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Direita

Mourão e Villas Bôas são partes de um mesmo pensar, por Luís Felipe Miguel

Mourão e Villas Bôas são partes de um mesmo pensar

por Luís Felipe Miguel

A famosa disciplina militar parece que funciona de forma bem seletiva. Vale para os que estão na parte de baixo da pirâmide e continuam a ser submetidos a todo o tipo de humilhação por seus superiores, devido a faltas insignificantes, reais ou imaginárias: alunos de escolas militares, recrutas, soldados rasos.

Já o general Antonio Hamilton Mourão defende publicamente um golpe militar e não recebe nenhuma punição. Em vez disso, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, disse em entrevista que ele é "um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão". Entendo que a evocação do estereótipo regional serve para minimizar a fala de Mourão, caracterizando-a como mera manifestação de uma fanfarronice atávica.

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A inteligência artificial como arma de guerra política

Em O Cafezinho

A inteligência artificial como arma de guerra política

Tradução exclusiva para o Cafezinho!

[O tradutor prefere não se identificar]

Ascensão da Inteligência Artificial (IA) como Máquina Armada de Propaganda

9/2/2017, Berit Anderson e Brett Horvath, no Scout

“É uma máquina de propaganda. Está dirigida para cada pessoa individualmente, para recrutar todos para uma ideia. É um nível de engenharia social como nunca vi. Estão capturando as pessoas e as mantêm presas num laço emocional, sem deixá-las ir” – disse o professor Jonathan Albright.

Albright, professor assistente e cientista especializado em dados na Elon University, começou a investigar os sites de notícias falsas [ing. fake news] depois que Donald Trump foi eleito presidente. Mediante pesquisa extensiva e entrevistas com Albright e outros especialistas chaves nesse campo, dentre os quais Samuel Woolley, Diretor de Pesquisa do Projeto de Propaganda Computacional da Oxford University, e Martin Moore, Diretor do Centro para Estudo de Mídia, Comunicação e Poder do Kings College, foi-se evidenciando para Scout que esse fenômeno tinha a ver com muito mais coisas que alguns episódios de noticiário falso. Era um item de quebra-cabeças muito maior e mais sinistro – a Inteligência Artificial (IA) Armada, como Máquina de Propaganda, usada para manipular nossas opiniões e comportamentos, de modo a promover específicas agendas políticas.

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Wanderley Guilherme: Sucesso de Lula aumentará a violência da direita

Foto: Ricardo Stuckert
 
 
Jornal GGN - O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos publicou artigo em seu blog, o Segunda Opinião, avaliando que a Lava Jato não conseguiu destruir a imagem de Lula e o sucesso da caravana que ele tem feito pelo Nordeste é prova de que o povo ainda acha o ex-presidente "irresistível". Diante dessa fato, Santos aponta que a direita pode não saber lidar com o sucesso e o potencial eleitoral de Lula e aumentar o discurso de ódia e descambar para a violência física. O título do artigo resume tudo: "O fedor da força bruta". 
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Para acabar com a esquerda e continuar a corrupção, por Raphael Silva Fagundes

Para acabar com a esquerda e continuar a corrupção

por Raphael Silva Fagundes 

Se a presença ou a ausência de algo não modifica de modo sensível o todo, é porque não é parte do todo.

Aristóteles

É possível que a permanência de Michel Temer na presidência tem que ver com o fato de que as reformas não perderam o fôlego, como muitos pensaram após as denúncias feitas ao presidente. A vitória do governo com a aprovação das reformas trabalhistas demonstra que Temer é sim capaz de conduzir a política desejada pelo setor empresarial que apoiou a queda da presidenta eleita Dilma Rousseff.

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E quando se é um pouco de cada...?, por Eduardo Ramos

E quando se é um pouco de cada...?

por Eduardo Ramos

Comentário ao post “Millor, a Lava Jato e a fábula do burro ou do canalha, por Luis Nassif

"Entre um burro e um canalha, não passa o fio de uma navalha"

E quando se é um pouco de cada...?

