
Sugestão de Webster Franklin
do Viomundo
“O que ocorre no Brasil e contra o Brasil é uma campanha de interesses econômicos estrangeiros, devido a vários fatores, entre outros, sua inserção no banco do BRICS, com a Rússia e a China, associada aos interesses políticos domésticos, de uma oposição sem ética, sem compostura, servindo aos interesses antinacionais
Moniz Bandeira sobre S&P’s: “ A serviço de especuladores, subordinada a interesses econômicos e políticos de Wall Street ‘’
O cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira advertiu hoje (10) para o papel das agências de risco (rating) na desestabilização econômica de países emergentes, destacando que elas atuam mais a “serviço de especuladores, subordinadas aos interesses econômicos e políticos de Washington e de Wall Street’’. Segundo ele, é preciso analisar o rebaixamento da nota de risco do Brasil pela agência Standard & Poor’s, dos Estados Unidos, dentro de um cenário em que há vários interesses em jogo, contra o Brasil e o próprio governo Dilma.
“O que ocorre no Brasil e contra o Brasil é uma campanha de interesses econômicos estrangeiros, devido a vários fatores, entre outros, sua inserção no banco do BRICS, com a Rússia e a China, associada aos interesses políticos domésticos, de uma oposição sem ética, sem compostura, servindo aos interesses antinacionais’’, disse, em entrevista concedida por e-mail ao PT na Câmara.
Como exemplo dos interesses que orientam agências como a S&P´s, citou o caso da reincorporação da Crimeia pela Rússia, seguindo-se o imediato rebaixamento da nota da Rússia. ‘Isto não significa que não haja no Brasil uma crise econômica, porém ela é muito mais agravada pela crise política e institucional, que abrange e envolve a Justiça e o Congresso’’, frisou Moniz Bandeira.
Ele também condenou os métodos da operação Lava-Jato, que, a seu ver, ajudam agências de risco a rebaixar a nota do Brasil. “Combater a corrupção é certo, mas o que estão a fazer é destruir a imagem do Brasil no exterior e contribuir para que outros interesses promovam a especulação econômica e as agências de risco aproveitem para rebaixar a nota do Brasil’’, afirmou.
Moniz Bandeira também defendeu o papel do ex-presidente Lula na abertura de espaço para a atuação de empresas brasileiras no exterior e condenou o instituto de delação premiada, que comparou a métodos da Gestapo, e criticou a forma com que é realizada a Operação Lava-Jato. “ A mim muito me admira como se permite que um juiz do Paraná e a Polícia Federal cometam tantos desmandos, ilegalidades, com prisões arbitrárias de grandes empresários, sem maior comprovação, a desmoralizar não apenas a Petrobras e as empresas estatais, mas também as grandes companhias nacionais, como a Odebrecht, as quais contribuem para a expansão do comércio do Brasil’’.
Leia a íntegra da entrevista:
P) A agência Standard & Poor´s rebaixou o grau de investimento do Brasil. O que o senhor poderia falar sobre isso?
R) O rebaixamento não pode surpreender. Já estava previsto. O que ocorre no Brasil e contra o Brasil é uma campanha de interesses econômicos estrangeiros, devido a vários fatores, entre outras coisas, sua inserção no banco do BRICS, com a Rússia e a China, associada aos interesses políticos domésticos, de uma oposição sem ética, sem compostura, servindo aos interesses antinacionais.
P) Essas agências de ”risco” estavam envolvidas, nos EUA, em escândalos que levaram à crise 2008 . A própria S&P´s foi condenada recentemente a pagar multa de US 1, 37 bilhão por seus envolvimentos com os escândalos de Wall Street em 2008. Tem moral para fazer avaliação de uma economia com a brasileira?
R – As agências de risco pertencem aos bancos de investimentos dos Estados Unidos e seus critérios são mais políticos que econômicos. Estão a serviço de especuladores, subordinadas aos interesses econômicos e políticos de Washington e de Wall Street. Tanto isto é certo que, quando houve a reincorporação da Crimeia pela Rússia, logo ocorreu o rebaixamento da nota da Rússia. Isto não significa que não haja no Brasil uma crise econômica, porém ela muito mais agravada pela crise política e institucional, que abrange e envolve a Justiça e o Congresso.
