Não deixe o STF morrer, não deixe o STF acabar: Reflexões para Cármen Lúcia
por Letícia Sallorenzo
Há duas reflexões que eu humildemente convido a eminente ministra Cármem Lúcia a fazer:
1) No livro Como as Democracias Morrem, os professores de Harvard Steven Levitsky e Daniel Ziblatt explicam que o fim da democracia raramente acontece com um golpe militar repentino ou com tanques nas ruas. Pelo contrário: as democracias modernas morrem de forma lenta e sutil por meio de líderes eleitos que usam as próprias instituições legais para enfraquecer o sistema por dentro.
(Autodenúncia: até aqui o txt foi escrito por IA. Claro q eu copidesquei, porque tenho noção de higiene estilística. Mas a partir de agora o txt é todo meu!)
Como, por exemplo, nomear um sujeito terrivelmente evangélico para o Supremo Tribunal Federal e o cosplay de Erasmo Carlos (que me perdoe o Tremendão) criar, do nada, uma investigação totalmente ilegal contra um colega seu, levando o inferno para dentro da instituição.
(Aliás, essa habilidade é única aos evangélicos: em nome de Deus, chegam num lugar – qualquer lugar – e o transformam em sucursal do inferno. Taí Câmara e Senado de testemunhas)
Mas, voltando: se a senhora ainda pretende defender a Instituição da qual faz parte, e na qual enverga sua toga, leia Levitsky e Ziblatt, pelo bem do STF. Clarice Lispector é fofinha, mas os tempos no Brasil e no STF não estão para fofuras.
2) em outubro de 2022, quando a sra integrava o TSE pela segunda vez, sob a presidência do ministro Alexandre, Roberto Jefferson lhe atacou de forma vil, covarde e patética, em sua dignidade e intimidade. Seu colega Alexandre não titubeou em lhe defender e proteger, indo pra cima do Jefferson em modo motoniveladora. Até a PF recebeu bomba na ocasião – e não foi uma metáfora. Mas o Jefferson está até hoje na cadeia.
Agora, seu colega Alexandre está sendo atacado em sua dignidade e intimidade. E precisa que a senhora o proteja e defenda.
O mínimo que a senhora deveria fazer era ouvir o que seu colega tem a dizer. Até porque, proteger e defender Alexandre de Moraes é proteger e defender o STF e a justiça brasileira – sem passar pano nenhum para algum desvio de conduta dele. É possível fazer isso.
Pense bem.
Não deixe o STF morrer, não deixe o STF acabar.
Letícia Sallorenzo é Mestra (2018) e doutoranda (2024) em Linguística pela Universidade de Brasília. Estuda e analisa processos cognitivos e discursivos de manipulação, o que inclui processos de disseminação de fake news.
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