todos os seus aspectos.

Depois desta tentativas de derrubada de Dilma pelas vias legais eleitorais que restaram frustradas, a mídia que já tinha elegido Cunha como presidente da Câmara, e vinha guardando a dívida do seu fantoche para uma oportunidade de ouro, determina que Cunha acabe com o governo Dilma.

As ações de Cunha, todas elas, guardaram total sincronicidade com as matérias jornalísticas da mídia. Desde as pautas bombas, até a abertura do processo de impeachment, tudo foi articulado, conduzido e dirigido pela mídia tradicional.

Nós outros tentáculos se viu igualmente a participação marcante da mídia. No judiciário, as informações manipuladas das denuncias conta Lula e Dilma. No mundo empresarial os passos dos patinhos clonados da FIESP conduzidos pelos holofotes da Globo.

Com tanta moagem de reputações, com tanta força, poder e penetração do Partido Grande Mídia, os frágeis personagens da nossa história atual pularam do barco, um à um, e covardemente entregaram a democracia e a justiça nas mãos da imprensa tradicional. É a mídia que determina quem vai a julgamento e qual será o veredito. É a mídia que diz quais destinos do país, é a mídia que diz quais leis serão aprovadas pelo congresso.

Portanto, não foi a fraqueza política de Dilma a causa da sua derrubada. Hoje no seu depoimento ficou bem claro a sua estrutura ética e moral. Ficou claro a força que concerne à liderança de qualquer pessoa. Ficou claro o alto grau de conhecimento que ela tem sobre os problemas do país e os caminhos para as soluções.

As intrigas não eram pela inapetência ou incompetência da nossa representante eleita, ninguém melhor do que ela para esses momento em que os políticos estão desmoralizados, ela que não transmite a carapuça dos politiqueiros.

O que o Partido da Grande Mídia, opositor ao governo, não poderia permitir era a continuidade das políticas sociais e inclusivas, não podia permitir a volta do sentimento de nacionalismo. Era preciso abrir, mais uma vez, as nossas riquezas para o capital estrangeiro.

Dilma não foi derrubada por ser Dilma, assim como Goulart não foi derrubado por ser Goulart. Getúlio não se matou por ser Getúlio. Nenhum deles foi derrubado porque era fraco, incompetente ou leniente. Foram derrubados por aquilo que representavam. Para os que poderiam pensar que, no momento atual, com Lula, ou com outro, seria diferente, apenas aponto que Lula foi defenestrado pelas forças do sistema ainda antes de assumir como Ministro da Casa Civil.

Mas, a história é cruel no resgate das verdades. E, tanto quanto ocorreu com Joaquim Silvério e com Tiradentes, os que hoje são apontados como salvadores serão futuramente, e bem próximo, graças à internet, reconhecidos como traidores, e os que hoje são considerados traidores serão resgatados pela história, tal como ocorreu com Tiradentes, como heróis.

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Severino Januário

Meus amigos, vamos entender

Meus amigos, vamos entender que o golpe foi dado lá atrás, em 2013, e que não haveria como evitá-lo, de modo algum. O que devemos fazer agora é tentar destruir as mentiras que inventarão tentando emplacar um falso relato sobre a extraordinária e maravilhosa Era do Partido dos Trabalhadores, ou Era Dilma-Lula, ou Era Lula, um dos momentos mais fecundos e brilhantes da História do Brasil. É a isto que devemos nos dedi9car agora.

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robson muraro

NÃO PODE HAVER OUTRA LEI DA ANISTIA.

já falei. vou repetir o quanto for possível. não pode haver outra lei da anistia. os autores do atual golpe tem que pagar, nem que isso custe uma geração (mais 21 anos). o golpe atual teve início na lei a anistia, que permitiu aos golpistas viverem na sombras e constuiírem a retórica de vítimas. já que não conseguimos evitar o golpe, que seja o último golpe.

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Queria dizer ao mundo o

Queria dizer ao mundo o seguinte: Sou brasileiro. Desculpem-me por favor!!

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Danilo Pro

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Celso Paulo da Silva

Provavelmente alguém já disse

Provavelmente alguém já disse que esse artigo é brilhante.Sugiro ao nassif que coloque-o num livro que eu guardarei para explicar para meus netos a sacanagem total que virou o nosso país nesses tempos de golpe. 

obs: entre tantos motivos posso dizer que esse golpe é uma huilhação porque nasceu da alienação praticamnete total do povo brasileiro. Escrevo como desabafo. Não posso aceitar que um povo possa se deixar levar tão dócil e facilmente a desfacelarem a sua democracia sem sequer uma reação mínima. Porque se existe algúem reagindo inignada até agora contra essa barbardade que estão fazendo como o PT-Lula-dilma são os movimentos sociais , porque o povo está mais preocupado com o bbb, jn,e a novela global. De certa forma, merece o que está por vir. 

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Geraldo Chaves

Parabéns!

Parabéns por mais esse texto imperdível.

Mais uma leitura diária, que só valoriza o tempo que dispomos em estar aqui, buscando ver alguma luz diante dessa escuridão que volta a encobrir o nosso Brasil.

Muita tristeza por ter passado a adolescência vivendo sob uma ditadura e agora, depois de ver o país aparentemente entrar no eixo, ver tudo desandar e voltar à condição de sub-nação que muitos desejam. 

Uma vergonha!  

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Celso - sp

caro Nassif, Seu texto, mais

caro Nassif,

Seu texto, mais o discurso do senador Requião, lembrando Vargas, nos da esperança de resistência mesmo que demore.

Eles pagarão.

 

 

 

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Celso - sp

caro Nassif, Seu texto, mais

caro Nassif,

Seu texto, mais o discurso do senador Requião, lembrando Vargas, nos da esperança de resistência mesmo que demore.

