4 de junho de 2026

“O problema do judiciário é se identificar como classe econômica”, diz Alysson Mascaro

Em entrevista a Nassif e Auler, Mascaro criticou a falta de autocrítica do poder judiciário e identificou o grande problema da classe.

No TVGGN 20 horas desta segunda-feira (08), Luis Nassif debateu os principais problemas da estrutura do judiciário com o professor e jurista Alysson Mascaro. 

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O início da conversa evidenciou falta de autocrítica do poder judiciário. Mascaro citou o artigo em que Barroso, ministro do STF, diz que o impeachment de Dilma se deu por falta de apoio político, e não por crime de pedaladas fiscais. 

Para ele, não houve nenhuma peça decisiva do judiciário que admitisse que o impeachment foi sim um golpe repleto de irregularidades. O jurista diz o mesmo a respeito da Lava Jato. 

“Continuam dizendo que foi uma operação a favor do combate à corrupção e o Moro continua com a cara deslavada de paladino da moral e dos bons costumes.” 

Judiciário como classe econômica

Ao ser questionado sobre a origem da mentalidade fechada do judiciário, Mascaro disse que o grande responsável é o fato dos magistrados se identificarem como uma classe econômica. Para ele, ao terem contato com pessoas de alto poder aquisitivo, é natural que a ideologia coincida. 

“O jurista pensa o que seu estrato econômico pensa. Na hora em que essa camada começa a demonizar a esquerda, ele acaba concordando.”

Mascaro completa citando seu novo livro “Sociologia do direito”. Na obra, ele diz que, por toda a história do Brasil, o jurista foi um estamento com uma cultura própria. Atualmente, ele se tornou um indivíduo que se identifica com quem ganha o mesmo que ele. 

“A inferência política se torna ser de direita, porque é o que pensa essa classe.”


Nomeações para o judiciário em 2023 devem ser feitas de modo representativo 
 

O professor Alysson Mascaro finalizou a discussão falando sobre um possível governo Lula em 2023. Se eleito, ele precisará nomear dois ministros para o STF. 

Mascaro diz que essa escolha é decisiva. Para ele, ela deve ser feita de modo representativo, e não por governabilidade. 

“Pode acontecer que a estrutura de organização política erre novamente, mas, se isso acontecer, o judiciário esgarça a esquerda e as lutas progressistas do país. As nomeações de 2023 para frente não podem errar mais.”  

Isabella Galvão

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. marco

    8 de fevereiro de 2022 5:55 pm

    Teria sido o “Umbrella Deal ” a sistematização desse amalgama citado pelo Mascaro?
    Porque esse assunto é tabu entre as esquerdas no Brasil?

  2. Nelson Viana dos Santos

    8 de fevereiro de 2022 9:58 pm

    Fui aluno do professor Mascaro na Universidade Mackenzie. Na época, ele era muito jovem mas, desde sempre era o intelectual que se tornou: progressista, estudioso, inteligente e um homem muito simpático, muito simples. Obrigado, professor. Penso que todos ganhamos com essa entrevista.

  3. LUIZ MATTOS

    9 de fevereiro de 2022 4:39 am

    Sempre defendi que o PT precisava politizar a suprema cortesã com muito cuidado em relação ao caráter dos indicados sem se preocupar com críticas,como é feito em outros Países e como o genocida faz.

  4. Marcelo Silva

    9 de fevereiro de 2022 11:14 am

    Mas grande parte do judiciário não pertence à classe com a qual se identifica? Ou, pelo menos, não visa pertencer? Não querem ou são proprietários de terras, fazendas, com investimentos em propriedades urbanas?

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