4 de junho de 2026

Anderson Fogaça vota contra cassação de Moro e forma maioria no TRE-PR

"Não configura abuso de poder econômico, uma vez que não transbordou os limites do razoável", diz desembargador
O desembargador Anderson Ricardo Fogaça. Foto: Divulgação/TRE-PR

O desembargador Anderson Ricardo Fogaça votou contra a cassação do ex-juiz e atual senador Sergio Moro (União-PR) nesta terça (9), durante julgamento no Tribunal Regional Estadual do Paraná (TRE-PR). Próximo a votar é o desembargador Sigurd Roberto Bengtsson, mas futuro eleitoral de Sergio Moro está nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

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“Não configura abuso de poder econômico, uma vez que não transbordou os limites do razoável, com o potencial de causar desequilíbrio entre os candidatos e a lisura do pleito”, disse o desembargador.

O montante computado como despesa de pré-campanha considerado pelo desembargador foi de R$ e R$ 1.230.659,62, após apreciar os documentos apresentados pelos partidos políticos.

O primeiro a proferir o voto nesta terça, 9, foi o desembargador Julio Jacob Junior, que apontou despesas desmedidas do candidato, sendo o cidadão que mais gastou dinheiro para campanha ao Senado, “ninguém chegou próximo ao gasto dele”. Leia mais >>> Jacob vota a favor da cassação de Moro; placar está 3 a 2.

Matérias jornalísticas não são provas concretas?

Para Fogaça, os documentos apresentados na ação, como o uso de matérias jornalísticas, junto de petições iniciais, carecem de dados concretos e objetivos sobre atividades exclusivamente destinadas à pré-campanha dos investigados.

“Em sua maioria, matérias jornalísticas, vídeos de discurso de Sergio Moro, certidões e documentos relativos à prestação de serviços aos partidos políticos, os quais não trazem dados concretos e objetivos”.

Contratação de empresa de comunicação

Sobre a contratação da empresa de comunicação Delantero Comunicação e Publicidade Ltda em prol do União Brasil e seus pré-candidatos, no período de 01/04/2022 a 31/07/2022, o desembargador considerou a divisão do valor total pago pelo partido, e não valor individualizado.

“O Ministério Público Eleitoral considera apenas o montante de R$ 200 mil em razão do rateio do valor total de R$ 1 milhão e 800 mil com os demais beneficiados pelo serviço. Desse modo, adoto a opinião do Ministério Público Eleitoral para computar esse valor como despesa de pré-campanha”.

Foram beneficiados, de acordo com o desembargador, o próprio partido, o investigado Sergio Moro, Ney Leprevost, Luís Felipe Francischini, Rosângela Moro, Nelson Padovani, Luciano Bivar, Júnior Bozella e Soraya Thronicke.

Segurança pessoal

Em relação aos valores sobre o uso de segurança pessoal, Fogaça considerou apenas o serviço prestado pela empresa Pleg Seg, entre 09/11/2021 a 11/11/2021, que coincide com a data de realização do evento de filiação ao Podemos, ocorrido em 10/11/2021.

Sobre as demais notas fiscais, as provas não indicam, de forma irrefutável, que a segurança foi contratada para o pré-candidato Sérgio Moro, podendo ter sido para o dirigente partidário Sérgio Moro“.

“Assim, concluo que apenas há prova segura de que o Podemos efetuou gastos com segurança pessoal, em prol da pré-campanha dos investigados, no montante total de R$ 19.500,00”.

Ainda, o juiz considerou ser compreensível a contratação de segurança pessoal, “em face das ameaças sofridas de facções como o PCC, pelo então pré-candidato Sergio Moro, pessoa notória pelas suas atividades anteriores, ex-Juiz e ex-Ministro da Justiça”, conclui.

Análise qualitativa

Apesar do voto a favor da manutenção do mandato de Sergio Moro, Fogaça divergiu da interpretação do relator, que afirmou ser necessária a comprovação da intenção de downgrade – migração de cargo – por Sergio Moro, o que segundo ele, “trata-se de uma exigência de prova demasiadamente difícil, senão diabólica”.

Votos contrários à cassação

O voto do desembargador acompanhou a interpretação de três juízes contrários à cassação. O relator Falavinha foi o primeiro a votar contra a cassação de Moro, ao compartilhar que a “ação de investigação judicial eleitoral” não é “via adequada” para discutir eventuais crimes de corrupção praticados na campanha do ex-juiz e senador. Ação eleitoral é “via inadequada” para apurar corrupção.

Na visão da desembargadora Cláudia Cristofani, que fez a sustentação oral na segunda semana do julgamento, 8, só seria viável determinar se Moro excedeu os gastos através de uma análise minuciosa das campanhas, por isso, a necessidade de realizar uma perícia e comparar os gastos de Moro com os das demais legendas. Leia mais >>> Cristofani vota contra cassação de Sergio Moro

No terceiro voto contrário à cassação de Sergio Moro, o juiz Guilherme Denz destacou a fragilidade das provas apresentadas. Ele argumentou que não houve uma delineação consistente nos autos que apontasse para abuso na pré-campanha ou em qualquer outro aspecto levantado. Leia mais >>> Denz vota contra cassação de Moro e julgamento fica em 3×1

Votos favoráveis à cassação

Além do voto do desembargador Julio Jacob Junior, entre os votos favoráveis à cassação de Sergio Moro, o desembargador José Rodrigo Sade relatou desequilíbrio do pleito e configurou a situação de Moro como sendo ainda mais grave que a da senadora cassada e ex-juíza Selma Arruda, apelidada de “Moro de Saias”. Leia mais >>> Sade vota por cassação de Sergio Moro e diz que caso é grave.

Futuro eleitoral de Moro

Ao todo, votam sete desembargadores, e com o placar em 4 a 2, o julgamento será encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As provas foram juntadas ao processo pelo PL, antigo partido de Moro e autor de uma das ações que visam a cassação. A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) é autora da segunda ação ajuizada contra Moro e seus suplentes.

Além de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, os partidos contra Moro ainda levantaram indícios de corrupção (lavagem de dinheiro e caixa 2) usando o fundo eleitoral, ou seja, dinheiro público, para beneficiar a empresa do advogado que hoje é suplente de Moro. >>> Saiba mais: Moro teve contrato fake, advogado fake e assessoria fake na campanha.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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