Rodrigo Janot perdeu para Rodrigo Janot. Perdeu para a mesma armadilha que engoliu homens ao longo da História da Humanidade pelo mesmo motivo quase sempre, registrado melhor do que ninguém pela frase que virou clichê de tão manjada, de Maquiavel: "O poder corrompe".

O Janot meio tímido no início do primeiro mandato, que duvido tenha sequer fantasiado em seu mais alto delírio tudo o que estava por vir, deu lugar a um Janot que, embriagado pelo poder absoluto que foram lhe concedendo, agigantou-se aos seus próprios olhos, num processo muito semelhante que atingiu Moro, delegados da polícia federal e os procuradores da lava jato.

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Paradoxos da candidatura Lula: conciliação e radicalização, por Aldo Fornazieri

Paradoxos da candidatura Lula: conciliação e radicalização

por Aldo Fornazieri

O impasse político-jurídico que faz de Lula um candidato e não-candidato, só será equacionado pela correlação de forças que o desdobramento da atual crise e novos eventos produzirem. Depois da indignação inicial pela condenação do ex-presidente, as forças políticas progressistas voltaram ao seu estado de letargia. Delegaram a Lula e à sua defesa a tarefa de tentar reverter a condenação. Lula, viajando pelo país e, sua defesa, trabalhando nos tribunais. A decisão do Congresso do PT de defender Diretas Já, mesma bandeira assumida pelos demais partidos de esquerda e por movimentos sociais, não se transformou em movimento de ruas. O "Fora Temer", mesmo que o presidente ilegítimo tenha apenas 5% de apoio, está circunscrito ao Congresso e às redes sociais.

Há um risco enorme em tudo isso, pois os tribunais e os juízes não estão julgando a partir da Constituição e das leis, mas a partir de suas vontades interpretativas. Com a opinião pública apática, desanimada e desmobilizada, a possibilidade da inviabilização da candidatura Lula pode se constituir em tendência dominante.

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Carta-aberta a porta-voz da direita, por Fernando Nogueira da Costa


Foto: Fecomercio/SP

Por Fernando Nogueira da Costa[1]

Caro Samuel Pessôa,

Aqui eu lhe respondo por não ter o palanque pré-eleitoral de quem se arvora em porta-voz da direita brasileira na “grande imprensa burguesa”. Imagino que já deu um sorrisinho esnobe com tal expressão old-fashioned, típica de “jovens dos anos 1960”. Estes, em sua desqualificação de toda minha geração, “são os idosos da segunda década do século 21 sequestrados por um patético complexo de Peter Pan”.

Decerto, com 54 anos, você é um jovem físico com doutorado em Economia, ambos pela USP. É pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, sócio da consultoria Reliance e colunista da Folha. Mas tenho apreço por ti não por isso, mas sim por ter demonstrado tolerância com ideias alheias quando era meu colega no IE-UNICAMP. Não era sectário e me dizia que, como bom cientista, gostava de entender a racionalidade dos pensamentos diferentes do seu neoclássico.

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Para Esther Solano, direita usou discurso anticorrupção para avançar agenda neoliberal

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Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Do Brasil de Fato

 
Para pesquisadora, movimentos de direita usaram discurso anticorrupção como pretexto político para agenda neoliberal
 
Rafael Tatemoto

Em meio a escândalos de corrupção que envolvem diretamente o presidente Michel Temer (PMDB), uma pergunta ronda a cabeça de muitas pessoas: por que as manifestações de rua contra a corrupção cessaram? 

Algumas respostas já apareceram. Em declarações ao jornal Valor Econômico, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), foi objetivo ao comparar o cenário atual à conjuntura passada: “Não é a mesma circunstância. É diferente. O PSDB tem quatro ministros de Estado. O PSDB não tinha ministros no governo do PT”. 

O cantor Lobão, um dos ícones das manifestações em defesa do golpe contra Dilma Rousseff (PT), foi na mesma linha: “Mesmo se [Temer] fez falcatrua, se está todo ligado à rede de corrupção, respeitem a interinidade. A economia pela primeira vez tem inflação negativa, depois de 11 anos. Então deixem o cara terminar”, disse à Folha de S.Paulo.