Eles pagarão.

 

 

 

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WELINTON NAVEIRA E SILVA

A atual crise no contexto mundial

...“Como se explica que a moral e os bons costumes tenham se aliado ao vício para implantar o reino dos negócios escusos?”...

...”A aliança Temer-Janot permitirá ao novo grupo de poder destruir políticas sociais, desmontar o modelo de exploração do pré-sal, vender ativos públicos, ampliar os gastos públicos através das emendas parlamentares. É um pacto de negócios.”...

O sistema capitalista é tão cheio de absurdos e contradições, que possibilitou as maiores facilidades para que os serviços de informações saíssem fora do controle do Estado, adquirindo vida própria, aqui e no mundo todo. Exceções para a China, Coréia do Norte, Cuba e Rússia (por exclusiva liderança de um russo de punhos de aço, chamado Putin). Sabe-se que a informação é poder. E, em todo o mundo capitalista surgiram incontáveis facções da turma de preto, poderosas e ricas. Aqui não foi diferente.

Com Dilma/PT insistindo em esclarecer os crimes de torturas, assassinatos, terrorismos, sequestros e desaparecimentos dos tempos da ditadura militar, a turma de preto, sem arrependimentos algum, revoltada com tal investida, resolve incendiar o Brasil para depor Dilma/PT. Presentes em todos os lugares, por certo que já sabiam que Dilma Rousseff não roubava. Não rouba. É honesta e nacionalista. Grande problema.

Para piorar os planos para tirá-la do Poder, estava a pungente economia brasileira. Enquanto a economia do primeiro mundo continuava patinando desde 2008, a economia de Dilma/PT de até junho de 2013, exibia progresso, muita confiança, interna e externa. Exibia prosperidade, empregos e euforias, com o povão consumindo de tudo como nunca antes, com restaurantes lotados, com as classes “B” e “C” comprando carros, imóveis, fazendo reformas, turismos por toda parte, até mesmo para a Europa. 

Em semelhante ambiente de confiança e prosperidade, seria muito complicado depor Dilma/PT do Poder. Então, a turma de preto, provavelmente com todo apoio da CIA (na América Latina, estão sempre por detrás de todos ao golpes), partem para escancaradas sabotagens da economia brasileira em gigantescas badernas por todo o Brasil, com depredações de lojas e pilhagens, destruições de bancos, concessionárias de veículos, incontáveis incêndios de ônibus e de viaturas, variadas truculentas manifestações interrompendo o tráfico em críticas horas, em avenidas e rodovias e outras diversificadas sabotagens e vandalismos, jamais visto. Causando inclusive a morte de um jornalista no auge da baderna. Nem lixeiras públicas escapava da destruição.

Toda essa verdadeira operação de guerra contou com grande entusiástico apoio dos filiados da turma de preto, bem como, com a fundamental cobertura da grande mídia “livre” em diárias manchetes alarmantes tentando destruir o governo Dilma/PT, tentando vender o caos, divulgando violências, roubalheiras, assaltos e tudo o mais de ruim, com verdades, mentiras, calúnias, distorções e muito cinismo, esparramando um gigantesco clima de inseguranças, receios e incertezas, empurrando a formidável economia Dilma/PT para o caos que hoje.

Nessa mesma direção destrutiva, em silêncio, prossegue Dona Tecnologia, adimirada por todos. Os primeiros robôs domésticos já estão chegando ao mercado, não tão espertos e capazes como deveriam ser. Claro. Mas, em poucos anos, estarão bem mais inteligentes e habilidosos, prontos a substituir com grandes vantagens a maioria dos trabalhadores, lançado no olho da rua, milhares e milhares de desempregados braçais, por todo o mundo.

Junto com os trabalhadores braçais, também estarão no olho da rua os ditos trabalhadores intelectuais. Com o rápido desenvolvimento da inteligência artificial, logo mais adiante, o computador estará apto a conversar com o ser humano. Apto a trocar ideias com o homem e com outros computadores. Apto a desenvolver a maioria dos projetos, em curto tempo, otimizados e sem erros, nas mais diversas áreas, engenharia, economia, contabilidade, administração, medicina, advocacia, arquitetura, logística, etc. Farão milhares e milhares de desempregados por todo o mundo.

Mas, o desemprego vai destruindo o polo consumidor e inviabilizando o polo produtor de riquezas. Na pujança dos polos, produtor e consumidor, reside a essência e vitalidade do sistema capitalista. Um polo não existe sem o outro. A atual grande crise mundial do sistema capitalista é o prenúncio do gigantesco ciclone a caminho prometendo a devastação final do sistema capitalista, em gigantesco crash, muito pior do que o de 1929. Provavelmente, antes de 2030.

Nesses derradeiros difíceis tempos, a cada dia mais, o mundo capitalista vai assistir um verdadeiro vale tudo, acima da moral, da dignidade e das leis. Só não vale atropelar quem tem um mínimo de poder de fogo nuclear. Com essas poucas sensatas e privilegiadas nações, ninguém se mete. Fora disso, o caminho está livre para coisas inacreditáveis, notadamente, sobre as nações possuidoras de grandes riquezas, como o Brasil, governado por entreguistas. Rezemos.

 

 

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Tâmara de Oliveira

Xadrez da grande noite da humilhação nacional

Como sempre, excelente texto. Mas fiquei com uma dúvida, sem importância crucial mas que pode levar mal intencionados a acusá-lo de má informação: Aires de Brito é sergipano, foi até meu colega como professor da Universidade Federal de Sergipe, nos anos 1990. Você afirma que ele desenvolveu sua carreira no Piauí... ? Será que perdi algum capítulo quando estava no doutorado na França...

 

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