P)-Por trás dessas avaliações haveria uma espécie de pressão para o Brasil adotar uma agenda neoliberal, com abertura econômica ainda maior ao capital estrangeiro?
R) Não creio. É uma simplificação. É claro, o Brasil está dentro do sistema interno capitalista, cada vez mais e mais globalizado, e tem de tomar certas medidas ortodoxas, para o reajuste fiscal. Porém, o governo deve necessariamente de intervir no câmbio, que constitui forte fator de pressão inflacionária, ao encarecer as importações de matérias primas etc. Há enorme especulação do mercado, devido à apatia do governo, da inexistente reação ante os desfeitos dos especuladores e da oposição. E isso ajuda o enfraquecimento do governo. A questão, portanto, é mais complexa e não apenas econômica. É política, em que interesses estrangeiros se entrançam com interesses domésticos, na oposição. E o governo está na defensiva, o que é muito ruim. A defensiva pode resultar na derrota.
A mim muito me admira como se permite que um juiz do Paraná e a Polícia Federal cometam tantos desmandos, ilegalidades, com prisões arbitrárias de grandes empresários, sem maior comprovação, a desmoralizar não apenas a Petrobras e as empresas estatais, mas também as grandes companhias nacionais, como a Odebrecht, as quais contribuem para a expansão do comércio do Brasil. Os chefes de governo de todos os países sempre promoveram, no exterior, as empresas de seu país. Por que o presidente Lula não podia abrir caminho em outros países para as construtoras nacionais? Quem está por trás de tamanha campanha contra o Brasil? A delação premiada é algo que se assemelha a um método fascista. Isso faz lembrar a Gestapo ou os processos de Moscou, ao tempo de Stalin, com acusações fabricadas pela GPU (serviço secreto).
No Brasil, um juiz determina, a Polícia prende, ameaça processar o indivíduo se não delatar supostos crimes de outrem, e assim, impondo o terror e medo, obtém uma delação em troca de uma possível penalidade menor ou outra dádiva qualquer. Não entendo como se permite que a Polícia Federal atue de tal maneira, ao arbítrio de um Juiz, que nenhuma autoridade pode ter fora de sua jurisdição. A quem servem? Combater a corrupção é certo, mas o que estão a fazer é destruir a imagem do Brasil no exterior e contribuir para outros interesses promovam a especulação econômica e as agências de risco aproveitem para rebaixar a nota do Brasil.
E o Ministério da Justiça, por que deixar que a Polícia Federal pratique tantas prisões arbitrárias, ilegais, sem que os presos tenham culpa judicialmente comprovada? Sinceramente, não entendo essa tibieza. Aqui, na Alemanha, onde moro há 20 anos, não mais seria possível. Só no tempo de Hitler. Aristóteles ensinou que uma democracia extrema podia levar a uma a tirania mais absoluta do que a dos oligarcas. E é o que se vê, atualmente, no Brasil. A tirania exercida por um juiz, abalando a economia e o regime, com a colaboração da Polícia Federal, que reconhecidamente recebe recursos da CIA e da DEA, e da mídia corporativa, em busca de escândalos para atender aos seus interesses comerciais.
P) O capitalismo financeiro global depende de certas estruturas de dominação- do centro para a periferia. Essas agências de risco são instrumentos de dominação, já que o que decidem tem repercussão na mídia e em fundos de investimentos que as têm como referência?
R – Claro. O dólar, como única moeda de reserva internacional, guarnecido pela OTAN, é que mantém a hegemonia dos Estados Unidos, que querem continuar como o único centro de poder e é contra essa situação que a Rússia e a China (acompanhadas pelo Brasil, Índia e África do Sul) se rebelam e trataram de constituir um banco, como alternativa ao FMI, instalado em Xangai.
P) Os Brics podem ser uma alternativa a essa estrutura de dominação que tem como centro Washington?
R – A aguda crise política no Brasil, alimentada por certos interesses econômicos estrangeiros e políticos domésticos, que não querem a continuidade de um governo popular, tem de ser compreendida no cenário internacional, ao qual o povo brasileiro está alheio. A mídia no Brasil está voltada, como nunca, a produzir escândalos e não dá quase nenhum espaço para as notícias internacionais ou simplesmente reproduzem as agências estrangeiras da Europa e dos Estados Unidos, a refletir os interesses de seus respectivos governos.