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Folha derrapa entre conceitos e feitos, por Luis Felipe Miguel

Folha derrapa entre conceitos e feitos

por Luis Felipe Miguel

A Folha dá outra manchete para os surveys de seu instituto de pesquisa e observa um crescimento da "esquerda" na população brasileira. O resultado é baseado em índice criado a partir das respostas a 16 perguntas. É de esquerda, por exemplo, quem responde que a pobreza "está ligada à falta de oportunidades iguais". A resposta da direita é que a pobreza "está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar". A resposta de que a pobreza é consequência de desequilíbrios estruturais do capitalismo não é uma alternativa.

Questões sobre economia, sobre direitos e sobre valores são misturadas livremente. Foi considerado de direita quem concordou com a afirmação "quanto menos eu depender do governo, melhor será minha vida", interpretada como uma oposição aos programas sociais. Mas quem discordaria dela, sabendo que os benefícios recebidos do Estado podem a qualquer momento ser ameaçados por algum governo golpista? Melhor não depender mesmo.

Em suma, a pesquisa é um planetário dos erros metodológicos e da ingenuidade epistemológica que caracteriza grande parte dos surveys e da construção de índices, algo sobre o qual falei outro dia. Creio que seu valor como perscrutação das posições "ideológicas" (posição no eixo esquerda-direita não é "ideologia", mas essa é outra discussão) dos brasileiros tende a zero.

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Consolidando falta de pacto da esquerda, eleições no Chile erguem Piñera

De Santiago, Chile
 
Pleito para decidir o novo presidente do país deve fechar a criticada dobradinha do poder nos últimos 16 anos: centro-esquerda (Bachelet) e direita (Piñera)
 

Atual presidente do Chile, Michelle Bachellet, e Sebastián Piñera, seu antecessor e candidato a La Moneda. Foto: Divulgação
 
Jornal GGN - O Chile se prepara para as eleições presidenciais, com a realização das primárias, no próximo 2 de julho, para decidir os candidatos de cada aliança que irão disputar em novembro a sucessão ao governo de Michelle Bachelet. 
 
Até agora, o ex-presidente de direita Sebastián Piñera (2010-2014) lidera as já baixas intenções de votos, com 25% dos votos. Piñera já é dado como vitorioso pela própria centro-esquerda e conta com apoio de seu bloco, ainda que com outros nomes nas prévias da disputa, que será definida em duas semanas.
 
Do bloco Chile Vamos, Piñera traz a maioria das intenções até mesmo frente a postulantes dos outros partidos. Ainda assim, precisará enfrentar os aliados no que é quase considerado o primeiro turno, no domingo 2 de julho, e um dos primeiros sinais mais claros do que está por vir no pleito eleitoral deste ano.
 
Na aliança, o ex-presidente que tenta o segundo mandato disputa as primárias com o deputado e economista Felipe Kast e o senador Manuel José Ossandón. O tom da disputa se viu acirrado nos últimos dias, quando as chances de Kast e de Ossandón tentaram ser esvaziadas com embates de acusações entre os pró Piñera e os dois candidatos.
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Para entender a "nova esquerda", "nova direita" e os movimentos de rua

Jornal GGN - Em entrevista ao Justificando, a professora da Universidade Federal de São Paulo Esther Solano fala das manifestações que ocupam as ruas desde os protestos de 2013 - principalmente em São Paulo - e sobre o perfil dos seguidores ou entusiastas da direita e esquerda e seus novos discursos.

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MBL não resistiu ao vento, por Danilo Strano

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
 
MBL NÃO RESISTIU AO VENTO
 
O FIM DE UM MOVIMENTO SEM BASE
 
por Danilo Strano
 
A política é conhecida pelas mudanças bruscas de rumo que ocorrem de tempos em tempos. Nacionalmente isso tem ocorrido com uma frequência grande nos últimos anos. E do mesmo jeito que novos protagonistas aparecem, outros tantos tem apenas 5 minutos de fama e desaparecem com o soprar do vento.
 
