O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes afirmou, nesta quinta-feira (14), que o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, foi quem o orientou a interromper o desmonte do acampamento bolsonarista em frente ao Quartel General (QG) do Exército, em Brasília. A declaração foi dada durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas.
Dutra, que era comandante do Comando Militar do Planalto durante os ataques, é investigado pela suposta tentativa de vetar a retirada do acampamento, formado por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) inconformados com a derrota nas urnas e que serviu de base para os criminosos que invadiram e depredaram às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro.
O general negou ter atrapalhado desmonte do acampamento e afirmou que teria recebido uma ligação do então comandante do Exército, no dia 29 de dezembro, determinando que a Polícia Militar (PM) interrompesse a desmobilização do acampamento. Segundo ele, a ação tinha o objetivo de evitar o enfrentamento entre os bolsonaristas e policiais, dias antes da posse do presidente eleito, Lula (PT).
“O comandante do Exército estava acompanhando, viu que o clima na Praça havia ficado mais tenso. Ele [Freire Gomes] me perguntou o que estava acontecendo”, disse. “Eu expliquei para ele o que estava acontecendo e ele determinou que a operação fosse cancelada com a presença da PM e continuasse somente com o Exército, como estava previsto“, acrescentou Dutra.
A fala foi feita em resposta a um questionamento da relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que defendeu uma acareação entre Dutra e o coronel Jorge Eduardo Naime, ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que está preso por suspeita de omissão diante dos ataques golpistas e que relatou a suposta ação do Exército pra dificultar o fim do acampamento.
“Não há dúvida nenhuma de que o depoimento do general Dutra reforça a necessidade dessa acareação entre ele e o Naime, que está preso. Porque, além do Naime, nós temos a [coronel] Cíntia e o próprio Anderson Torres que falou [algo] diferente do que falou o general Dutra aqui na CPI”, ponderou a senadora.
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“Manifestação pacífica”
Em meio a exibição de imagens de manifestantes do QG com faixas pedindo intervenção militar, o general Dutra afirmou que não sabia do perfil golpista dos manifestantes. “O acampamento era uma manifestação pacífica“, justificou.
Segundo ele, não era atribuição do exército “fazer juízo de valor” sobre as reivindicações dos acampados e que não recebeu qualquer informação sobre atividades de caráter golpista desenvolvidas por essas pessoas.
A relatora, por sua vez, lembrou que foi dentro do acampamento que George Washington Sousa planejou a explosão de uma bomba em um caminhão próximo ao Aeroporto de Brasília. Gama mostrou uma foto do criminoso tirada no acampamento.
“As organizações militares possuem poder de polícia administrativa para atuar apenas em casos de crime militar. Nos demais ilícitos, o dever de atuar cabe aos órgãos de segurança pública, em coordenação com as unidades militares responsáveis pelas servidões militares adjacentes aos quartéis”, afirmou o general, ao justificar o porquê o Exército não agiu contra os crimes cometidos no local.
O acampamento em Brasília só foi desmobilizado em 9 de janeiro, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar o desmonte imediato das organizações golpistas em todo o país.
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José de Almeida Bispo
14 de setembro de 2023 8:36 pmO lamentável é que tenhamos que usar com eles o benefício da democracia que eles queriam nos negar.