P) O Brasil quebrou três vezes com FHC, as notas das agências de rating na época do governo tucano, inclusive as dadas pela S&P´s , eram bem mais baixas do que as dada hoje ao governo Dilma. Mesmo assim a mídia brasileira coloca o Brasil numa situação de país que estaria à beira de um abismo, embora tenha US$ 370 bilhões em reservas e seja hoje o 4º maior credor dos EUA. Como o senhor analisa esse quadro?
R – Como disse antes, a mídia mundial, na qual a brasileira, de um modo ou de outro está inserida, é corporativa e atende aos interesses econômicos e políticos, como um instrumento de operações psicológicas, indispensável a toda e qualquer guerra. Em meu livro A Segunda Guerra Fria, eu analiso como atualmente se processam os golpes de Estado, as chamadas “revoluções coloridas” ou “primavera árabe”, com demonstrações instrumentalizadas por ONGs, com agitadores adestrados na estratégia subversiva de Gene Sharp para promover a“cold war revolutionary”, com protestos, demonstrações, marchas, desfiles de automóveis etc., até derrubar o governo, como aconteceu na Ucrânia, no ano passado. O governo brasileiro devia investigar as atividades da USAID e da NED e determinar o registro de todas as ONGs, a origem de seus recursos e gastos.
Sergio Rodrigues
12 de setembro de 2015 3:01 pmLesa-Pátria!…
Com a ajuda da Quinta Coluna estabelecida no MPF, PF, Judicário e o PIG!….
Marcos K
12 de setembro de 2015 3:23 pmEsse é o maior historiador
Esse é o maior historiador vivo do Brasil. Se ele não sabe o que fala, então não sei quem sabe.
marcelo correia
12 de setembro de 2015 5:21 pmComentário
Vivemos uma época em que a mídia e os partidos que se dizem oposição(DEM,PSDB e outros) têm um objetivo direcionado que é a desconstrução do país. Neste momento, o intuito é desqualificar o patrimônio da nação para em seguida vendê-la aos ianques
Clever Mendes de Oliveira
12 de setembro de 2015 7:10 pmNão vejo razão para criticar as agências de riscos agora
Webster Franklin,
Avalio as críticas à classificação de risco da Standard & Poor’s são ou desnecessárias ou sem muita fundamentação. Vamos supor dois extremos. Primeiro a agência Standard & Poor’s é incompetente e a avaliação dela não vale nada. Nesse caso a crítica é desnecessária. Não é que não deva ser feita, mas tem tanta importância como a classificação de risco que ela emite.
É claro que a opinião de pessoas que trazem o argumento que se chama de autoridade não deve ser descartada, mas eu prefiro que essas pessoas falem mal das agências quando elas dão nota alta para um governo que eu defendo. É nesse momento que eu gosto de ver as agências serem atacadas. Até porque se no outro extremo a agência for extremamente competente e a avaliação de risco que ela apresenta for precisa, a crítica que se faz a agência seria sem fundamentação.
Apenas como uma forma de deixar indicados links que tratam do mesmo assunto, vou transcrever aqui trecho de comentário meu enviado hoje, sábado, 12/09/2015 às 12:16, para Luis Nassif junto ao post dele “Para entender a lógica da S&P” de sexta-feira, 11/09/2015 às 17:55, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.jornalggn.com.br/noticia/para-moniz-bandeira-agencias-de-risco-servem-especuladores
Disse eu lá para Luis Nassif, na parte inicial do meu comentário e que é o trecho que interessa aqui:
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“Pensei que você ia comentar diretamente sobre o rebaixamento da classificação de risco do Brasil. Fiquei então preparado para aproveitar o meu comentário enviado quinta-feira, 10/09/2015 às 20:58, para Mauro Silva1, junto ao comentário dele enviado quinta-feira, 10/09/2015 às 18:31, para Ana Torres no comentário dela de quinta-feira, 10/09/2015 às 18:31, junto ao post “Dilma diz que rebaixamento não é “catástrofe”, e Lula, “que não significa nada”” de quinta-feira, 10/09/2015 às 16:19, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.jornalggn.com.br/noticia/dilma-diz-que-rebaixamento-nao-e-catastrofe-e-lula-que-nao-significa-nada
A idéia era reproduzir o comentário ou então deixar o link também para o post “Economistas discordam de avaliação da S&P” de sexta-feira, 11/09/2015 às 10:52, aqui no seu blog e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.jornalggn.com.br/noticia/economistas-discordam-de-avaliacao-da-sp
Pretendia com o segundo link fazer referência ao meu comentário enviado sexta-feira, 11/09/2015 às 14:10, para Jaide, junto ao comentário dele enviado sexta-feira, 11/09/2015 às 11:54. Não que meu comentário tivesse relevância, pois afinal sou leigo nesse assunto, mas porque nos posts mencionados e em meus comentários e mesmo em outros há links para opiniões mais abalizadas a respeito do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pelo Standard & Poor’s.”