O barco do MBL foi empurrado pelo vento da rejeição a Dilma e a crise econômica do país, ganhou projeção em cima disso. Mas sem as pessoas para remarem nos momentos em que o vento muda de posição, o barco some no oceano. O movimento não aguentou a queda da Dilma, ironicamente, eles que surgiram com esse objetivo, não souberam construir bases para continuar fortes após o objetivo alcançado.

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Constituinte para quem?, por Roberto Amaral

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Foto: Arquivo Abr
 
 
Por Roberto Amaral
 
Uma nova Constituição agora seria naturalmente uma carta autoritária, reacionária, deslavadamente entreguista, antipovo e antinação
 
As forças dominantes da Constituinte de 1946 estavam unidas em torno de um projeto liberal-democrático. E hoje?
 
São  diversas, por óbvio, as óticas mediante as quais é possível interpretar a História, passo primeiro e indispensável para a correta intervenção no processo social. A História pode ser vista como processo, derivado da intervenção humana, como também pode ser vista, e o é frequentemente, como um fato autônomo, objetivo, pronto, acabado, parado. A primeira hipótese lembra uma sucessão de fatos que se encaixam segundo uma determinada lógica que se expressa mediante o movimento, ou, mais precisamente, uma progressão dialética.

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A ofensiva da direita libertária americana em Honduras

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Salão principal do cassino de Amapala, cuja construção começou em 1933. Três famílias desabrigadas passaram décadas ocupando suas salas de aula. Em outubro de 1933, a revista Tegucigalpa publicou um artigo comemorativo do centenário da criação do porto. “O casino está muito bem”, disse (Foto: Fred Ramos/El Faro)

Da Agência Pública

 
Um grupo da direita libertária norte-americana busca implantar sua utopia no golfo da Fonseca: a concessão de um território livre, onde não valem a lei, a polícia e os impostos de Honduras. Um futuro de desenvolvimento para Honduras ou a volta aos enclaves de banana?
 
Por Carlos Dada

A polícia hondurenha tem dois cárceres em Amapala. Um é usado como armazém. O outro quase sempre está vazio. Nessa ilha vulcânica no Golfo de Fonseca, a vida se move devagar. Em paz. Uma verdadeira ilha – também no sentido metafórico em um dos países mais violentos do mundo. Mas ali nada acontece. “A maioria dos casos que atendemos é de bêbados ou de violência doméstica”, diz a comandante da polícia. “Há pouco trabalho.” Nem mesmo roubo? Ela olha para dois de seus colegas agentes designados para a ilha há três meses. Todo mundo ri: “Não, nada. Isso aqui é um pouco chato”.

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Afinal, ainda é possível superar o capitalismo?, por Fábio Konder Comparato

Afinal, ainda é possível superar o capitalismo?

por Fábio Konder Comparato

Especial para o Jornal GGN

Vivemos hoje, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, uma situação política mórbida, em que a tradicional distinção entre posições de esquerda e de direita parece ter perdido sentido. Sem ter a pretensão de diagnosticar a moléstia e propor a terapêutica adequada, creio, no entanto, que vale a pena refletir sobre dois fenômenos mundiais sem precedentes, que talvez estejam na origem da anormalidade. O primeiro deles é a superação aparentemente definitiva do Estado nacional, como quadro geral da vida política. O segundo é a progressiva e cada vez ampla utilização da inteligência artificial em todas as formas de atividade.

Reflitamos sobre o primeiro deles.

Até a Paz de Vestefália, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos na Europa em 1648, a soberania ou poder político supremo pertenceu durante milênios, salvo raríssimas exceções históricas, a pessoas ou famílias da mesma linhagem. A partir de então, essa soberania começou a ser exercida no quadro impessoal de Estados, como organismos políticos supremos. É esta última fase, ao que tudo indica, que está em vias de ser superada pelo fenômeno da transnacionalidade.

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