A imposição de sigilo a documentos e atas de reunião envolvendo o presidente Jair Bolsonaro, seus ministros, familiares e outras figuras ligadas ao seu governo se tornou uma prática comum no Palácio do Planalto.
Tanto que, segundo matéria de Patrik Camporez e Aguirre Talento para O Globo, a medida também foi cogitada pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), em uma tentativa de impedir que se soubesse dos encontros de Renan Bolsonaro com o empresário bolsonarista Wellington Vieira Leite, no dia 19 de novembro de 2020 – um dos eventos que está sob a investigação da Polícia Federal, sobre o possível cometimento de crime de tráfico de influência e lavagem de dinheiro por parte do filho do presidente.
Segundo o jornal carioca, foi preciso apresentar dois recursos à CGU (Controladoria Geral da União) para que o sistema de controle de acesso do Palácio do Planalto aceitasse mostrar as informações sobre o ingresso de Vieira Leite ao Gabinete Pessoal do Presidente da República, naquele dia 19 de novembro de 2020, entre 15h48 e 16h50 – o registro, no entanto, o Gabinete não revelou sobre a presença ou não de Renan Bolsonaro durante esse período.
Dias atrás, o GSI – pasta comandada pelo ministro Augusto Heleno – também tomou medida semelhante, impondo o acesso ao conteúdo de uma reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, pivôs do recente escândalo do MEC, que determinou a queda do então ministro Milton Ribeiro.
Tanto neste caso quanto na tentativa de impor sigilo às reuniões de Renan Bolsonaro, o argumento do GSI foi que a revelação dessas informações colocaria em risco a vida do presidente e de seus familiares.
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