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No trecho acima não há propriamente minha avaliação sobre o rebaixamento da nota de risco do Brasil pela agência Standard & Poor’s. A minha avaliação se encontra nos comentários que eu enviei nos mencionados posts. E resumidamente considero que se deve avaliar quais são os efeitos desse rebaixamento com base no histórico e com base em outro fundamento qualquer.
Como há fundos de pensão que investem segundo a classificação dessas empresas e caso se perca o grau de investimento há retirada de recursos investidos a tendência é um aumento de da saída de capital do país. Esses efeitos são de curto prazo. No longo prazo, o histórico aponta que o país cresce mais quando a nota é baixa.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/09/2015
Webster Franklin
13 de setembro de 2015 4:15 amClever
Entendi seu comentário
Clever
Entendi seu comentário mas, não invalida a análise do historiador Moniz Bandeira, principalmente quando afirma agências de risco servem a especuladores. Num olhar mais atento basta analisar as posições da S&P’s sobre a Leman Brothers dias antes de sua falência em 2008. Lembrando ainda que a S&P em processo judicial nos EUA teve que pagar $1,2 bilhões em indenizações por atividade ilícita no mercado financeiro. Desde 2008 com a quebradeira de wall street pouco se avançou sobre regulação dos mercados financeiros que continuam livres praticando especulações de toda sorte quebrando países a exemplo da UE e disfarçadamente denominam de crise do capitalismo. Infelizmente o Brasil não tem leis e judiciário suficiente para punir severamente atividades ilícitas de especuladores financeiros.
Fabio !
12 de setembro de 2015 10:39 pmladainha
Ninguem tem duvidas de que servem aos especuladores. Mas ja se tornou uma ladainha ataca-las quando rebaixam algum pais em dificuldades fiscais , jogando gasolina na fogueira . Quando classificaram as hipotecas subprimes como livres de risco e abriram caminho para a formacão da crise mundial de 2008 , ou quando promoveram o Brasil a investiment grade em 2008 , ninguem abriu o bico.
Engenheiros de obra pronta .
nilo
13 de setembro de 2015 11:44 amSão escritórios de agiotagem
São escritórios de agiotagem internacional, instrumentos de indicação especulativa de juristas e rentistas argentários, desumanos que visam a maximização do lucro fácil indiferentes aos custos que geram: desagregação, violência, desemprego, fome, morte. Quanto mais baixa a indicação, mais juros são extorquidos. São um dos agentes criminosos de que nos fala Jean Ziegler (professor das Universidades de Genebra e Sorbonne, ex-relator da ONU na área de alimentação e membro do Comitê Consultivo de Direitos Humanos da ONU até), de um mundo às avessas, desumano, desigual e de conflitos e que pode, e deve, ser diferente (Galeano)
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2013/07/13/uma-crianca-que-morre-de-fome-hoje-assassinada-diz-jean-ziegler-503352.asp
http://www.conversaafiada.com.br/economia/s-ps-foi-condenada-por-fraude/
Video imperdivel com Massimo D’Alema:
L’ex presidente del Consiglio {dei Ministri} commenta l’appello, di cui è firmatario insieme ad altre personalità tra cui i premi Nobel Stiglitz e Krugman, per chiedere alle autorità europee più flessibilità sul debito greco e sulle politiche di austerità
http://video.repubblica.it/economia-e-finanza/d-alema-gli-aiuti-alla-grecia-sono-andati-alle-banche-tedesche-e-il-video-diventa-virale/206213/205319