A campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL) tenta vender benesses ao eleitor no que tange à economia, quando na verdade o brasileiro viu seu poder de compra se dissipar ao longo dos últimos anos – e o risco de uma desvalorização ainda maior não está descartado.
O governo Bolsonaro acabou com a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação em 2019, fazendo com que o reajuste fosse apenas a reposição da inflação, o que atingiu em cheio o bolso de milhões de famílias e de aposentados.
Em maio, o senador Paulo Paim (PT) chegou a reapresentar o projeto de lei para restabelecer a política nacional de valorização do salário mínimo, alegando que o poder de compra com o atual valor é insustentável, segundo dados da Agência Senado.
Tal proposta era justificável: no mesmo período, a imprensa divulgou uma perda de 31,32% no valor de compra do salário mínimo no período de 2017 (início do governo Temer) e 2022 (último ano do governo Bolsonaro).
Ou seja, o poder de compra de R$ 50 em 2022 representava R$ 65,49 em 2017, mas os mesmos R$ 50 em 2013 tinham um poder de compra de R$ 85,99.
Ao mesmo tempo, a pesquisa nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Dieese mostra que, com base na cesta mais cara do país no mês de setembro, registrada em São Paulo, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 6.306,97, ou 5,20 vezes o mínimo de R$ 1.212,00.
Em agosto, o valor necessário era de R$ 6.298,91 e também correspondeu a 5,20 vezes o piso mínimo. Em setembro de 2021, o valor do mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 5.657,66 ou 5,14 vezes o valor vigente na época, de R$ 1.100,00.
Ao mesmo tempo, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) lembra que, em seis anos de vigência do PPI (preço de paridade de importação), os combustíveis registraram alta recorde de preço.
O campeão é o gás de cozinha (GLP), utilizado sobretudo pela população mais pobre, com reajuste acumulado no período (15/10/2016 a 14/10/2022) de 280,7%, nas refinarias da Petrobrás. Em seguida, vem o óleo diesel, com 181,6%, e a gasolina, 119,5%.
Maldades guardadas na manga
E as futuras maldades que podem vir em uma eventual reeleição podem comprometer ainda mais o rendimento das famílias brasileiras.
Tal possibilidade veio à público com o vazamento de um plano do Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, em que avalia a desvinculação da inflação da correção do salário mínimo e das aposentadorias.
A Constituição brasileira estabelece o reajuste do salário mínimo e a preservação do poder de compra por meio de reajustes periódicos, que têm sido calculados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que subiu 10,16% em 2021.
Um dos indicadores cogitados pela equipe de Guedes para referência de reajuste é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e que costuma ser menor do que o INPC.
O governo Bolsonaro também não concedeu reajuste acima da inflação em nenhum dos quatro anos de mandato – e não enviou nada relacionado ao tema na proposta para o Orçamento de 2023.
Além disso, o eleitor precisa ficar de olho que a equipe de Guedes – que será mantido como ministro da Economia caso Bolsonaro seja reeleito – também cogita outras maldades, dentre elas:
– Eliminação das deduções com saúde e educação do Imposto de Renda;
– Corte do salário dos servidores públicos em 25%.
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